sexta-feira, 8 de maio de 2026

Constatação

Tenho gostado de mais 
de pessoas que 
me gostam de menos: 

Nunca fui boa em matemática.

Epitáfio da vida moderna:

Aqui e zás.

Almagamada

Ando assim 
     mexida 
         tocada 
                invadida 

um milhão e meio de pensamentos e sensações 

me estranho e 
me reconheço 
    me encontro e 
    me perco 
         neste emaranhado 
                             sem fim 
         de versões que sou (sou?) 
         que fui 
         que venho sendo 

E, na saudade de quem fui, de quem vivi, me enterneço

Angico

Na janela da memória 
reencontrei 
    sentada, 
         cabelos o vento, 
                a menina que fui.

Que saudade tenho de mim.

Confissão

Tento encontrar uma palavra que seja boia 
e me resgate deste naufrágio sem fim 
que foi nascer-me mãe 

a gente ganha uma vida 
e perde o corpo 
o nome 
se perde de si (e dos outros) 

mas... 
sempre há uma volteada de coxilha 
um pôr-do-sol, uma noite bem dormida... 
e a gente se reencontra 
(uma hora isso acontece quase como um filme antigo, uma memória) 

não mais a mesma 
muitas outras 
não mais (só) mãe do próprio filho 
mas também um pouco mãe de si mesma

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Poesia para um amor que nunca morre

                                                        da tua Didimon

memórias nossas

         

   em conversa com as estrelas

                                       pedi notícias tuas...


o céu respondeu

em melodia

que tu segues sendo, Dudu,

luz, amor e poesia

    

há uma saudade enorme

que a rima não anuncia

há também amor e gratidão 

por cada dia de vida

tão grande e potente foi, 

por aqui, 

tua estadia



domingo, 5 de outubro de 2025

Para o Dudu, meu grande e amoroso professor


Queria dizer em poesia

que o que fica, ao fim e ao cabo, 

é tudo que segue em movimento

sem aparências, sem constrangimentos, sem grifes...


A vida e todos os ensinamentos vividos não permitem parar


É com o tempo que o desfecho acontece

terça-feira, 6 de maio de 2025

Bordado

Tenho bordado como quem procura compreender a vida

vou desenhando sobre o algodão cru pontos coloridos

ni siempre perfectos

a veces, perdidos


firmo o ponto, refaço contornos

perco a mão, a linha

o nó atravessa o tecido que me reveste de mim

judia...  esgarça a fibradesalinha.


E neste bordado da vida tenho aprendido a desamarrar fios

verificando os avessos, cuidando os detalhes, os pormenores dos acabamentos

tecendo um pouco de mim,

bordo y desbordo vivencias






quarta-feira, 17 de maio de 2023

Pai e filha

Entre meus dedos 

visualizo tua memória


as cores desbotaram as narrativas

há relatos em sépia 

e um amor indescritivel que perpassa o tempo


é no poema que nos encontramos há anos

é no poema que nos celebramos

é no poema, fotografia das nossas histórias,

que existimos


quarta-feira, 19 de abril de 2023

Os amigos

 Os amigos são eternindades


 Tenho todos os medos 

do mundo guardados em mim


e uma fé que não me

abandona


A fé é uma mulher

experiente que acolhe 

as minhas dores.

Os fantasmas

 Os fantasmas me

espreitam na entrada

da noite


assombram-me com

suas vozes e palavras

de espanto


fragilizam-me o 

quanto podem

até vencerem-me pelo cansaço


Eu adormeço

de mãos dadas com

meus medos.

A mémória (II)

A memória

da minha infância 

é tecida de palavras

e esquecimento:

    um pouco de mim

    metade de outros. 

A mémória (I)

 A mémória (I)

é um tempo suspendo

que visito

vez ou outra

quarta-feira, 22 de março de 2023

Quarenta

 Meus outonos revelam

quarenta voltas ao redor da terra


entre versos e narrativas

habito meu corpo, morada transitória de minhas descobertas

sou fogo e calmaria

luta e imensidão

sou tantas esperanças e sonhos e poesias inacabadas

rascunhos e páginas em branco

texto e enigmas


a cada folha que se despede das minhas estações

sou broto e resistência

sou, enfim, carne e osso

lágrimas e sorrisos

abraços e portos

aconchegos e despedidas

ao fim, eu sou.





quarta-feira, 15 de março de 2023

Encontro com a madrugada

a madrugada abraçou-me trazendo minhas dores de presente

revelou-as frente a minha fragilidade

havia poeira em muitos guardados

coisas que nem lembrava mais estarem sob minha tutela


aos poucos, visualizo cada uma dessas memórias

converso com elas 

me dispo de amarras e trago à superfície a minha humanidade


a noite ainda me assombra e tenho vez ou outra medo de enfrentá-la


é neste momento que acolho as minhas lágrimas e converso com minhas ruminanças

há sempre um amanhã por chegar nas janelas da minha morada

há sempre sol invadindo a casa 


quando a madrugada me abraça cheia de presentes, 

caminho passos firmes ao nascer do dia


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Ponto final?


Nunca fui amiga da morte,

mas ainda tento reconhecê-la como parte dos meus ciclos:

morri muitas vezes e nasci no mesmo corpo outras tantas

superei-a, superando-me

como não a ver como parte do todo, em cada um...

como o certo fim que me habita?


Abro os olhos e deixo o verde-vento-céu entrar pela janela

Sou toda reflexão e poesia, verve e amor

aqui, a vida segue fazendo morada

Habitam-me tantas no meu corpo mutante...tantas histórias

que me resta concluir que 

a morte segue em vida como memória.



 

Justino Kieling, 580

 

Há, na esquina da minha vida, uma casa

sombreada de nogueiras e muitos tons de verde-poesia,

habito-a desde então

eu e os meus

 

alicerçada de sonhos,

(re)descobrimos nossas partes em cada cômodo

Encontramos olvidos

Tateamos caminhos


Recomeçamos

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Tia Nida

Sem abraços e despedidas

partiu numa manhã

ensolarada de outubro


deixou pães de casa 

sobre a mesa das memórias

doces de leite, chimias,

punhados e mais punhados de afeto


alinhavou as costuras do tempo

em retalhos coloridos

se multiplicou


desde então

refugiou-se em cada um dos que amou.




domingo, 27 de junho de 2021

poeminha

alguma vez

alguma vez, talvez

alguma vez, talvez, seja possivel nomear tudo isso que me levou.


alguma vez

talvez 

me devolva para mim.

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.