quarta-feira, 20 de março de 2013

Os 30

De repente, 30. Bem podia ser este o título desta conversa com os meus botões. 

Foi rápido o meu caminho até aqui. E fico tentando lembrar de algo, um minuto que não tenha valido a pena.      Todos os meus momentos me fazem ser hoje esta mulher de brilho nos olhos que não desiste das peleias diárias. Eu sou feliz porque eu quero. Escolhi ser assim...

E dentre estas tantas escolhas...há uma que diariamente a vida me oferece como presente, a da maturidade. Crescer é uma das decisões mais difíceis que a gente pode tomar. Crescer sem perder a alegria, uma escolha bonita pela vida! Eu sempre detestei cara amarrada, gente de mau humor, pessimismos... meu tempo (e o meu templo) tem espaço apenas para o bem.

Os 30 me mostraram o caminho da humildade... tenho tanto a aprender! 

Com a chegada dos 30... acredito... há menos quantidade de coisas a escolher... mas não menos intensas e reflexivas estas escolhas. A chegada dos 30 me mostrou os amigos e me apontou os não tão amigos assim. Destes, os 30 anos me mostraram o caminho da convivência respeitosa. Eu cá, eles lá. Daqueles, os 30 me aproximaram ainda mais, me fizeram perceber o quão importantes são e o quanto sou responsável por eles, pois, afinal, nos cativamos...

Os 30 me fizeram ver o sexo de outra forma. A fazer sexo de outra forma e a amar definitivamente de outra forma. 

Amo, simplesmente porque quero amar. Aceito e me cuido todos os dias para não criar expectativas demais. Frustração mata o amor  ... e eu escolho viver a paixão de amar, de surpreender, de acarinhar, de presentear, se escutar... escolho e sou escolhida.... 

A chegada dos 30 me mostrou que não morro de amor, nem por amor. Meus 30 são a decisão de me amar para poder oferecer este tão bonito sentimento a quem quer que queira o sorriso dos meus lábios e o calor do meu abraço...

Os 30. Meus 30... 
E já são quase uma vida inteira!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Das Férias...

Férias. Fazia tempo que queria escrever sobre elas...

Minha necessidade de trabalho me deixa pouco a vontade com as férias. Eu não paro. Eu não aprendi a parar. Ensinaram-me a caminhar em frente e sigo nesta corrente que me faz tão bem. Eu vivo o meu trabalho. Vivo porque ele me faz bem, me completa, me deixa feliz, realizada. Eu diuturnamente vivo o que faço. 

Para os psicanalistas, os psicólogos de plantão - meu caso é clínico. É uma espécie de fuga.

Eu me refugio no meu trabalho como me refugio nos livros. E eles... meu trabalho e os livros que leio... sabem e dizem mais de mim que todas as palavras que eu passa dizer ou escrever aqui. Ponto final. 

Eu não sou de lua, sou de suar as pegadas conquistando espaço. Ariana, sou de batalhar pelo MEU pão. Meu em maiúscula, sim... 

... quando se chega aos trinta com tantas coisas conquistadas (eu consegui isso!), a gente pensa que pode se permitir mais. Um pouco mais...

Minha primeira conquista foi sentar e contemplar meus 15 dias de férias. Eu li, dormi, conheci coisas novas, namorei, voei, caminhei, tomei sol, nadei, comi... 

É bom viver o tempo nos segundos do ponteiro. Lentamente vivendo o desacelerar do tempo...

Em férias, a gente vive mais. Humm...talvez a gente viva mais quando se permite ter vida. Eu tenho me permitido ter vida há um tempo... depois que resolvi que viver era comigo e ninguém mais. De lá para cá assumi definitivamente minha decisão de felicidade.

Semana que vem são 30, são trabalho, são de conquista.

A década que inicia será minha ...toda minha! Será o tempo das semeaduras e das colheitas com riso na cara e alegria no corpo.

Férias, agora .. somos mais amigas!

(Praia do Forte - Salvador - Bahia)




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Aprendente Digital

Em janeiro deste ano, movido por cursos massivos abertos online, Marcus Fontana criou o Blog "Aprendente Digital". Segundo ele, "aprendente é a pessoa em aprendizagem contínua, que nunca para e, além disso, é autônoma, protagonista na construção do próprio conhecimento". 

A partir desta iniciativa, já motivou muita gente a investir na sua autonomia... eu mesma me inscrevi em três cursos - dois em uma universidade da Espanha (UNED) e um em uma universidade do México (UNAN), relativos às TICs e Educação e a Arte Espanhola.  

Pensando nesta concepção de aprendente...

Aprendente Digital poderia bem ser a releitura zappiens da Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire... eis um caminho (possível) a se pensar...




domingo, 24 de fevereiro de 2013

Nas tuas mãos

Adoro ganhar presentes. Se o presente for livro, então, felicidade em dobro. 

Estes dias, ganhei "Nas tuas mãos", de Inês Pedrosa. Lindo presente do meu amado! Literatura portuguesa que dá gosto de se ler. Obra bem escrita, cativante, poética.

Esta obra de ficcção é dividida em três grandes capítulos: "o diário de Jenny", "o álbum de Camila" e "as cartas de Natália". É interessante a forma como as narradoras se apresentam e se entrecruzam e, também, os gêneros trabalhados ao longo do romance. 

Ainda converso com Jenny, mas tão logo termine todas estas cartas portuguesas (que não são as de Alcoforado), escreverei aqui minhas impressões. Por hora, um pouco de Inês Pedrosa, esta grande ficcionista da atualidade que, sem dúvida, vale a leitura.



A autora Inês Pedrosa 

 


Uma consideração importante: "Nas tuas mãos" foi, em 1997, Prêmio Máximo de Literatura em Portugal na categoria Romance.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Qué sé yo!


Frato 77. Poderia ser Frato 2013. 
O primeiro pensamento que cruzou o espaço consciente de minha mente neste momento de movimentar os dedos da minha alma foi o de que há pessoas que são capazes de sonhar.  
O segundo pensamento que sobrevoou o território do meu pensamento me apontou que  há pessoas que só sabem dar uma bolinha de massa de modelar para os outros e querem que estes construam mundos, façam exposições e sejam artistas famosos. 
É preciso ser guerreiro para seguir caminhando passos de imaginação,
 para que as sonhos possíveis sejam passos de realização.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O fim das variações e o seguir das reflexões

Quando iniciei a leitura da obra "Variações sobre o prazer", de Rubem Alves, já imaginava que o que me esperava a cada página era um reflexão sobre meus passos. Encontrei mais! Garimpando citações filosóficas, lapidando imagens poéticas cheguei a feliz conclusão de que precisamos (todos) educar o nosso olhar. Nós temos olhos e, na maioria das vezes, somos cegos. Somos, como coloca Alves, "castrados nos olhos" (2011, p. 174).

No entanto, de nada adianta educarmos nossos olhos e não educarmos nossos ouvidos. Para os ouvidos vale a mesma coisa. Vale para o cheirar, o degustar, o tocar, o viver. Meu sexto sentido me diz que as pessoas vivem pela metade devido a imposição do medo de viver. Eu também deixo de viver muitas coisas. 

Para mudar isto, eu tento educar os meus sentimentos, as minhas emoções. Nem sempre é possível filtrar as coisas - a frustração chega como um tsunami. Porém, frustrado, é preciso não ser carregado mar adentro. A razão para isso é simples - acalma o teu coração e desperta para o bem o que estava dormido em ti! Transforma-te em flor diante do atoleiro e aprende. 

(para completar a minha escrita, vou copiar um trecho de Alves da página 181 e 184)



"A fotografia é simples, apenas um detalhe: duas mãos dadas, uma mão segurando a outra. Uma delas é grande, a outra é pequena, rechonchuda. Isso é tudo. Mas a imaginação não se contenta com o fragmento, completa o quadro: é um pai que passeia com seu filho. O pai, adulto, segurando com firmeza e ternura a mãozinha da criança: a mãozinha do filho é muito pequena, termina no meio da palma da mão do pai. O pai vai conduzindo o filho, indicando o caminho, vai apontando para as coisas, mostrando como elas são interessantes, bonitas, engraçadas. O menininho vai sendo apresentado ao mundo".(p. 181)

"...e uma criança pequena o guiará" - Isaías, 11,6.

"Se colocarmos esse mote ao pé da fotografia tudo fica ao contrário: é a criança que vai mostrando o caminho. O adulto vai sendo conduzido: olhos arregalados, bem abertos, vendo coisas que nunca viu. São as crianças que veem as coisas - porque elas as veem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos, de tanto vê-las, já não as veem mais. As coisas, as mais maravilhosas - ficam banais". (p. 184)


Meu olhar é nítido como um girassol - ensinar e aprender são atos de amor, seja na profissão, seja na vida pessoal! Ser adulto é ser cego, proferiu Rubem Alves. É nas surpresas, nas descobertas, na entrega que somos. E se não somos, o que era para ser vida se torna ilusão.


Angelise Fagundes


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Aniversário do Blog!

Há exatos três anos decidi dar início a escrita deste Diário de minhas vivências. Era um dia quente e eu me movia pela expectativa de ir viver longe de casa, em outro país (Santa Fe, Argentina). Foi um momento único onde eu dava adeus aos medos e boas vindas às novas possibilidades.

Este tempo foi, de fato, um passeio com Caronte ao Hades de muitas coisas. Algumas custaram para desapegarem-se de minha crosta. Outras, ainda navegam em meu coração como cálida memória. Mas é claro como as palavras de uma criança que eu sou outro eu, assim como o meu corpo que chega aos 30 é outro corpo. 

Três anos se passaram e eu tenho registrado aqui muito desta mudança. Minha arte amadureceu. Meu coração, de certa forma, se aquietou - talvez eu veja com mais tranquilidade os fatos. Meu caminho foi ampliado... e é tão bom saber que, independente das coisas que nos acontecem, a gente vai registrando a vida que vibra dentro da gente. 

Há três anos eu vibro uma vida muito bonita dentro de mim... 

Do edifício do tempo

Na frente da casa
três meninos pulavam
o rio de minha infância

riam das poças destruídas nas pernas
riam peixinhos
nado livre, quedas d'água
riam o riso deles mesmos
moleques de rolimãs e bicicletas.

Já chovi assim tantas vezes
tantas vezes me deixei
molhar pelo véu fluído da memória...

É tempo de lavar
os paralelepípedos de nossos passos
ser menino, cavaleiro errante...


Na frente da casa
três meninos pulavam
o rio de minha infância


by Angelise Fagundes, 15 de fevereiro de 2013.



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os desafios da leitura

Desejo escrever para Rubem Alves. Desejo saber o que há no abismo formado na página 159. De repente, "começar pelo fim" seja interrogá-lo sobre o silêncio da nossa conversa, já na hora de nos despedirmos. Desejo dizer, ao senhor Alves, que isso é coisa masculina demais. Trancar ali, na garganta, a vontade de dizer o que sente, o que gosta. É abismo grande demais imposto à escrita, à leitura. Mulher, senhor Alves, gosta de conversinhas, de delicadezas, gosta de saber os porquês, gostas dos pontos, dos "is", o uso das reticências... Senhor Alves, foi seu jeito simples de dialogar com a minha alma que me prendeu até a página 159. Como seguir com na dúvida do (não) escrito? ...

Há um ditado italiano que diz... "comer primeiro, filosofar demais"... pois eu direi... "tudo começa pelo sonho... filosofemos agora!

Fonte: Google Imagens

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alves e suas reflexões

Diante da leitura, já próximo ao fim do livro, me deparo com uma reflexão de Alves inspirada em Marx e no seu (nosso) capitalismo. Frente a essa, não há como não pensar no mal que o capitalismo faz para a educação das emoções, para os sentimentos que nos formam essencialmente como humanos. Para mim, é isso que nos distingue, que nos aproxima ou nos afasta do mundo - nossas emoções, o amor.


       "Quanto menos se comer, beber, comprar livros, for ao teatro ou a bailes, ou ao botequim, e quanto menos se pensar, amar, doutrinar, cantar, pintar, esgrimir, etc., tanto mais se poderá economizar e maior se tornará o tesouro imune à ferrugem e às traças - o capital. Quanto menos se for, quanto menos se exprimir nossa vida, tanto mais se terá, tanto maior será nossa vida alienada e maior será a economia de nosso ser alienado". (Marx)

(...)
Posso ter o mais fantástico aparelho de som e a maior coleção de CDs. O prazer dependerá de uma qualidade espiritual minha, do meu ser, uma sensibilidade para a música, que não pode ser comprada por dinheiro. É preciso que os sentidos sejam educados! O prazer e a alegria crescem de uma relação erótica com o objeto, isso que se chama amor. E essa relação não pode ser comprada. Cresce de dentro.

(...)
Veja o caso da educação. Os professores de "esquerda" têm medo da palavra amor e a julgam babaquice romântica. De fato, amor é coisa que a ciência não consegue pensar. Preferem, os professores, considerar-se "trabalhadores" que ganham pelas "mercadorias intelectuais" que produzem de forma competente, sob a forma de um saber. Como professor, produzo tal mercadoria que vale tanto. Ao assim pensarem o ensino, eles o inserem na perversa lógica dos "valores de troca". Valor de troca é uma "quantidade abstrata" que mora tanto num revólver quanto num jantar, e que permite essa  equação horrenda, base de todo o jogo econômico: X  jantares = Y revólveres. O prazer e a morte são a mesma coisa...

E em qual escola se gasta tempo na educação dos sentimentos? Bobagem. Isso é coisa da Feira da Fruição - não circula no sistema. O que importa é a Feira de Utilidades...(...) 

Ou seja, "quanto menos você for, menos você terá..."

Fonte: Google imagens

ALVES, Rubem. Variações sobre o Prazer - Santo Agostinho, Nietzsche, Marx e Babette. São Paulo: Editora Planeta Brasil, 2011 - pg. 130 e 131.

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.