quarta-feira, 17 de maio de 2023

Pai e filha

Entre meus dedos 

visualizo tua memória


as cores desbotaram as narrativas

há relatos em sépia 

e um amor indescritivel que perpassa o tempo


é no poema que nos encontramos há anos

é no poema que nos celebramos

é no poema, fotografia das nossas histórias,

que existimos


quarta-feira, 19 de abril de 2023

Os amigos

 Os amigos são eternindades


 Tenho todos os medos 

do mundo guardados em mim


e uma fé que não me

abandona


A fé é uma mulher

experiente que acolhe 

as minhas dores.

Os fantasmas

 Os fantasmas me

espreitam na entrada

da noite


assombram-me com

suas vozes e palavras

de espanto


fragilizam-me o 

quanto podem

até vencerem-me pelo cansaço


Eu adormeço

de mãos dadas com

meus medos.

A mémória (II)

A memória

da minha infância 

é tecida de palavras

e esquecimento:

    um pouco de mim

    metade de outros. 

A mémória (I)

 A mémória (I)

é um tempo suspendo

que visito

vez ou outra

quarta-feira, 22 de março de 2023

Quarenta

 Meus outonos revelam

quarenta voltas ao redor da terra


entre versos e narrativas

habito meu corpo, morada transitória de minhas descobertas

sou fogo e calmaria

luta e imensidão

sou tantas esperanças e sonhos e poesias inacabadas

rascunhos e páginas em branco

texto e enigmas


a cada folha que se despede das minhas estações

sou broto e resistência

sou, enfim, carne e osso

lágrimas e sorrisos

abraços e portos

aconchegos e despedidas

ao fim, eu sou.





quarta-feira, 15 de março de 2023

Encontro com a madrugada

a madrugada abraçou-me trazendo minhas dores de presente

revelou-as frente a minha fragilidade

havia poeira em muitos guardados

coisas que nem lembrava mais estarem sob minha tutela


aos poucos, visualizo cada uma dessas memórias

converso com elas 

me dispo de amarras e trago à superfície a minha humanidade


a noite ainda me assombra e tenho vez ou outra medo de enfrentá-la


é neste momento que acolho as minhas lágrimas e converso com minhas ruminanças

há sempre um amanhã por chegar nas janelas da minha morada

há sempre sol invadindo a casa 


quando a madrugada me abraça cheia de presentes, 

caminho passos firmes ao nascer do dia


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Ponto final?


Nunca fui amiga da morte,

mas ainda tento reconhecê-la como parte dos meus ciclos:

morri muitas vezes e nasci no mesmo corpo outras tantas

superei-a, superando-me

como não a ver como parte do todo, em cada um...

como o certo fim que me habita?


Abro os olhos e deixo o verde-vento-céu entrar pela janela

Sou toda reflexão e poesia, verve e amor

aqui, a vida segue fazendo morada

Habitam-me tantas no meu corpo mutante...tantas histórias

que me resta concluir que 

a morte segue em vida como memória.



 

Justino Kieling, 580

 

Há, na esquina da minha vida, uma casa

sombreada de nogueiras e muitos tons de verde-poesia,

habito-a desde então

eu e os meus

 

alicerçada de sonhos,

(re)descobrimos nossas partes em cada cômodo

Encontramos olvidos

Tateamos caminhos


Recomeçamos

Poesia para um amor que nunca morre

                                                        da tua Didimon memórias nossas                em conversa com as estrelas           ...