quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Chega de politicagem - eu quero política feita com verdade!

Há tempos que perdi a vontade de falar de política brasileira. Há tempos não tenho vontade de discutir sobre isso nas rodas de conversa, em sala de aula, com os alunos. A nossa política ensaboou, ficou escorregadia, virou politicagem. Hoje, não há (ou há raríssimos) político que tenha uma imagem (e seja de fato) confiável a ponto de nos posicionarmos favoráveis a ele, de corpo e alma. 

Eu já sou de um tempo apartidário. Na casa que cresci nunca existiu bandeiras. Sempre se falou em buscar o eleito pelo currículo público deste, levando em conta, realmente, o que este tinha feito de bom e o quanto não havia comprometido-se com as barbaridades que existem no meio. Este sempre foi o meu caminho: votei em pessoas.

E, olha - está difícil demais! Há muito interesse e só lembram da gente quando este interesse é realmente um benefício. É a lei do manda quem pode e obedece quem não tem consciência do que realmente trata a política. Uma hora, é tempo de dizer basta! 

O meu basta foi esta semana! Há dias vejo pelas redes sociais, pela televisão as figuras do mensalão tentando fugir descaradamente da cadeia. Chegamos ao ponto do mensalão pai, José Dirceu, conseguir um emprego com carteira assinada em um hotel no qual receberá cerca de 20 mil reais, salário este maior que o da gerente do estabelecimento. Chega, não! Chagamos ao ponto de um cidadão com a história de José Genuíno tentar burlar o seu estado real de saúde - e a saúde mental e emocional do povo brasileiro - para não cumprir seus 6 anos e 11 meses de prisão. Com todo respeito que tenho aos doentes, chega!

No Brasil que temos, vai preso quem rouba um frango para matar a fome da família. No Brasil que temos, raras pessoas conseguem ganhar 20 mil ao ano. No Brasil que temos as pessoas morrem na fila do SUS. No Brasil que temos, corrupto está solto, trabalhador não tem onde trabalhar. Basta!

A partir de hoje fica declarado que todo político de plantão terá que merecer o meu voto. E merecer não é tentar ludibriar-me com palavras bonitas e discurso vão. Isto é feio e já não serve mais! Eu quero ações, meus senhores! Eu quero honra! Eu quero retidão! Eu quero respeito com o povo que eu faço parte! E depois disto - eu quero que faça valer a pena nos representar publicamente. 
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sonhar não custa nada

Em 1992, o carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel invadia a Sapucaí com o refrão "sonhar não custa nada e o meu sonho é tão real". Com letra de Dudu Nobre, a escola não foi a campeã daquele ano, mas deixou registrado o samba-enredo em nossa memória musical. Seguimos sonhando com sua melodia, com seu convite à vida.


O sonho sempre fez parte de minha existência. Sou declaradamente sonhadora. Sonhei escrever poesias,  publicá-las em livros, sonhei fazer faculdade, especializar-me, estudar no exterior. Sonhei encontrar um companheiro, ter paz de espírito, ter minhas coisas. Sonho em crescer profissionalmente, sonho aprender mais, sonho viajar, conhecer pessoas, fazer amizades, sonho manter as pessoas por perto, sonho ter meu lar, minha família... sonho ter minha casa, minha biblioteca, meu refúgio particular. Todos os dias me permito sonhar! O Sonho me alimenta!

Esta semana, selecionando material para minhas aulas na universidade, encontrei um curta-metragem argentino muito interessante. "El vendedor de Sueños"* nos mostra, em poucos minutos, o quanto as pessoas, acostumadas com as tarefas do dia-a-dia, acostumadas a seguirem a corrente, deixam de sonhar, tornam-se frias diante das possibilidades de realização, desacreditam. Dá o que pensar esta produção!  Pedrito, que segue o caminho de sua avó, acredita que vende sonhos. Ele convida os passageiros do transporte urbano de Buenos Aires a pararem apenas dez segundos para pensarem em seus sonhos. 

Esta semana, convidei minhas alunas a sonharem. Sonhamos juntas. Hoje, convido os leitores. Vamos, que custa? Apenas um sonho para este final de ano que se aproxima...para o próximo ano que virá. É preciso se permitir!

Afinal, em 1992, a mocidade não ganhou o carnaval, mas alimentou seu sonho durante quatro anos. Ela foi a grande campeã de 1996 com o tema "Criador e Criatura". Criemos hoje, então, para isso "deixe a sua mente vagar, não custa nada sonhar".


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*Curta-metragem: http://www.youtube.com/watch?v=0udJVDyC0M4

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

De tempos e descobertas

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Demoramos muito para nos descobrirmos. O tempo é um amigo impagável neste aspecto. Ele molda o vento, arruma as árvores e nossas curvas. O tempo nos leva e nos traz muitas vezes para nossos encontros com a vida.  A calma de olhar o trajeto das folhas pela janela e escutar os ruídos e os clamorosos compassos de Éolo também é presente deste ir e vir das horas.

Muitas vezes, este ir e vir nos acompanha de uma chacoalhada. Um susto, uma rasteira, uma tirada de chão. É Chronos que bate a porta para exigir destrezas, para exigir atitudes, para pedir sonhos e movimentos. A vida requer comprometimento. É preciso crescer. É preciso transformar-se. É preciso ser luz.

Uma de minhas maiores dificuldades é compreender o porquê de muitas pessoas, nestas volteadas de cochilha que o tempo espera a espreita, buscarem o caminho dos fundos. São pessoas prontas para o amor, desejosas por amar, mas que simplesmente não se permitem. Este é meu verdadeiro aprendizado: aprender a compreender as fraquezas alheias, tão minhas. Aceitar do outro o que o outro consegue oferecer. Aceitar o tempo do outro, a necessidade do outro. Reconhecer e aceitar as minhas necessidades. 

Em tempos de crescimento, de fazer as malas e ser gente grande, é preciso iluminar. Simplesmente (e com simplicidade) encontrar o caminho e partir em buscas de realizações, de semeaduras e de novos ares. 

Demoramos muito para nos descobrirmos, reconhecermos nossa identidade. E descobrindo (bem de poucos), é fundamental ter coragem de nos olharmos e nos percebermos gente, demasiadamente humanos. O tempo é um amigo impagável neste aspecto.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Best-sellers e casamentos




Acho fabuloso ir ao mercado comprar comidinhas e leitura.  Na última ida ao super comprei um livro que me ganhou pela capa: um enorme coração com o título intrigante de "Comprometida". São destes best-sellers que muitos de meus antigos professores da academia chamariam "porcaria". Eu estou me divertindo horrores!

O livro conta a saga de uma mulher frustrada com a instituição "casamento". Após um longo e sofrido divórcio, decide nunca mais unir-se legalmente a outro homem. Porém, como na, vida não há mal que dure para sempre, a personagem norte-americana se apaixona por um estrangeiro, um brasileiro chamado Felipe. Por ele, para que não seja deportado, passa a repensar seus conceitos, superar seus desmandos, duas desilusões, seus monstros interiores. Para emergir para esta nova relação que se apresenta, ela decide conhecer como mulheres de diferentes culturas concebem a união.

Em meio as minhas leituras, fiquei pensando que coisas eu penso sobre o casamento. Eu que sou mulher, gaúcha, brasileira, latino-americana, ocidental. 

Na minha família, acho que todas as mulheres casaram. Teve prima que fugiu para casar e viver o amor. Eu, no entanto, sempre tive certo medo deste tipo de contrato. Estas questões judiciais sempre me pareceram meio nebulosas, sujeitas a burlas e enganos. Deve ser o mal de ser filha e irmã de advogado a gente se cria desconfiado. 

Quando eu penso em casamento, penso apenas em união. Mas não aquela de escovas de dentes e gavetas do guarda-roupa. Casar é aceitar caminhar do lado, planejar a vida e sonhar juntos. É aceitar que não há perfeição e que no dia-a-dia é preciso ser amor e sombra para amansar e refrescar as dores da alma, sempre com o respeito de quem olha nos olhos e oferece o ombro amigo. Casar é ser cúmplice em vida, pela vida, com vida. 

Acho fabuloso ir ao mercado comprar comidinhas, leitura e reflexões sobre a vida.  Esta última ida ao super me fez pensar que casamento não precisa de contrato, mas que sendo amor, precisa de união. E é a união (e não os papéis e direitos civis) que faz o casamento.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

De abraços e adeus



Na rodoviária, o abraço estende-se no espaço
ancora, no corpo, a presença do outro
É cedo. É tarde.

Os peitos se afagam envoltos em braços, carinhos, em mãos e aconchegos.
É o corpo dizendo adeus.
É cedo. É tarde.

Da plataforma,
o relógio marca, em despedida,
os segundos da partida.

Partido segue o homem
Partida segue a paixão.

Na plataforma,
o abraço estende-se no espaço outra vez.
Já não é tarde. É cedo.
É tempo de ser dois.

Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...