Angelise Fagundes
Depois de tantos poemas
não há palavras que definam
teu olhar
tus ojos, m'ijo
tus ojos
são só alegria a me acompanhar.
Sou (ainda) mais caneta e papel na mão. Sou lápis borrando a folha, sou giz, sou "errorex", "toque mágico". Sou livro entre os dedos. Sou teclado, sou máquina de escrever, sou um "plin" ao final da linha. Sou nova lauda diante do erro. Sou eletrola, rádio de pilha, toca-fitas. Mas bah! Sou blog em meio às novas tecnologias.
Angelise Fagundes
Depois de tantos poemas
não há palavras que definam
teu olhar
tus ojos, m'ijo
tus ojos
são só alegria a me acompanhar.
Angelise Fagundes

Se pintasse,
registraria a casa de imigrantes
que me abre as manhãs
todos os dias
dessa quarentena
interminável
é um retrato do tempo
parado
a frente de minhas retinas
um retorno. uma memória.
Se pintasse,
seria o quadro de minhas memórias.
Angelise Fagundes
agosto acorda minha saudade de ti
o encontro adiado com tuas curvas,
teus aclives
e o pôr do sol que se despede quente e alaranjado a oeste
a tua lembrança invade este meu inverno com vento norte
entre a Pasqualine e a Acampamento
sou toda Rio Branco e seus esquecidos paralelepípedos,
sua arquitetura art déco
sou os dormentes, a estação
e as pessoas nos domingos de brique
abraço forte os teus caminhos
e percorro cada uma de tuas veredas
rodopio por tuas esquinas
toco cada um de teus recantos,
tua desconcertante geografia.
Angelise Fagundes - Cerro Largo, agosto de 2020
Duas torres observam a cidade
acima dos vitrais
anunciam em badaladas
causa mortis,
nascimentos e
orações
As torres debruçam-se sobre a cidade e seu tempo
atenta aos seus movimentos
as torres contemplam os isolados e suas janelas
no abraço das horas dos meses sem fim
dia e noite
noite, enfim.