terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os desafios da leitura

Desejo escrever para Rubem Alves. Desejo saber o que há no abismo formado na página 159. De repente, "começar pelo fim" seja interrogá-lo sobre o silêncio da nossa conversa, já na hora de nos despedirmos. Desejo dizer, ao senhor Alves, que isso é coisa masculina demais. Trancar ali, na garganta, a vontade de dizer o que sente, o que gosta. É abismo grande demais imposto à escrita, à leitura. Mulher, senhor Alves, gosta de conversinhas, de delicadezas, gosta de saber os porquês, gostas dos pontos, dos "is", o uso das reticências... Senhor Alves, foi seu jeito simples de dialogar com a minha alma que me prendeu até a página 159. Como seguir com na dúvida do (não) escrito? ...

Há um ditado italiano que diz... "comer primeiro, filosofar demais"... pois eu direi... "tudo começa pelo sonho... filosofemos agora!

Fonte: Google Imagens

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alves e suas reflexões

Diante da leitura, já próximo ao fim do livro, me deparo com uma reflexão de Alves inspirada em Marx e no seu (nosso) capitalismo. Frente a essa, não há como não pensar no mal que o capitalismo faz para a educação das emoções, para os sentimentos que nos formam essencialmente como humanos. Para mim, é isso que nos distingue, que nos aproxima ou nos afasta do mundo - nossas emoções, o amor.


       "Quanto menos se comer, beber, comprar livros, for ao teatro ou a bailes, ou ao botequim, e quanto menos se pensar, amar, doutrinar, cantar, pintar, esgrimir, etc., tanto mais se poderá economizar e maior se tornará o tesouro imune à ferrugem e às traças - o capital. Quanto menos se for, quanto menos se exprimir nossa vida, tanto mais se terá, tanto maior será nossa vida alienada e maior será a economia de nosso ser alienado". (Marx)

(...)
Posso ter o mais fantástico aparelho de som e a maior coleção de CDs. O prazer dependerá de uma qualidade espiritual minha, do meu ser, uma sensibilidade para a música, que não pode ser comprada por dinheiro. É preciso que os sentidos sejam educados! O prazer e a alegria crescem de uma relação erótica com o objeto, isso que se chama amor. E essa relação não pode ser comprada. Cresce de dentro.

(...)
Veja o caso da educação. Os professores de "esquerda" têm medo da palavra amor e a julgam babaquice romântica. De fato, amor é coisa que a ciência não consegue pensar. Preferem, os professores, considerar-se "trabalhadores" que ganham pelas "mercadorias intelectuais" que produzem de forma competente, sob a forma de um saber. Como professor, produzo tal mercadoria que vale tanto. Ao assim pensarem o ensino, eles o inserem na perversa lógica dos "valores de troca". Valor de troca é uma "quantidade abstrata" que mora tanto num revólver quanto num jantar, e que permite essa  equação horrenda, base de todo o jogo econômico: X  jantares = Y revólveres. O prazer e a morte são a mesma coisa...

E em qual escola se gasta tempo na educação dos sentimentos? Bobagem. Isso é coisa da Feira da Fruição - não circula no sistema. O que importa é a Feira de Utilidades...(...) 

Ou seja, "quanto menos você for, menos você terá..."

Fonte: Google imagens

ALVES, Rubem. Variações sobre o Prazer - Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. São Paulo: Editora Planeta Brasil, 2011 - pg. 130 e 131.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

De emails e amizades

Na caixa de entrada um anúncio -  "oi, amiga!". Ao abrir o email, a seguinte mensagem:


Oi, Ange!! Lembrei de ti, se der da uma olhada no site que segue: é a tua cara amiga! Digo, a nossa ...heheheh!!!! Sandra.


Só senti. Diante do carinho e da amizade, a alegria não tem tradução e qualquer palavra não significa. Eu adoro receber emails que me chamam para a vida, que me mostram que o amor é capaz de mudar os caminhos e de fazer sorrir. O email da Sandrinha me inundou a alma...

Por isso... se der, da uma olhada no site que segue... e caminhe!

Fonte: http://www.youtube.com/embed/rpgfaijyMgg





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Entre um página e outra

Rubem Alves me surpreende sempre. Não é o fato dele dizer algo que eu me identifique, simplesmente. É o dito, o modo de dizer. Ele conversa comigo às duas da tarde com a mesma luz que invade minha madrugada  de silêncios agitados - nós nos adoramos! É incrível! Entre os meus dedos, dialogamos como se estivessemos em um café. Estamos em um café  - tem cheiro nossa relação. Tem sabor o nosso conúbio literário. É como encontrar um amor sem planejar e descobrir que ele gosta de comer a sobrinha da caixa de leite condensado, igualzinho você; como descobrir que brilho nos olhos contagia todas as espécies endurecidas - em mais ou menos tempo; como descobrir que as manhãs de domingo são quentes em todas as estações quando não se vive só. Rubem Alves é alguém que é bom ter por perto - nem tão perto que só haja ele, nem tão longe que se perca o olhar. 

Ler Rubem Alves é se propor a se olhar no espelho e conversar como nossa melhor companhia. É o psicanalista que nos guia com um fio de Ariadne pelo nosso caminho interior. Ao fim, somos Teseu no tesouro da leitura de nós mesmos. 


"Sabedoria:  não pode ser pescada com as redes que a ciência lança sobre o mundo porque não é lá que ela mora. Ela mora no corpo. Não vem de fora, porque não se trata de um saber sobre o mundo. Brota de dentro - como se fosse uma fonte. É o saber sem palavras do corpo sobre o seu próprio destino."

Variações sobre o prazer (2011) - pg. 74


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Formatura Quaraí e Itaqui

Alunos queridos, profissionais preparados que adentram, a partir de agora, o bonito universo da Educação!

Turma de Quaraí - 2009 / 2013

Morgana, minha orientanda querida!

Itaquí - Roneti, Marcus, César Adonai, eu e a Indira

Roneti, colega competente e amada!

Turma de Itaqui- 2009 / 2013 - meus alunos de Estágio Supervisionado I e II, juntamente com Indira, Roneti e Marcus Fontana.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Novas leituras

Primeiro de fevereiro de 2013. Novas perspectivas. Ao lado, acorda o livro que me acompanhará nos próximos dias: Variações sobre o Prazer, Rubem Alves. Na cabeceira da cama repousa aquele que me embalou página a página nas redes do imaginário - o segundo tomo dos 50 Tons de Cinza (que ainda quero comentar aqui, do ponto de vista literário / crítico literário).

Para deleite, um trecho do Rubem - meu bom companheiro de conversinhas ...

Será que Deus fica feliz quando vê os seres humanos sofrendo? Digo isso pelo fato de que os fiéis, ao fazerem promessas a Deus para obter seus favores, o que lhe oferecem são sempre objetos dolorosos. Nunca ouvi de um devoto que que tivesse oferecido a Deus uma sonata de Mozart ou um poema de Fernando Pessoa. A igreja ensinou que o prazer é o ninho do pecado. Como se o mundo fosse um imenso jardim cheio de árvores com frutos doces e coloridos, com placas em todas elas dizendo: “Proibido”.
Rubem Alves

http://www.rubemalves.com.br/

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

São Lourenço do Sul

"Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado". - Rubem Alves - 

Queridos... que a caminhada seja de voo e muita luz, inspirada pela boniteza e pelo amor.









quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sale el Sol

"Y un día después de la tormenta
cuando menos piensas sale el sol
de tanto sumar pierdes la cuenta
porque uno y uno no siempre son dos
cuando menos piensas sale el sol"
(Shakira)

Image
Pôr do sol em Santa Maria-RS
(FONTE

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santa Maria

Desde criança tenho orgulho de ser de Santa Maria. De ter uma fala misturada - nem totalmente do interior, nem tão perto da capital. Sei muito desta cidade sol - coração gaúcho. Sei os Daudts, Jacques, Beltrões e o Veppo das ruas. Sei do comércio de ontem e vejo o dia de amanhã. Reconheço a poesia que caminha pela Acampamento em manhãs de minuano solitário. Sinto o sol ardendo meus passos em tardes de Calçadão. Tenho no corpo o vento norte que brinca com os cabelos do povo daqui. Na alma, tenho a estação que teima em morrer firme no final da Rio Branco, peleando por espaço e brilho nos dormentes. Tenho o sino na minha boca de santa-mariense, que badala sonhos, vivências, caminhos. 

Receptiva as mudanças, eu sou santa-mariense. Recebo de coração aberto todos os anos aqueles que veem ser felizes aqui. Abraço os que vão com nossa cidade encrostada na memória e no ser. 

Longe daqui, sempre fui Santa Maria. Aqui, sou campus, cesma, caposm, casas Eny, galeria Roth, Caixeral, sou Farrezão - sou a antiga rua do Comércio. Sou os que viveram aqui,  sou os vividos. Sou jovem. Sou estes jovens, estes 234 jovens que adormeceram aqui no coração do Rio Grande  no último dia 27 de janeiro. 

Desde criança tenho orgulho de ser de Santa Maria. Depois de ontem, 28 de janeiro, não cabe em mim a minha cidade. 


(Caminhada em homenagem aos jovens mortos na Boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013)

Em janeiro...

Descobri sem pressa
que telegramas
não são (de) amor.

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.