quinta-feira, 26 de março de 2015

Do viver dos poetas



Para Ruth Larré, poetisa de Santa Maria falecida no último 25 de março.

Na poesia
o poeta vira palavra
inscreve-se
recria-se
vira mundo
e o mundo vira
na poesia
o poeta vira estrela
vira artista
vira palco e fantasia
na poesia o poeta
vive o verso
arrepia
na poesia o poeta que ora morre
se eterniza.


Fonte da foto: http://www.claudemirpereira.com.br/2015/03/memoria-mundo-cultural-mas-nao-so-presta-a-sua-homenagem-a-ruth-larre-sepultamento-acontece-as-5/#axzz3VYGH2BKK

sexta-feira, 20 de março de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 9

De tudo que vi, li e recebi sobre as manifestações contra o governo no último domingo, 15, sem dúvida a faixa que me chamou mais atenção pedia um "basta de Paulo Freire" para a/na Educação. Uma tristeza que comprova que Freire além de não ser lido no seu próprio país tinha razão: "ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo. Todos sabemos algo. Todos ignoramos algo”.

Em meio a isto, voltei a me questionar sobre os cursos de licenciatura que, tão apartados de uma Educação nossa, ainda buscam em outros paises pensadores que ajudem a formar os nossos professores. Paulo Freire não é lido (ou muito pouco lido) no nosso país! No nosso! Nos paises que valorizam uma Educação Libertadora, em paises emancipados da opressão do silenciamento e da ignorancia pedagógica, educacional - Paulo Freire é base. O nosso pensador foi homenageado em Harvard, Cambridge, Oxford - Universidades estas reconhecidas no mundo todo. Aqui, pedem um basta as suas leituras. Por quê? Por puro desconhecimento.

Para Freire, não posso ser um profissional na segunda-feira e alguém diferente nos finais de semana. Para Freire, sou o que sou em qualquer espaço em que esteja. Para ele, a educação é um ato de amor. O amor, a própria educação. Pedir que se de um basta nas leituras de Freire é, sim, manifestar a própria cultura brasileira, importadora de modelos que pouco servem a nossa realidade. É achar que o que vem de fora é melhor do que o que é produzido aqui. 

Valdo Barcelos em seu Livro "Uma educação nos trópicos" menciona que não vivemos uma crise na educação, porque a crise inicia, tem seu ápice e acaba. O que nós vivemos em educação - este "niilismo educacional" - é um problema cultural. Nós não valorizamos o conhecimento como um bem. Para mudarmos este cenário precisamos mudar nossa cultura. E, sim, só conseguiremos avançar neste processo lendo Paulo Freire

Precisamos, como coloca Humberto Maturana, mudar a cultura através do amor, do conviver, do "linguajear". Aos poucos, semeando um olhar amoroso com/para a educação, vamos ajudando a construir um pais melhor, e, claro, mais leitor de Paulo Freire.

Imagem retirada de: http://www.olhardireto.com.br/ 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 8

Não há um botão que cliquemos para a felicidade acontecer. Ela não chega assim, sem rituais internos. Não chega automaticamente e dificilmente vem acompanhada. É nossa responsabilidade despertar para a vida e aceitar o despertar dos demais. 

No conviver que nos relacionamos, o da cultura do consumo, vivemos uma ideia de felicidade que vem pela via da posição social, do ter as coisas. Se não lucramos, não competimos, não ganhamos - e, nesta situação, dificilmente nos encontramos com a recompensa maior que promete esta sociedade - a felicidade. Ter negado o direito a esta felicidade só gera sofrimento.

Para Maturana e Ximena Davila, a origem deste sofrimento vem da negação (nossa, do outro) no convívio, é cultural. Para eles, quando não nos encontramos com a felicidade é porque estamos vivendo em um mundo relacional que nos nega. Importantíssimo dizer, também, que para Maturana e Ximena a sociedade patriarcal proporciona muito destes sofrimentos. Para eles, deveriamos existir no espaço de nossa convivência em uma sociedade matrística - marcada pela aceitação do outro como verdadeiro outro na relação, no linguajear, sem cobranças, sem expectativas. Para eles, todos os nossos "problemas" estão na negação de que somos originalmente seres amorosos.

Se vivêssemos como seres amorosos realmente nossa cultura seria outra. Não precisariamos viver em busca de um botão para clicarmos em busca da felicidade, rituais internos (e com o externo) de aceitação (minha e dos demais) fariam parte naturalmente de nossa caminhada, seriam culturais. A felicidade não chegaria (como não chega) naturalmente, mas seria parte de nosso conviver, porque não só nos responsabilizariamos com ela, mas também com a do outro. 

Para hoje, mais amor e esperança na vida e nas pessoas!

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz,  Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz" (Gonzaguinha)


quinta-feira, 5 de março de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 7

Para todos meus tios, primos,
irmão, pais, que sempre me fizeram ver 
na simplicidade das coisas a alegria de permancer.

Sinto o cheiro do pão batido da tia Jaci invadindo a minha memória. Coloco margarina e açúcar cristal na minha fatia imaginária. Saboreio lembranças!

Minha infância tem cheiro adocicado. Cheira a doce de leite feito em casa, pela tia Nida e pela minha mãe. A mãe ficava horas e horas as voltas com o fogão a lenha, no fundo do pátio, remexendo o tempo que só é passado. A tia reservava surpresas no armário de madeira amarelo.  E sempre (sempre!) fazia o tempo render carinhos, presença e narrativas. Ainda escuto, no corredor de luzes acesas da minha memória, o sapo em seu coaxar, entre concursos e risadas. 

Ir a São Pedro e não comer as roscas da tia Diones, feitas com vinagre,  é o mesmo que não ir.  Ela amassa com ternura o espaço e o tempo  - nos faz crianças em volta da bacia de nossa infância. 

Minha infância tem cheiro de churrasco de pai. Tem o tio Diogo na cozinha e tem chá de boldo de prontidão. E tem roda, família reunida, felicidade. 

Ainda sinto o cheiro do pão batido da tia Jaci invadindo a minha memória enquanto viro a página de mais um livro de Laura Esquivel. Em "Como água para chocolate", o narrador me teletransporta para o universo único de minha memória. Definitivamente sou feliz!

Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...