quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Tia Nida

Sem abraços e despedidas

partiu numa manhã

ensolarada de outubro


deixou pães de casa 

sobre a mesa das memórias

doces de leite, chimias,

punhados e mais punhados de afeto


alinhavou as costuras do tempo

em retalhos coloridos

se multiplicou


desde então

refugiou-se em cada um dos que amou.




domingo, 27 de junho de 2021

poeminha

alguma vez

alguma vez, talvez

alguma vez, talvez, seja possivel nomear tudo isso que me levou.


alguma vez

talvez 

me devolva para mim.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Liberdade

Minha primeira liberdade infantil

foi atravessar a rua da minha casa

e brincar na calçada do vizinho.


Era um mundo

Um mundo todo ali

na frente da minha casa.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Constatação

pela janela, os olhos repousam cansados sobre a cidade.

há saudade profunda no olhar do poeta.
saudade de si.
saudade dos outros.

onde foram parar suas humanidades, se pergunta, desesperançado.

e entende - no ponto final do verso - que há circunstâncias irrecuperáveis. 


Poesia para um amor que nunca morre

                                                        da tua Didimon memórias nossas                em conversa com as estrelas           ...