segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"E se vão os anos..."

Há vinte e dois anos meus últimos dias de cada ano me levam à infância.
(...)


Como todos os anos, nós colocávamos a vida no chevette branco do meu pai e íamos passar as férias escolares na nossa casa de veraneio, no Passo do Angico. No bagageiro, ia nossa televisão caixa de abelha - e todas as suas histórias e imagens. Atrás, pendurada ao carro - minha supermáquina era companhia garantida. Malas, potes, panelas e muita música animavam nosso caminho até São Pedro do Sul, terra natal do meu velho.

Como eu não largava meu pai, era sempre companhia das viagens, enquanto que minha mãe e minha irmã se aventuravam no Linha Canoa. Era incrível! Era um tempo em que o asfalto ainda não tinha chegado completamente na faixa de São Pedro e nós, muitas vezes, nos embretávamos pela estrada de Canabarro, pela Igrejinha do Divino. 

Consigo ainda escutar a risada do meu pai. Consigo ver o seu rosto e os seus olhos. Jamais olvidei os conselhos dados as voltas do Toropi, entre joaninhas e lambaris: "estuda, minha filha, estudo é a única herança que poderemos te deixar". Eu segui o conselho a risca!

Lembro com carinho de muitas histórias, como a do céu ser a lona preta de Deus. Esta é linda, sensível e poética - como meu pai! Lembro de minha coleção de minicopinhos de massa de tomate - todos comprados na cooperativa; lembro das lavouras de milho e da torcida do panelinha; lembro das festas no bar da tia Ivani e do tio Erton; dos bailes de carnaval. Seu "Nesto" e seu "Rosa" também fazem parte desta bagagem...

Muita vida vivida em apenas oito anos de convivência que marcaram significativamente minha existência. Com o meu pai eu pude ser outra; sem o meu pai eu precisei ser outra. E aqui estou eu, certa de que segui um caminho bom, certa de que ele, mesmo de longe, soube ser meu guia, minha luz.

Há vinte e dois anos meus últimos dias de cada ano me levam à infância. Que bom ter tantos motivos para sorrir!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

"Voa, o tempo voa, voa meu amor*"



Adoro final de ano, pois é sempre tempo de limpar as poeiras do armário da alma. Nesta época, temos a tendência a olharmos um pouquinho para nós mesmos, para nosso caminho trilhado ao longo do ano. Na televisão vendem isso como retrospectiva. Eu vejo como vida, como conquista diária. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.

Este 2013 foi um ano especial. Na minha memória do vivido, só lembro de coisas boas que aconteceram. Este ano fui à Bahia e viajei pela primeira vez de avião. iFue inolvidable! Este ano foi ano de feira do livro, de rodas de conversa na praça e encontros de apagar saudades. Este ano foi um ano de mudar de trabalho, de mudar de casa. Alguns dizem que agora sou uma mulher casada - eu simplesmente acho que agora firmei um laço mais profundo de amor, de união, de companheirismo, de amizade. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.

Este ano foi um ano de notícias boas. Como professora, recebi o melhor que a profissão pode me dar - o reconhecimento dos meus alunos. A turma de Itaqui me convidou para patronesse e isto marca a minha história profissional significativamente. Meus alunos são muito amados! Este ano foi de crescimentos profissionais, de muita aprendizagem. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.


Não bastasse tantas conquistas, tantas maravilhas - 2013 trouxe a Antonia e a Brenda. Aí, o coração ficou radiante. Com elas, a família terá dois bons motivos para viver melhor. Este foi um ano de ver meus sobrinhos crescendo, meus irmãos prosperando, minha família bem. 



Que venha tempo ainda melhor, tempo de realizar sonhos e construir futuros. Tempo de ser quem se é, de coração aberto!

"O relógio move o tempo e faz bater meu coração (...). 
 Voa, voa - o tempo voa, meu amor (...) 
É que muita coisa boa vai ficando para trás".


Feliz 2014!

* O Tempo Voa - Kleiton e Kledir

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mais um Natal bate à porta

Mais um Natal bate à porta. É dezembro outra vez. Outra vez me pego pensando no capitalismo que virou as nossas festas de final de ano. No exagero das mesas cheias e das mesas vazias e no vazio das relações. Não há meio termo. 

Em outras épocas, nesta época, eu já teria preparado meu banquete de sonhos diários para o próximo ano. Já teria comprado os regalos dos amigos, o mimo dos sobrinhos. Desta vez, não fiz nada disto. Meu tempo foi capitalizado também. E assim, estou presa as minhas tarefas de tal forma que produzo o tempo todo e pouco me resta para viver. O trabalho virou nossa escravidão moderna. É o exagero do não viver. 

E, em meio a este turbilhão diário, nos prendemos pouco ao essencial, as minucias da vida. O exagero é uma perda enorme que não damos conta. É preciso ater-se aos encontros, aos sorrisos, aos abraços, as rodas de conversa. Rechear a mesa e endividar-se para o ano que inicia não resolve nossos problemas. Viver resolve nossas faltas. Conviver resolve nossas carências. É preciso encontrar o caminho do meio e buscar/criar as oportunidade de ser feliz hoje.

Mais um Natal bate à porta. É dezembro outra vez. Outra vez me pego pensando no capitalismo que virou as nossas festas de final de ano. Mas este ano farei diferente. Este ano eu serei ainda mais feliz, sem exageros à mesa, sem exageros nas compras. Importante será estar com as pessoas, olhar nos olhos dos meus, encontrar o encantamento de nossas charlas, o burburinho das crianças e a alegria imensa de estar junto da família. Para o próximo ano, vale a receita de Drummond...


(...) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações (...)
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo (...)


Google Imagens

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

De liberdades e andorinhas



A vida sempre encontra um jeito de nos surpreender. Cada dia sempre estamos predestinados as surpresas das inesperadas volteadas de coxilha. Os ventos sopram e as coisas acontecem.

Na última semana, fui acometida de uma doença que jamais esperada ter aos trinta anos - caxumba. A danada foi chegando de mansinho, tomando conta do meu corpo e me colou de resguardo sete dias ininterruptos. Foram sete dias trancafiada em casa...

Eu nunca fico doente. Nunca sou de me queixar! Quando criança, cresci na liberdade das ruas (outrora) calmas da minha vila, corria invernadas imaginárias nas minhas fazendinhas de faz de conta. Eu sempre fui de voar. E a liberdade sempre foi a conquista mais almejada.

Ser livre é poder decidir o próprio destino, sendo protagonista e devedor das próprias decisões. É crescer do acaso inesperado; do trabalho objetivo; da vontade de ser gente grande. Ser livre é saber escolher recolher-se na calmaria das horas, na companhia de quem se ama... liberdade é não ter pressa pelo amanha!

A vida sempre encontra um jeito de nos surpreender, sempre encontra uma forma de nos colocar a par da história, da nossa história, dos caminhos que construímos, dos que escolhemos. Eis que ao chegar em casa meu companheiro apresenta o mais novo membro da família - um filhote de andorinha que se perdeu do ninho. Desconfio que haverá verão... 





sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

É preciso acreditar, pelos nossos meninos...é preciso acreditar!

Google Imagens

Há tempos, na universidade, discutindo acerca dos novos tempos e da educação, olhei um vídeo* de um menino, com cerca de dez anos, que perguntava, com veemência, se a pessoa que o assistia tinha certeza de que poderia ser sua professora.  Ele estava em uma sala cheia de aparatos tecnológicos e conseguia, com sua pouca idade, manipulá-los com tranquilidade, com precisão.  Ele tinha certeza que poucos poderiam orientá-lo neste sentido. Ele questionou, pegou pesado, impressionou.

Não por acaso lembrei-me deste vídeo esta semana – semana esta marcada por novas questões envolvendo os políticos do mensalão. Pensei que algum menino deste país poderia ter a coragem de fazer um vídeo assim para os políticos que estão aí, com um currículo pouco desejável para merecerem nosso voto, nossa confiança e nossas últimas gotas de esperança. Queria ver um menino deste país, fruto da educação pública brasileira, revoltando-se (positivamente). Queria vê-lo mostrando sua escola, suas condições de estudo, as formas como é incentivado a aprender e perguntando ao ilustre, que é tratado nos congressos por aí afora como vossa excelência, se este merece o seu voto, se este merece representá-lo, se este tem condições de estar no cargo em que está.

Um país que precisa discutir tanto e problematizar tanto para investir em saúde e educação (lembremos o pré-sal); um país que tem (diariamente) como manchete principal em todos os seus telejornais escândalos de corrupção – precisava de um menino corajoso que fale, que pergunte:  - você acha que pode me representar? Você acha que pode ter o meu voto?

Nosso país, menino que é, precisa aprender enquanto é tempo os valores importantes da honestidade, do respeito, etc.. Precisa ter a coragem de crescer com passos firmes para ser, de fato, gigante. Afinal, um país que segue ano após ano nas últimas posições no ranking do ensino de matemática, de ciências, um país que está nas últimas posições em se tratando de compreensão leitora – algo de errado tem.

É preciso ter a coragem dos pequenos, destes meninos do nosso país que seguem batalhando por uma vida melhor. É preciso não sucumbir diante da realidade que temos. É preciso batalhar por outros caminhos, construir outro panorama. É preciso acreditar, pelos nossos meninos.