sexta-feira, 25 de maio de 2012


Manhã de Crônica na capital


Às 8 horas é possível escutar os pássaros e o eco de tacos apressados na capital. A cidade acorda da noite que não cerrou os olhos. As pombas voam donas de si e dos monumentos. Na esquina da Praça XV, um grupo de garis se organiza para minimizar os estragos da pressa que não vê lata de lixo. Escovões começam a arranhar as ruas, desviando de plataformas, mocassins, rasteirinhas, chinelos, pipitus, calças e pernas de fora.

A Dos Andradas cheira a pão de queijo às 9 horas e uma mulher oferece prótese. Uma prótese moça (?), me perguntaram. Lembrei-me, então, dos peitos duros e pouco humanos nas capas das revista do calçadão. Agradeci. Meus dentes ainda me servem bem.

A diante, na esquina democrática, outra mulher grita: controle remoto, controle remoto para sua televisão. Minha televisão anda desligada, pensei, e tenho o controle em minhas mãos. Controlo meus passos, minhas contas, minhas paixões. Descontrolo em dias de não sintonia, de tempo querendo chover dentro de mim. Democraticamente.

Um cego vende quina por 2 reais e me intriga saber se são de hoje os jogos. Gostaria de perguntar que números me indicaria, que ruídos lhe são mais estridentes no centro da capital. Por que grita? Alguma dor?

No Mercado tem gravação de curta gaúcho. Eu paro na minha pressa de guria do interior, contemplo faceira uma cena que só a televisão me explicará. Ou não. Peixes, cestas de vime, temperos de todas as partes do mundo, queijos, pessoas se cruzando sem se olharem nos olhos, velas e santos dão ao que caminha um choque sensorial. O corpo e seus sentidos sentem o espaço e perturbam-se. Na porta, uma religiosa vende sorte e abre caminhos.

Ao meio-dia os sons são múltiplos e todos movimentam o coração da capital. Não se pode saber se o trem chegou ou partiu, se vendedora de flores tem delicadeza de orquídeas, nem se há greve no coração dos homens. Tudo se confunde. No fundo, eco de tacos apressados na capital. A cidade não para e um homem diz: nascidos em 30 e 40, nascidos em 30 e 40. Algum retardatário buscando companhia no tempo que se vai, rapidamente.

sábado, 19 de maio de 2012


Rascunho

Toda noite que
me  habitas
salvas minha alma
do desespero das
manhãs vazias...

...e por nada mais
é que desenho
nas entrelinhas
teus contornos
de indecifráveis
Poesias.


Angelise Fagundes

quarta-feira, 14 de março de 2012


O tempo e suas tempestades nos fazem ver a alegria que habita em nós, às vezes adormecida no cotidiano dos passos. É preciso ser gigante agora, fazer o bem agora, amar agora, gritar e chorar agora, dizer sem ferir agora.  Ser o que se é agora! O amanhã caminha passos lentos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012



Em noite de lua...


Quero o conto
escritor com as pontas
dos dedos.
Meio a meio
metade sussuro
metade silêncio
metade lembrança
outra parte esquecimento.
Quero o conto 
escrito com as pontas 
dos dedos - simples assim:
metade meu corpo
outra parte de mim.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pequeno conto de quem caminha



Estação São Luis. Canoas. Verão. Parado na plataforma, um cego e seu tique esperam o surb. Passo a frente e acompanho o andar medido do jovem: cabelos loiros, alto, olhos vãos. Ao lado, observo cada gesto como quem olha um pássaro ferido. ...
Fraqueza dos meus olhos. Não viram a alma livre que habita a mão sobre a bengala.

Constatação II

by Angelise Fagundes

Dura realidade a dos apartados:
sempre um pouco de ti
sempre um pouco de mim
sempre algo nosotros.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poeminha de verão


Tapes, 17 de janeiro

Ao pé da árvore
a menina lê as lições
do jovem príncipe
anseia por tempo bom...
sonha...
enquanto as folhas
desenham caminhos
sobre seus olhos vãos.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Por aprendizagem significativa, entendo , aquilo que provoca profunda modificação no indivíduo. Ela é penetrante, e não se limita a um aumento de conhecimento, mas abrange todas as parcelas de sua existência.

Carl Rogers

Poeminha de final de ano...

Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.