Que esta seja uma data de renovar as esperanças de um mundo bom feito por gente do/e bem.
=D
Angelise.
Sou (ainda) mais caneta e papel na mão. Sou lápis borrando a folha, sou giz, sou "errorex", "toque mágico". Sou livro entre os dedos. Sou teclado, sou máquina de escrever, sou um "plin" ao final da linha. Sou nova lauda diante do erro. Sou eletrola, rádio de pilha, toca-fitas. Mas bah! Sou blog em meio às novas tecnologias.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Primavera
Eis que as flores
ora palpitam dentro de mim....
são açucenas, lírios, jasmins
já não sou vento, nem verão
nem calmaria de invernos dormidos a dois
sou campo florido
semeado não mais ilusões
sou terra e semente
verde verve viração
Eis que as flores
ora exalam cheiro de mim.
By Angelise Fagundes
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Leituras
Li... e me vi, sempre, sedenta por vida, por entrega ... e, agora, por paz.
O LIVRO DO DESASSOSSEGO - Fernando Pessoa
176.
Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a monotonia de tudo. A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim. Cada rosto, ainda que seja o de quem vimos ontem, é outro hoje, pois que hoje não é ontem. Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo. Só em nossa alma está a identidade - a identidade sentida, embora falsa, consigo mesma - pela qual tudo se assemelha e se simplifica. O mundo é coisas destacadas e arestas diferentes; mas, se somos míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.
O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo. Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou
ermo - que tenha em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheio, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso. Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.
A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se, sem revolta possível nem refúgio que achar. Uns nascem escravos, outros tornam-se escravos, e a outros a escravidão é dada. O
amor cobarde que todos temos à liberdade - que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão. Eu mesmo, que acabo de dizer que desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é a de mim, ousaria eu partir para essa cabana ou caverna, sabendo, por conhecimento', que, pois que a monotonia é de mim, a haveria sempre de ter comigo? Eu mesmo, que sufoco onde estou e porque estou, onde
respiraria melhor, se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?
Eu mesmo, que anseio alto pelo sol puro e os campos livres, pelo mar visível e o horizonte inteiro, quem me diz que não estranharia a cama, ou a comida, ou não ter que descer os oito lanços de escada até à rua, ou não entrar na tabacaria da esquina, ou não trocar os bons-dias com o barbeiro ocioso?
Tudo que nos cerca se torna parte de nós, se nos infiltra na sensação da carne e da vida, e, baba da grande Aranha, nos liga subtilmente ao que está perto, enleando-nos num leito leve de morte lenta, onde baloiçamos ao vento.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Em tons de mim
Em tons de mim
me debruço em anseios
já não sou eu que caminha
em busca de verdes e sesmarias
é nova alma que me apresento
apagada de passados e projetos descartados
é um eu renascido que
reflete o espelho de mim
a espera de reconhecimento.
Em tons de mim
me descubro mulher,
amante, companheira
meus anseios...
buscas sem fim.
Meu começo é agora.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Poema de final de manhã
Há na janela uma flor contanto as horas
borboleteando esperanças
carente das demoras
Ao longe, a verde verve do poema
iluminando instâncias...
borboleteando esperanças
carente das demoras
Ao longe, a verde verve do poema
iluminando instâncias...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Eu que nem imaginava....
Eu nem imaginava
Tenho banhado minha alma neste mês de maio. Mesmo com considerável sacrifício de minha visão apoucada, tenho lido bastante. A Feira do Livro, o aniversário de Santa Maria, o advento de minhas tímidas e primeiras incursões pelo Facebook, tudo somado aos dias típicos deste outono ameno e seco, me têm trazido uma torrente de emulações boas e saudáveis. Não o espírito mesquinho da competitividade, mas como um invite de viver, solidário e fraterno.
A idade fez de mim um ermitão, um misantropo distante do calor das pessoas. Mantenho apenas essa comunicação que faço com os leitores através das minhas crônicas. Mas essa viagem é feita praticamente só de ida, pois os retornos são escassos. Não sei por que tipo de milagre, ultimamente, tenho recebido manifestações de simpatia. Sou desavezado a elogios e a exposições públicas. Sou tímido, mesmo que isso possa surpreender as pessoas. Até pelo telefone sou um péssimo interlocutor. Nunca tive qualquer pendor pela comunicação oral. Sou de preto no branco. Sou escriba. Sou letrista e tenho predileção pela palavra grafada, e pela melodia do fraseado.
Por que faço essas confissões públicas? Porque as feiras de livros e o Facebook me têm revelado tantos talentos literários novos, que eu nem imaginava existirem. É uma nova e brilhante geração de intelectuais que está aí, brotando as mais promissoras vergônteas literárias. São pessoas que ainda não se atreviam a vencer as barreiras da timidez e as peias da autocrítica exagerada. São promessas que recém se firmam sobre as próprias pernas para essa infinda caminhada pelo mundão das letras.
Como é bom isso! O Facebook, nos últimos dias, me traz, por exemplo, a revelação da sensibilidade e da beleza dos versos de Angelise Fagundes, que eu nem sabia existir. São poeminhas pequenos, poemetos, no sentido de sua curta extensão vocabular, mas de grande profundidade lírica, poética, de criatividade, enxugados até a essência dos versos. Guardem o nome dessa poeta que não sei se é ainda uma jovem ou uma senhora em pleno sazonamento da vida. Qualquer que seja a sua cronografia, seu versejar é de gente grande!
A propósito, certa vez uma pessoa cumprimentou Mário Quintana com perigosa e temerária expressão:
– Parabéns, gostei muito do seu poeminha!
– Obrigado pela sua opiniãozinha...
Tenho medo de usar diminutivos sobre as obras alheias.
A idade fez de mim um ermitão, um misantropo distante do calor das pessoas. Mantenho apenas essa comunicação que faço com os leitores através das minhas crônicas. Mas essa viagem é feita praticamente só de ida, pois os retornos são escassos. Não sei por que tipo de milagre, ultimamente, tenho recebido manifestações de simpatia. Sou desavezado a elogios e a exposições públicas. Sou tímido, mesmo que isso possa surpreender as pessoas. Até pelo telefone sou um péssimo interlocutor. Nunca tive qualquer pendor pela comunicação oral. Sou de preto no branco. Sou escriba. Sou letrista e tenho predileção pela palavra grafada, e pela melodia do fraseado.
Por que faço essas confissões públicas? Porque as feiras de livros e o Facebook me têm revelado tantos talentos literários novos, que eu nem imaginava existirem. É uma nova e brilhante geração de intelectuais que está aí, brotando as mais promissoras vergônteas literárias. São pessoas que ainda não se atreviam a vencer as barreiras da timidez e as peias da autocrítica exagerada. São promessas que recém se firmam sobre as próprias pernas para essa infinda caminhada pelo mundão das letras.
Como é bom isso! O Facebook, nos últimos dias, me traz, por exemplo, a revelação da sensibilidade e da beleza dos versos de Angelise Fagundes, que eu nem sabia existir. São poeminhas pequenos, poemetos, no sentido de sua curta extensão vocabular, mas de grande profundidade lírica, poética, de criatividade, enxugados até a essência dos versos. Guardem o nome dessa poeta que não sei se é ainda uma jovem ou uma senhora em pleno sazonamento da vida. Qualquer que seja a sua cronografia, seu versejar é de gente grande!
A propósito, certa vez uma pessoa cumprimentou Mário Quintana com perigosa e temerária expressão:
– Parabéns, gostei muito do seu poeminha!
– Obrigado pela sua opiniãozinha...
Tenho medo de usar diminutivos sobre as obras alheias.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Manhã de Crônica na capital
Às 8 horas é possível escutar os pássaros e o eco de tacos apressados na capital. A cidade acorda da noite que não cerrou os olhos. As pombas voam donas de si e dos monumentos. Na esquina da Praça XV, um grupo de garis se organiza para minimizar os estragos da pressa que não vê lata de lixo. Escovões começam a arranhar as ruas, desviando de plataformas, mocassins, rasteirinhas, chinelos, pipitus, calças e pernas de fora.
A Dos Andradas cheira a pão de queijo às 9 horas e uma mulher oferece prótese. Uma prótese moça (?), me perguntaram. Lembrei-me, então, dos peitos duros e pouco humanos nas capas das revista do calçadão. Agradeci. Meus dentes ainda me servem bem.
A diante, na esquina democrática, outra mulher grita: controle remoto, controle remoto para sua televisão. Minha televisão anda desligada, pensei, e tenho o controle em minhas mãos. Controlo meus passos, minhas contas, minhas paixões. Descontrolo em dias de não sintonia, de tempo querendo chover dentro de mim. Democraticamente.
Um cego vende quina por 2 reais e me intriga saber se são de hoje os jogos. Gostaria de perguntar que números me indicaria, que ruídos lhe são mais estridentes no centro da capital. Por que grita? Alguma dor?
No Mercado tem gravação de curta gaúcho. Eu paro na minha pressa de guria do interior, contemplo faceira uma cena que só a televisão me explicará. Ou não. Peixes, cestas de vime, temperos de todas as partes do mundo, queijos, pessoas se cruzando sem se olharem nos olhos, velas e santos dão ao que caminha um choque sensorial. O corpo e seus sentidos sentem o espaço e perturbam-se. Na porta, uma religiosa vende sorte e abre caminhos.
Ao meio-dia os sons são múltiplos e todos movimentam o coração da capital. Não se pode saber se o trem chegou ou partiu, se vendedora de flores tem delicadeza de orquídeas, nem se há greve no coração dos homens. Tudo se confunde. No fundo, eco de tacos apressados na capital. A cidade não para e um homem diz: nascidos em 30 e 40, nascidos em 30 e 40. Algum retardatário buscando companhia no tempo que se vai, rapidamente.
sábado, 19 de maio de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Pequeno conto de quem caminha
Estação São Luis. Canoas. Verão. Parado na plataforma, um cego e seu tique esperam o surb. Passo a frente e acompanho o andar medido do jovem: cabelos loiros, alto, olhos vãos. Ao lado, observo cada gesto como quem olha um pássaro ferido. ...
Fraqueza dos meus olhos. Não viram a alma livre que habita a mão sobre a bengala.
Constatação II
by Angelise Fagundes
Dura realidade a dos apartados:
sempre um pouco de ti
sempre um pouco de mim
sempre algo nosotros.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Poeminha de verão
Ao pé da árvore
a menina lê as lições
do jovem príncipe
anseia por tempo bom...
sonha...
enquanto as folhas
desenham caminhos
sobre seus olhos vãos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
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Al leer los textos críticos sobre la producción ficcional de Mario Vargas Llosa, lo que se percibe es su fabuloso mundo de creación. Marcada...
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Tenho bordado como quem procura compreender a vida vou desenhando sobre o algodão cru pontos coloridos ni siempre perfectos a veces, perdido...
