domingo, 17 de junho de 2018

Pedro,


Quando mamãe estava com 16 semanas de gestação e descobrimos que eras tu que virias fazer história aqui conosco, decidimos que era necessário te contar algumas coisas importantes sobre tua vinda e sobre o mundo que te receberia.

Papai e mamãe são caminantes deste mundão velho de Deus, tu já deves ter percebido! Estávamos na Colômbia, a 2.600 metros de altitude, quando foste concebido. Papai e mamãe brincam que os atletas de futebol vão jogar na altitude e não fazem nada e papai fez um golaço!

Vieste para nossas vidas em meio a muita alegria, muita diversidade, sabores diferentes, cores maravilhosas, entre livros do Gabo e Laura Esquivel… y mucha charla en español. Te levamos a museus, praças, cafés, restaurantes, lugares históricos. Rimos e brindamos muito! Começamos ali mesmo a te apresentar o mundo e toda a sua riqueza linguística, humana, cultural!

A vida é isso, meu filho: é fluir e se permitir olhar além das nossas fronteiras! Quando saímos de nosso pequeno universo percebemos e aprendemos muito com o outro e descobrimos muito sobre nós mesmos, sobre nossa identidade. Contigo, queremos conhecer muitos outros lugares!

Precisamos te confessar que nosso contexto não está muito propício para essa abertura. O Brasil(eiro) está cada vez mais conservador, com um fascismo crescente e assustador. A corrupção é epidêmica e ocupa todos os setores da sociedade. Até a Canarinho está em baixa! Diante disso, Pedro, só o amor pode nos salvar da barbárie! E o amor é sempre uma escolha possível!

Para que possas, então, ter uma ideia do mundo que te recebe - papai e mamãe começaram a fazer um arquivo histórico para ti. Informado, a partir de diferentes veículos sobre o contexto em que vieste para este planetinha, esperamos que sejas autônomo, crítico e que faças a leitura do mundo e com o mundo com teus próprios olhos. Esse é nosso presente cheio de carinho para ti...

  



Não tenhas medo! O mundo pode ser maravilhoso, meu filho!

Mamãe e papai.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Carta a Pedro,

Há tantas coisas para te dizer... tantas...

Quero te contar, primeiro, o porquê do teu nome. Teu nome é uma memória. É um amor. É uma história bonita que mamãe viveu e que papai, tão carinhosamente, abraçou. O teu papai é um homem incrível!

Pedro era o nome de meu avô paterno. Eu não o conheci pessoalmente, mas guardo muito dele aqui dentro de mim. Na beira do Toropi, entre caniços e lambaris, teu avó Aroldo me contava muitas histórias sobre ele. Aprendi a amar teu nome assim... pelos olhos do homem maravilhoso que foi o meu pai. 

O teu bisavô era um homem humilde, de palavras rimadas, de poesia. Era trovador na rádio de São Pedro. Quem o conheceu, revela que era uma pessoa muito amorosa e querida por todos. Há muito dele na pastinha de poesias do vô Aroldo, que poderás ler com a mamãe, com o papai e com tuas próprias descobertas. Teu nome, meu filho, não é uma homenagem ao teu bisavô. Teu nome é o nosso reconhecimento à boniteza do amor que pode existir entre as pessoas. 

Pedro Fagundes Fontana. 

16 semanas de amor
Preciso te contar, também, que combinei com o papai que teu sobrenome será "Fagundes" e não o "da Silva" - bem juntinho e lindo com o "Fontana" do papai. Eu vou te explicar! A mamãe foi criada pela vovó Maria. Ela é uma mulher muito guerreira, forte, corajosa. A nossa sociedade ainda é muito machista. O filho leva (quase sempre) o nome do pai. Neste caso, o nome do meu pai seguiria a diante, fazendo história na nossa família. Precisamos mudar isso, não é mesmo? Precisamos reconhecer que as mulheres são tão importantes na nossa caminhada quanto os homens. A minha mãe é! Comecemos por nós a fazer esta história diferente, não é meu filho?!


Na próxima cartinha mamãe vai te contar sobre uma coisa que estamos organizando para ti... 



Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.