domingo, 31 de março de 2013

"Ai palavras, ai palavras..."

Cecília Meireles versejou estas verdades em seu Romanceiro da Inconfidência...

"Ai palavras, ai palavras...estranha potência a vossa"

Eu fico aqui tentando compreender os meus silêncios... ai silêncio, ai silêncio, entranho significado o vosso.

sábado, 30 de março de 2013

Vuelan cometas por el cielo fronterizo

Vierne Santo. A caminho da fronteira, me deparo com uma tradição interessante pelos céus deste contorno geográfico sureño. Coloridas, de todas as formas, as pandorgas invadem o céu de meninos e meninas de todas as idades.

Trazida por españoles de Valencia, las cometas invadiram os céus de Rosário, Livramento e Rivera. São sonhos volando o universo destes meninos que, desde 1970, disputam concurso internacional de Pandorgas. Os melhores pandorgueiros da fronteira são premiados em distintas categorias julgadas por uma comissão, segundo uma pesquisa rápida que fiz pelo google.

É um show de acrobacias!!!


E nos movimentos da minha memória, no céu que meus olhos abarca... vai ficar a imagem daquele menino sem camisa, com seu  "cometa" na mão, correndo calçada afora ... sonhando ser papagaio, pipa, pandorga nos céus uruguayos.. em mim, fica o sonho do voo, a vontade de ver pássaros.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Ainda sobre a arte de ouvir...

Para pensarmos no que não pensamos...


O EU...

"Acho muito gratificante conseguir ser verdadeiro, conseguir aproximar-me do que quer que esteja se passando dentro de mim. Gosto quando consigo ouvir-me. Saber realmente o que está acontecendo dentro de mim não é uma coisa simples, mas tenho me sentido encorajado a fazê-lo, pois percebo que durante todos esses anos esta minha capacidade tem melhorado. Estou convencido, no entanto, de que esta é uma tarefa para toda a vida e que nenhum de nós jamais está totalmente apto a entrar em contato, sem dificuldades, com o que está acontecendo no cerne de nossa própria experiência." (Rogers, Carl. Um jeito de Ser. São Paulo: E.P.U, 2012, p. 9)

O OUTRO...

"Encontrar autenticidade em uma pessoa é uma experiência luminosa" (Rogers, Carl. Um jeito de Ser. São Paulo: E.P.U, 2012, p. 10)



quarta-feira, 27 de março de 2013

Um jeito de ser

Todos temos um jeito de nos colocarmos no mundo. Cada um a sua moda, com suas particularidades e medos. 

Eu sempre me coloquei. Sempre fui de abrir as asas e me jogar. Lembro da primeira vez que subi ao palco para declamar um poema. Eu tinha 4 anos. Meu pai sentou perto de mim e conversou como quem me segura a mão e me joga para a vida. Disse que o importante era participar.

Participo desde então. Não sou de sair sem dar adeus, nem chegar sem um sorriso. Calor humano movimenta a vida dentro de mim! E eu me envolvo... 

Meu jeito de participar da vida!

Tenho aprendido, nesta arte de viver, que há algo de extremamente poético na escuta. Muito mais do que um encontro da boca com os ouvidos, é um conúbio de almas. Escutar é abraçar o outro na visibilidade do respeito não declarado

Quando eu escuto alguém, meu ouvido vai além. Ele olha através de suas pupilas ... sim, é preciso cultivar nossas pupilas auditivas, porque nós a temos! É um jeito de chegar a alma daquele que está de passagem.

Escutar, simplesmente ouvir. Com a mesma emoção que sentimos aos sermos ouvidos...

Diante disso, cada um a sua moda, com suas particularidades e medos - nos colocamos no mundo. Um mundo onde se pode Ser, simplesmente.



Post-scriptum: Carl Rogers motivou a escrita deste texto. Sua leitura, sua esclarecedora leitura de mim. 


domingo, 24 de março de 2013

Sobre a leitura de Inês Pedrosa (ou sobre mim)

Preciso muito da escrita. Preciso muito mais da leitura. A leitura me alimenta. E foi saciada que terminei, ainda em férias, a leitura de "Nas tuas mãos", de Inês Pedrosa.

Literatura portuguesa bem feita, de escrita feminina, mas não feminista, a escritora intercala narradores sem desconectar o fio narrativo que conduz a história. Personagens de alma maior, de profundidade humana, permitiram reflexões significativas nas minhas idas ao país mágico da minha imaginação. Eu sou do espaço, me disse o amor dia destes... E assim eu vou me revelando ser de borboletas, louva-deuses e palavras. Eu sonho sempre e o sonho me (re)carrega.

Carregada fui para Lisboa e Moçambique. Vi os resquícios dos descasos, das ditaduras, do poder mal exercido. Vi o amor descortinar-se em outras formas, inclusive, na anulação de si - como foi o caso de Jenny. Vi Camila sentir a vida passar através da sua máquina fotográfica e Natália construir edifícios para garantir o alicerce de seu passado paterno inexistente.  

Três mulheres tão cheias de mim. Três mulheres na descoberta e (des-) (re-) construção de seus amores, feito eu, sobrevivente de tempestades. 

E fico aqui me perguntando sobre a representação literária, acerca de ficções e realidades ... sobre o distanciamento que minha leitura deveria ganhar neste momento...

Mas meu olhar reluz encantamento e encantamento é como o ato amoroso - enquanto o prazer acontece, o mundo lá fora não existe. Minha crítica, portanto, fica para o tempo em que eu não tiver mais este brilho nos olhos... se um dia meu tempo for de solidão. Talvez esta crítica não aconteça...

Agora, só lembro de do que escreveu Natália ao final do último capítulo que transcrevo, aqui, como um convite ao aconchego da escrita de Inês Pedrosa:

"Vem para dentro de mim, não tenhas medo". E ele veio. (p. 203)



quarta-feira, 20 de março de 2013

O Google me ama!

Ainda nem é 21 e o Google já demostra todo o seu amor por mim.  =D


Os 30

De repente, 30. Bem podia ser este o título desta conversa com os meus botões. 

Foi rápido o meu caminho até aqui. E fico tentando lembrar de algo, um minuto que não tenha valido a pena.      Todos os meus momentos me fazem ser hoje esta mulher de brilho nos olhos que não desiste das peleias diárias. Eu sou feliz porque eu quero. Escolhi ser assim...

E dentre estas tantas escolhas...há uma que diariamente a vida me oferece como presente, a da maturidade. Crescer é uma das decisões mais difíceis que a gente pode tomar. Crescer sem perder a alegria, uma escolha bonita pela vida! Eu sempre detestei cara amarrada, gente de mau humor, pessimismos... meu tempo (e o meu templo) tem espaço apenas para o bem.

Os 30 me mostraram o caminho da humildade... tenho tanto a aprender! 

Com a chegada dos 30... acredito... há menos quantidade de coisas a escolher... mas não menos intensas e reflexivas estas escolhas. A chegada dos 30 me mostrou os amigos e me apontou os não tão amigos assim. Destes, os 30 anos me mostraram o caminho da convivência respeitosa. Eu cá, eles lá. Daqueles, os 30 me aproximaram ainda mais, me fizeram perceber o quão importantes são e o quanto sou responsável por eles, pois, afinal, nos cativamos...

Os 30 me fizeram ver o sexo de outra forma. A fazer sexo de outra forma e a amar definitivamente de outra forma. 

Amo, simplesmente porque quero amar. Aceito e me cuido todos os dias para não criar expectativas demais. Frustração mata o amor  ... e eu escolho viver a paixão de amar, de surpreender, de acarinhar, de presentear, se escutar... escolho e sou escolhida.... 

A chegada dos 30 me mostrou que não morro de amor, nem por amor. Meus 30 são a decisão de me amar para poder oferecer este tão bonito sentimento a quem quer que queira o sorriso dos meus lábios e o calor do meu abraço...

Os 30. Meus 30... 
E já são quase uma vida inteira!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Das Férias...

Férias. Fazia tempo que queria escrever sobre elas...

Minha necessidade de trabalho me deixa pouco a vontade com as férias. Eu não paro. Eu não aprendi a parar. Ensinaram-me a caminhar em frente e sigo nesta corrente que me faz tão bem. Eu vivo o meu trabalho. Vivo porque ele me faz bem, me completa, me deixa feliz, realizada. Eu diuturnamente vivo o que faço. 

Para os psicanalistas, os psicólogos de plantão - meu caso é clínico. É uma espécie de fuga.

Eu me refugio no meu trabalho como me refugio nos livros. E eles... meu trabalho e os livros que leio... sabem e dizem mais de mim que todas as palavras que eu passa dizer ou escrever aqui. Ponto final. 

Eu não sou de lua, sou de suar as pegadas conquistando espaço. Ariana, sou de batalhar pelo MEU pão. Meu em maiúscula, sim... 

... quando se chega aos trinta com tantas coisas conquistadas (eu consegui isso!), a gente pensa que pode se permitir mais. Um pouco mais...

Minha primeira conquista foi sentar e contemplar meus 15 dias de férias. Eu li, dormi, conheci coisas novas, namorei, voei, caminhei, tomei sol, nadei, comi... 

É bom viver o tempo nos segundos do ponteiro. Lentamente vivendo o desacelerar do tempo...

Em férias, a gente vive mais. Humm...talvez a gente viva mais quando se permite ter vida. Eu tenho me permitido ter vida há um tempo... depois que resolvi que viver era comigo e ninguém mais. De lá para cá assumi definitivamente minha decisão de felicidade.

Semana que vem são 30, são trabalho, são de conquista.

A década que inicia será minha ...toda minha! Será o tempo das semeaduras e das colheitas com riso na cara e alegria no corpo.

Férias, agora .. somos mais amigas!

(Praia do Forte - Salvador - Bahia)




Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...