terça-feira, 30 de outubro de 2018

Carta a Pedro

 Filho querido,

Hoje a mamãe quer te contar uma coisa muito importante, te contar de um sentimento gigantesco que habita nossa morada. Não do meu por ti, mas do amor do teu pai, que não te carregou ainda, mas que foi nosso alicerce nessas 38 semanas e 4 dias de  gestação. 

Teu pai é um homem incrível. É, sem dúvida, minha pessoa preferida no mundo. Um homem ponderado, estudioso, inteligente,  ético... lindo em todos os sentidos e cheio de amor pela vida, pelas pessoas. Sem contar que ele tem o melhor abraço do mundo - tu verás isso logo, logo! É um abraço que ilumina a alma da gente! Teu pai é um poema de amor - como tu, filho! 

Durante todo esse período, foi com ele que pude dividir todas as minhas dores, minhas angustias e minhas alegrias. Ele trocou de lugar comigo na cama, nos ajudou a sair dela quando a barriga já não me dava tanta agilidade, cedeu seu travesseiro, fez chá, trouxe água, água e mais água para a mamãe estar sempre bem hidratada para te dar tudo que precisavas para crescer saudável. Papai ajudou a mamãe a levantar do sofá, a erguer as pernas, a passar creme nos pés, a carregar tudo que possas imaginar. Teu papai virou um carregador de sacolas profissional. Além disso, quando no final da gravidez algumas estrias apareceram e o peso do meu corpo se avolumou - ele iluminou meu dia, olhando para mim para além do meu corpo. Esse é teu pai, Pedro! Um homem que não está preso as convenções, as imposições, que não nos cobra nada. Ele é puro amor e ama da forma mais leve e maravilhosa possível!

Preciso te contar, também, Pedro - que ele foi a todas as consultas comigo! Ele fez o pré-natal todinho! Foi a todos os exames - os de sangue, as ultrassonografias - mesmo em dias em que estava atolado de atividades na universidade. Ele sempre priorizou a nossa família! Foi ele que me acalmou quando chorei incessantemente após a ultrassom que descobrimos que serias tu a vir para nosso convívio. Sim, filho - eu chorei! Não sei bem o porquê - mas chorei tudo que vinha dentro de mim! A mamãe chora. O papai também. E tu também poderás chorar. Seremos ombro, colo e amor para tudo que precisares. 

Talvez quando possas ler estas minhas palavras já não te lembres mais com tanta clareza do quanto amas escutar a voz do teu pai aqui de dentro da barriga da mamãe. Será só sentimento! Quando ele lê historinhas para ti - em português ou em espanhol... quando canta para ti... quando escolhe canções e mantras no youtube para dormirmos  - tu te moves em direção a ele. É a coisa mais linda do mundo ver vocês interagindo como grandes amigos, grandes parceiros de vida... como pessoas que se amam. Sou apaixonada por vocês! 

Além disso, filho - papai, ao longo desse tempo, fez tantas comprinhas para ti... escolheu roupas de super-herói (a dos melhores personagens!), livros (sempre críticos!), brinquedos geeks, carrinho de passeio (para se aventurarem juntos pelas ruas da cidade!) ... fez surpresa para nós com nossos amigos... fez a vida ser alegria pura com tua chegada. Teu pai anuncia e aguarda tua vinda com todo amor que cabe dentro da gente e que transborda para a vida que escolhemos viver - desde sempre a tua espera. 

Essa semana vocês vão se olhar nos olhos... vai ser lindo, filho! Ele estará conosco em cada momento... e seremos nosotros para sempre!

Para ver mais fotinhos que a mamãe selecionou - clique aqui!


tu mamá.








quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Poeminha para quem chega

Para Pedro, que se aninha no meu ventre há 37 semanas e 4 dias 

               
                  aninhado em minhas entranhas
                  alimenta-se da vida, do amor e da luz que vai em mim

filho das minhas alegrias,
sou tua morada
teu primeiro lar

sou por ti todos esses dias e meses e anos que virão
somos no meu corpo nossa verve
sempre seremos

acomodado em meu ventre
alimenta-me de esperança

Vai ser amor,  filho.... vai!







segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carta para Angelise

Querida Angelise,


Estivemos cada dia mais juntas nessas últimas 36 semanas. Vivemos dias de muita alegria e dias de muitas descobertas. Percebi que não foram fáceis para ti essas descobertas. Antes, imaginavas que a gravidez seria uma caminhada tranquila, que tirarias de letra todas as questões que se apresentariam. Não foi bem assim, verdade? Os sangramentos te desestabilizaram de início. Veio o choro, a incerteza. Mas veio também o companheirismo e a cumplicidade. Veio o cuidado e o amor duplicou. Vieram as dores - muitas e inexplicáveis. Caminhar, dirigir, abaixar-se, dormir - tudo foi sendo reduzido, limitado - dia a dia. Vieram os estalos nas cadeiras... as contrações, as cólicas. Essa limitação foi o pior para ti, acostumada a ser dona de tuas escolhas. Reclamaste para cada um que te perguntou sobre como andavas, afinal, tu não és de disfarçar o que te vai nas veias. No entanto, cada vez que teu filho mexia, percebia que te animavas para o próximo passo, que te abrias para outro universo. Eu vi que nessas 36 semanas te esforçaste para ser toda amor. Nem sempre conseguiste. Vi que foste lapidando tua alma, saindo das sombras, limpando o caminho para trazer de dentro "a mãe". A mãe está aí. Já a vejo. Toda organizada, cheia de medos e incertezas. Cheia de esperança e amor. Amor nunca haverá de faltar! Não tenho dúvidas disso! Agora, eu - a Angelise filha - seguro a tua mão para mais esta empreitada. Nunca nos abandonaremos e nunca abriremos mão dessas descobertas do viver. Serão tempos imprevisíveis - complicados para ti que gostas de te organizar. Serei aqui, tua rede de apoio, teu ombro e tua amiga. Te permite errar, não planejar, viver leve essa experiência da maternidade. Te permite abrir mão do que não é urgente. Te permite! Afinal, minha amiga, não estás sozinha! 

Abraços,

Angelise.

Poesia para um amor que nunca morre

                                                        da tua Didimon memórias nossas                em conversa com as estrelas           ...