quarta-feira, 1 de maio de 2013

Mais um pouco de mim na Praça Saldanha Marinho


Sexta-feira, na nossa Feira do Livro, mais um de meus poemas...


Sin palabras

Com o tempo, nosso ouvido, nossos olhos, nossas emoções vão sendo aguçados ou perdendo a sensibilidade diante do mundo. Há dias venho pensando no poder que as palavras exercem sobre nós. O quanto nos moldamos diante delas. 

Rubem Alves, uma de minhas leituras mais cálidas, coloca que as palavras moldam o nosso corpo. Como homens, são elas que nos humanizam (ou não). Nós somos diante do mundo um universo inteiro a ser descoberto. 

Mas é preciso não ter ilusão!

A correria do mundo levou do homem a capacidade de olhar à frente, ao lado. Há um "nãoseimportar" comendo a vida das pessoas. 

Preciso confessar que isso me aterroriza. Eu sou um ser de palavras. Elas me moldaram, mas não me fizeram cega, nem surda. Eu vejo e sinto as pessoas (e suas energias) nas suas palavras e nos seus silêncios. Me dói saber dos homens suas fraquezas, suas essências tão perversamente modificadas... 

A vida, às vezes, carrega azedume nas almas.

Algumas pessoas, diante do fel de suas fraquezas, descarregam na alegria da gente suas palavras forjadas a facão, seus silêncios de apagar caminhos.

Frente a isso, vários caminhos... 

Já não mais acreditando que "águas passadas não movem moinhos"... Movem o de muita gente que se prende a estes, a sua estrutura, a sua composição, ao seu movimento.

Meu moinho tem água nova, tem movimento de quem quer a alegria dos dias...sorriso na cara, verdade na alma. Diante de "palavras" e silêncios, sou nova lauda.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Reflexões de boteco

Acho que a educação frequentemente cria antas: pessoas que não se atrevem a sair das trilhas aprendidas  por medo da onça. De suas trilhas sabem tudo, os mesmos detalhes, especialistas, mas o resto da floresta permanece desconhecido. (Rubem Alves)


O que é ler? Como posso ler sem corromper-me com a ideia de que carrego uma verdade? Como posso proferir que alguém leu mal algo? Ler é ler em cada etapa da descoberta em que eu, leitora, me encontro. Ler tem relação com a forma como eu dialogo com as vozes do texto (Roland Barthes). Cada texto tem mil vozes e eu vou abrindo os meus ouvidos para cada uma delas.
Minha vida caminha ao encontro destes sons. Não quero receitas nem proferir discursos vazios de vivências. Eu quero simplesmente abrir as minhas asas e voar. Que importa se meu voo sair trêmulo um dia ou outro? Eu me arrisco na arte de errar. Eu erro como quem quer acertar, mas não penso no acerto para a nota que o professor expõe no mural da escola dos dias. Eu quero acertar a vida, simplesmente.
Ler não é para os orgulhosos ... é ver o outro, os outros..VER...
Ver é exercício humilde do artesão da vida.

Angelise Fagundes

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Benedetti

Poesia é meu remédio para todas as dores... hoje, para iluminar o caminho, "Previsión", de Mario Benedetti ...

"De vez en cuando es bueno
ser consciente
de que hoy
de que ahora
estamos fabricando
las nostalgias
que descongelarán
algún futuro".

domingo, 31 de março de 2013

"Ai palavras, ai palavras..."

Cecília Meireles versejou estas verdades em seu Romanceiro da Inconfidência...

"Ai palavras, ai palavras...estranha potência a vossa"

Eu fico aqui tentando compreender os meus silêncios... ai silêncio, ai silêncio, entranho significado o vosso.

sábado, 30 de março de 2013

Vuelan cometas por el cielo fronterizo

Vierne Santo. A caminho da fronteira, me deparo com uma tradição interessante pelos céus deste contorno geográfico sureño. Coloridas, de todas as formas, as pandorgas invadem o céu de meninos e meninas de todas as idades.

Trazida por españoles de Valencia, las cometas invadiram os céus de Rosário, Livramento e Rivera. São sonhos volando o universo destes meninos que, desde 1970, disputam concurso internacional de Pandorgas. Os melhores pandorgueiros da fronteira são premiados em distintas categorias julgadas por uma comissão, segundo uma pesquisa rápida que fiz pelo google.

É um show de acrobacias!!!


E nos movimentos da minha memória, no céu que meus olhos abarca... vai ficar a imagem daquele menino sem camisa, com seu  "cometa" na mão, correndo calçada afora ... sonhando ser papagaio, pipa, pandorga nos céus uruguayos.. em mim, fica o sonho do voo, a vontade de ver pássaros.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Ainda sobre a arte de ouvir...

Para pensarmos no que não pensamos...


O EU...

"Acho muito gratificante conseguir ser verdadeiro, conseguir aproximar-me do que quer que esteja se passando dentro de mim. Gosto quando consigo ouvir-me. Saber realmente o que está acontecendo dentro de mim não é uma coisa simples, mas tenho me sentido encorajado a fazê-lo, pois percebo que durante todos esses anos esta minha capacidade tem melhorado. Estou convencido, no entanto, de que esta é uma tarefa para toda a vida e que nenhum de nós jamais está totalmente apto a entrar em contato, sem dificuldades, com o que está acontecendo no cerne de nossa própria experiência." (Rogers, Carl. Um jeito de Ser. São Paulo: E.P.U, 2012, p. 9)

O OUTRO...

"Encontrar autenticidade em uma pessoa é uma experiência luminosa" (Rogers, Carl. Um jeito de Ser. São Paulo: E.P.U, 2012, p. 10)



quarta-feira, 27 de março de 2013

Um jeito de ser

Todos temos um jeito de nos colocarmos no mundo. Cada um a sua moda, com suas particularidades e medos. 

Eu sempre me coloquei. Sempre fui de abrir as asas e me jogar. Lembro da primeira vez que subi ao palco para declamar um poema. Eu tinha 4 anos. Meu pai sentou perto de mim e conversou como quem me segura a mão e me joga para a vida. Disse que o importante era participar.

Participo desde então. Não sou de sair sem dar adeus, nem chegar sem um sorriso. Calor humano movimenta a vida dentro de mim! E eu me envolvo... 

Meu jeito de participar da vida!

Tenho aprendido, nesta arte de viver, que há algo de extremamente poético na escuta. Muito mais do que um encontro da boca com os ouvidos, é um conúbio de almas. Escutar é abraçar o outro na visibilidade do respeito não declarado

Quando eu escuto alguém, meu ouvido vai além. Ele olha através de suas pupilas ... sim, é preciso cultivar nossas pupilas auditivas, porque nós a temos! É um jeito de chegar a alma daquele que está de passagem.

Escutar, simplesmente ouvir. Com a mesma emoção que sentimos aos sermos ouvidos...

Diante disso, cada um a sua moda, com suas particularidades e medos - nos colocamos no mundo. Um mundo onde se pode Ser, simplesmente.



Post-scriptum: Carl Rogers motivou a escrita deste texto. Sua leitura, sua esclarecedora leitura de mim. 


domingo, 24 de março de 2013

Sobre a leitura de Inês Pedrosa (ou sobre mim)

Preciso muito da escrita. Preciso muito mais da leitura. A leitura me alimenta. E foi saciada que terminei, ainda em férias, a leitura de "Nas tuas mãos", de Inês Pedrosa.

Literatura portuguesa bem feita, de escrita feminina, mas não feminista, a escritora intercala narradores sem desconectar o fio narrativo que conduz a história. Personagens de alma maior, de profundidade humana, permitiram reflexões significativas nas minhas idas ao país mágico da minha imaginação. Eu sou do espaço, me disse o amor dia destes... E assim eu vou me revelando ser de borboletas, louva-deuses e palavras. Eu sonho sempre e o sonho me (re)carrega.

Carregada fui para Lisboa e Moçambique. Vi os resquícios dos descasos, das ditaduras, do poder mal exercido. Vi o amor descortinar-se em outras formas, inclusive, na anulação de si - como foi o caso de Jenny. Vi Camila sentir a vida passar através da sua máquina fotográfica e Natália construir edifícios para garantir o alicerce de seu passado paterno inexistente.  

Três mulheres tão cheias de mim. Três mulheres na descoberta e (des-) (re-) construção de seus amores, feito eu, sobrevivente de tempestades. 

E fico aqui me perguntando sobre a representação literária, acerca de ficções e realidades ... sobre o distanciamento que minha leitura deveria ganhar neste momento...

Mas meu olhar reluz encantamento e encantamento é como o ato amoroso - enquanto o prazer acontece, o mundo lá fora não existe. Minha crítica, portanto, fica para o tempo em que eu não tiver mais este brilho nos olhos... se um dia meu tempo for de solidão. Talvez esta crítica não aconteça...

Agora, só lembro de do que escreveu Natália ao final do último capítulo que transcrevo, aqui, como um convite ao aconchego da escrita de Inês Pedrosa:

"Vem para dentro de mim, não tenhas medo". E ele veio. (p. 203)



quarta-feira, 20 de março de 2013

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.