sábado, 28 de dezembro de 2019

Alfredo Tonetto, 414


                                                   Para Marcus, que voa comigo


Aos poucos, a casa vai se despedindo...

as gavetas abertas cederão lugar a outros tecidos e utensílios 
as paredes contarão outras histórias 
em quadros coloridos ou monocromáticos
os móveis borrarão as digitais de mãos sedentas de amor
do calor dos abraços e dos afagos
o guarda-roupas terá outros cheiros e não será mais os das manhãs de sorrisos abertos
os livros irão para outros olhares
mesmas mãos, novas prateleiras
serão território de renovadas descobertas

Na cozinha, não haverá taças de vinho e garrafas expostas e louça por lavar cheia de conversas e textos e artigos 
o fogão receberá novo artífice

No jardim, a roseira perderá a plateia atenta ao seu despertar 
As árvores não amadurecerão ao olhar da criança e não matarão a sua sede
os passos serão renovados de histórias 

Aos poucos, a casa vai se despedindo... 
E nós nos movemos em nossos alicerces carregados de sonhos.


domingo, 1 de dezembro de 2019

Soy

Soy la canción de cuna
la mirada, el susurro.
Soy la leche, la papa, las novedades.
Soy la lengua, las palabras, los abrazos.
Soy la sonrisa y el llanto.
Soy paciencia,
sustentación.
Soy mirada, guía, camino,
dirección.
Soy tantas y tanto desde entonces,
que pasé a firmar poco y corto:


me escribo madre.

14/11/2019.

Da velha política

Nos diários, fake news e destemperos
divisões
disparates
discussões

novas narrativas, velhas artimanhas

E já não há novidade para olhos sedentos de informação.


15/11/2019

Ensimesmada

Uma vez por dia tento me ver melhor
busco meu olhar perdido entre fraldas e brinquedos
e me digo, ensimesmada,

aproveita.

Logo ali o tempo é saudade de menino entre os tapetes,
cambaleando primeiros passos
Logo mais o colo apequena e as mãos crescem
Logo, logo o mundo é infinito e tu, pouso.

Tu sempre serás porto, abrigo, imensidão - poesia.

Lentamente eu me olho
dona de minhas escolhas
meu olhar perdido encontra abrigo nas bolitas castanhas de meu filho, tão minhas
e já sou outra, tantas, inúmeras



Poesia para um amor que nunca morre

                                                        da tua Didimon memórias nossas                em conversa com as estrelas           ...