quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Das frustrações

Eu ainda não havia ido para a escola quando tive minha primeira frustração escolar. Precisava de idade para habitar aquele universo de descobertas e eu era muito nova para sonhar alfabetos e palavras. Na dúvida de minha aceitação, decorava poesias lidas pela minha mãe. 

Aceita, frustei-me quando a professora da primeira não nos acompanhou para a segunda série. Ela foi maravilhosamente encantadora e não queríamos nos apartar de seu olhar de mãe amorosa. A professora Magna Porto foi professora que dava asas...

Na quinta-série, em uma escola maior, frustrei-me com a quantidade de cadernos, de exercícios, de professores. Poucos souberam cativar nosso coração moleque. Lembro-me da professora de matemática ensinando-me palavras novas, ampliando meu vocabulário juvenil. Ela disse, frente aos meus cálculos: xexelento, teu caderno é xexelento. Impossível esquecer esta palavra!

Na oitava, mudanças tiraram a professora Tânia de nossa aula. No ensino médio, literatura virou decoreba, filosofia não era para todos, matemática apavorava. Frustrações. Nesta época, sonhava com tempos melhores nos bancos da universidade. 

No entanto, em muitas aulas, esta escola de ensino superior reproduziu muitas frustrações vividas na educação básica. Frustrações na ordem do humano, fundamentalmente. E é incrível como o tempo passa e as coisas se repetem. Com a evolução humana, com tantas conquistas, o homem deveria ter amadurecido esta capacidade de ser gente. Mas eis que ainda vemos muito por ser feito no campo do humano, do demasiadamente humano (Nietszche). 

Para Rubem Alves, tudo começa com um ato de amor...ler, escrever, conhecer um novo idioma. É no diálogo que o amor acontece. Que este ano que inicia seja motivador para crescermos em muitos sentidos, para vivermos um conúbio com a vida, para dialogarmos nossas práticas com nossos discursos. Que as "férias  escolares" sejam tempo de reconhecimento do outro, como outro verdadeiramente humano em nossas relações. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Aline,

Nós só somos o que somos pelo passado que construímos. A nossa identidade se constitui destes passados, destas vivências, desta vida que fomos semeando em cada ação, em cada movimento.

Erich Fromm, um filósofo do amor, escreveu que “a principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente”.

Acompanho tua vida escolar e universitárias há pelo menos 15 anos. Fui tua colega na escola, tua colega na universidade, no nosso primeiro curso de graduação, o de Letras português. Sou testemunha da tua caminhada até aqui, sou testemunha deste tornar-se luz, desta descoberta - ou seria a revelação do teu potencial?!

Já naquela época em que começávamos nossa trajetória acadêmica, tu sempre soubeste que este seria o teu caminho, o jornalismo. No entanto, foi preciso seguir por outras veredas, buscar outras rotas até que pudesse, enfim, percorrê-lo com a propriedade que o percorreu neste momento da tua história pessoal. 

Se a professora ajudou a jornalista ou se a jornalista ajudou a professora, não sei. O certo, no entanto é que ambas cresceram muito. Não é verdade?! Lembro-me de ti começando na TV Santa Maria. Agora, volta e meia te vemos na telinha da TV Pampa, sem contar o curso de rádio, não?! Foram muitas as oportunidades de mostrar o teu talento...

Este ano de 2013 foi um bom exemplo disto, desta caminhada que tu realizaste. Fizeste inúmeras disciplinas ao longo do ano, escreveste um TCC – do qual, inclusive, eu fui leitora.

Recordando-me disto, lembrei de uma frase de Erich Fromm, onde ele aponta que “a principal tarefa na vida de um homem é a de dar nascimento a si próprio”. Sem dúvida, tua caminhada aponta para isso – para o nascimento de uma Aline que muitos não conheciam. E mais, talvez tenha permitido o nascimento de uma Aline que tu mesma nem imaginava que existia, que tu nem imaginava a força e a coragem que tinha.

Ahhh, mas não foi só isso, não?!

Junto a esta bagagem toda, tu ainda tiveste a generosidade de nos presentear. Tu e o Aroldo, claro?! Não vamos esquecer do mérito do rapaz! Para brindar a tua alegria, está aí a Antonia, para ser luz na vida da gente. Desconfio que este será o teu melhor projeto, pois é firmado em bases sólidas de amor, de respeito, de cumplicidade. Obrigada! A dinda agradece!

Por fim, gostaria de desejar que tua carreira como profissional do jornalismo que és não seja apenas uma carreira de denuncias; que possas anunciar mais que denunciar. Nós precisamos de mais amorosidade e menos fatos trágicos. Não é verdade?!

Aline,
“Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar”. (
Antonio Machado)

Aline, “caminante” – ilumina o teu caminho.

Parabéns pela formatura!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Quando iniciamos um novo ano...

Quando iniciamos um novo ano, nos propomos a muitas transformações. Desejos e sonhos embalam a noite da virada e os dias que seguem o mês de Janus. No entanto, para transformarmos muitos de nossos sonhos em realidade (e não perdê-los já no mês seguinte) nós não dependemos somente de nosso esforço pessoal. É preciso toda uma cadeia de ações...

Eu, por exemplo, sonho com um mundo mais educado, onde possamos ver, depois de festas como a do meio da semana, nossas praias limpas e preservadas (sonho com minha cidade mais limpa). Sonho, fundamentalmente, com crianças bem cuidadas, respeitadas em sua integridade física e emocional. Sonho com pais nascidos para o amor, avós nascidos para o amor, professores nascidos para o amor, porque o modo como vivem (e convivem) é como educarão os pequenos. 

No livro "Emoções e Linguagem na Educação e na Política", Humberto Maturana menciona que "o educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência". Para o pensador chileno, o educar ocorre todo o tempo e de maneira recíproca. É uma transformação que não tem idade. 

Em outras palavras, a cada sopro de vida vamos nos modificando com o outro, em função do outro, para o outro - sempre considerando que o respeito e a afirmação do outro só se realiza com o respeito e afirmação de si mesmo. Educar(-nos) é um processo contínuo que dura toda uma vida, já mencionava Paulo Freire. É preciso mudar este ano que inicia, fazê-lo mais humano, humanizando-nos. É preciso transformar 2014! É preciso que novas (e bonitas) ações sejam práticas em cadeia, de norte a sul do Brasil, de hemisfério a outro... Sonho, portanto, com um 2014 onde todos sejam capazes de aprender a aprender no conviver!
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"A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo.
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção

Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte
Esse meu coração

Ah! Coração!
Se apronta pra recomeçar".
(Começo, meio e fim - Roupa Nova)


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"E se vão os anos..."

Há vinte e dois anos meus últimos dias de cada ano me levam à infância.
(...)


Como todos os anos, nós colocávamos a vida no chevette branco do meu pai e íamos passar as férias escolares na nossa casa de veraneio, no Passo do Angico. No bagageiro, ia nossa televisão caixa de abelha - e todas as suas histórias e imagens. Atrás, pendurada ao carro - minha supermáquina era companhia garantida. Malas, potes, panelas e muita música animavam nosso caminho até São Pedro do Sul, terra natal do meu velho.

Como eu não largava meu pai, era sempre companhia das viagens, enquanto que minha mãe e minha irmã se aventuravam no Linha Canoa. Era incrível! Era um tempo em que o asfalto ainda não tinha chegado completamente na faixa de São Pedro e nós, muitas vezes, nos embretávamos pela estrada de Canabarro, pela Igrejinha do Divino. 

Consigo ainda escutar a risada do meu pai. Consigo ver o seu rosto e os seus olhos. Jamais olvidei os conselhos dados as voltas do Toropi, entre joaninhas e lambaris: "estuda, minha filha, estudo é a única herança que poderemos te deixar". Eu segui o conselho a risca!

Lembro com carinho de muitas histórias, como a do céu ser a lona preta de Deus. Esta é linda, sensível e poética - como meu pai! Lembro de minha coleção de minicopinhos de massa de tomate - todos comprados na cooperativa; lembro das lavouras de milho e da torcida do panelinha; lembro das festas no bar da tia Ivani e do tio Erton; dos bailes de carnaval. Seu "Nesto" e seu "Rosa" também fazem parte desta bagagem...

Muita vida vivida em apenas oito anos de convivência que marcaram significativamente minha existência. Com o meu pai eu pude ser outra; sem o meu pai eu precisei ser outra. E aqui estou eu, certa de que segui um caminho bom, certa de que ele, mesmo de longe, soube ser meu guia, minha luz.

Há vinte e dois anos meus últimos dias de cada ano me levam à infância. Que bom ter tantos motivos para sorrir!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

"Voa, o tempo voa, voa meu amor*"



Adoro final de ano, pois é sempre tempo de limpar as poeiras do armário da alma. Nesta época, temos a tendência a olharmos um pouquinho para nós mesmos, para nosso caminho trilhado ao longo do ano. Na televisão vendem isso como retrospectiva. Eu vejo como vida, como conquista diária. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.

Este 2013 foi um ano especial. Na minha memória do vivido, só lembro de coisas boas que aconteceram. Este ano fui à Bahia e viajei pela primeira vez de avião. iFue inolvidable! Este ano foi ano de feira do livro, de rodas de conversa na praça e encontros de apagar saudades. Este ano foi um ano de mudar de trabalho, de mudar de casa. Alguns dizem que agora sou uma mulher casada - eu simplesmente acho que agora firmei um laço mais profundo de amor, de união, de companheirismo, de amizade. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.

Este ano foi um ano de notícias boas. Como professora, recebi o melhor que a profissão pode me dar - o reconhecimento dos meus alunos. A turma de Itaqui me convidou para patronesse e isto marca a minha história profissional significativamente. Meus alunos são muito amados! Este ano foi de crescimentos profissionais, de muita aprendizagem. 

"Voa, voa - o tempo voa, voa meu amor"*.


Não bastasse tantas conquistas, tantas maravilhas - 2013 trouxe a Antonia e a Brenda. Aí, o coração ficou radiante. Com elas, a família terá dois bons motivos para viver melhor. Este foi um ano de ver meus sobrinhos crescendo, meus irmãos prosperando, minha família bem. 



Que venha tempo ainda melhor, tempo de realizar sonhos e construir futuros. Tempo de ser quem se é, de coração aberto!

"O relógio move o tempo e faz bater meu coração (...). 
 Voa, voa - o tempo voa, meu amor (...) 
É que muita coisa boa vai ficando para trás".


Feliz 2014!

* O Tempo Voa - Kleiton e Kledir

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mais um Natal bate à porta

Mais um Natal bate à porta. É dezembro outra vez. Outra vez me pego pensando no capitalismo que virou as nossas festas de final de ano. No exagero das mesas cheias e das mesas vazias e no vazio das relações. Não há meio termo. 

Em outras épocas, nesta época, eu já teria preparado meu banquete de sonhos diários para o próximo ano. Já teria comprado os regalos dos amigos, o mimo dos sobrinhos. Desta vez, não fiz nada disto. Meu tempo foi capitalizado também. E assim, estou presa as minhas tarefas de tal forma que produzo o tempo todo e pouco me resta para viver. O trabalho virou nossa escravidão moderna. É o exagero do não viver. 

E, em meio a este turbilhão diário, nos prendemos pouco ao essencial, as minucias da vida. O exagero é uma perda enorme que não damos conta. É preciso ater-se aos encontros, aos sorrisos, aos abraços, as rodas de conversa. Rechear a mesa e endividar-se para o ano que inicia não resolve nossos problemas. Viver resolve nossas faltas. Conviver resolve nossas carências. É preciso encontrar o caminho do meio e buscar/criar as oportunidade de ser feliz hoje.

Mais um Natal bate à porta. É dezembro outra vez. Outra vez me pego pensando no capitalismo que virou as nossas festas de final de ano. Mas este ano farei diferente. Este ano eu serei ainda mais feliz, sem exageros à mesa, sem exageros nas compras. Importante será estar com as pessoas, olhar nos olhos dos meus, encontrar o encantamento de nossas charlas, o burburinho das crianças e a alegria imensa de estar junto da família. Para o próximo ano, vale a receita de Drummond...


(...) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações (...)
Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo (...)


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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

De liberdades e andorinhas



A vida sempre encontra um jeito de nos surpreender. Cada dia sempre estamos predestinados as surpresas das inesperadas volteadas de coxilha. Os ventos sopram e as coisas acontecem.

Na última semana, fui acometida de uma doença que jamais esperada ter aos trinta anos - caxumba. A danada foi chegando de mansinho, tomando conta do meu corpo e me colou de resguardo sete dias ininterruptos. Foram sete dias trancafiada em casa...

Eu nunca fico doente. Nunca sou de me queixar! Quando criança, cresci na liberdade das ruas (outrora) calmas da minha vila, corria invernadas imaginárias nas minhas fazendinhas de faz de conta. Eu sempre fui de voar. E a liberdade sempre foi a conquista mais almejada.

Ser livre é poder decidir o próprio destino, sendo protagonista e devedor das próprias decisões. É crescer do acaso inesperado; do trabalho objetivo; da vontade de ser gente grande. Ser livre é saber escolher recolher-se na calmaria das horas, na companhia de quem se ama... liberdade é não ter pressa pelo amanha!

A vida sempre encontra um jeito de nos surpreender, sempre encontra uma forma de nos colocar a par da história, da nossa história, dos caminhos que construímos, dos que escolhemos. Eis que ao chegar em casa meu companheiro apresenta o mais novo membro da família - um filhote de andorinha que se perdeu do ninho. Desconfio que haverá verão... 





sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

É preciso acreditar, pelos nossos meninos...é preciso acreditar!

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Há tempos, na universidade, discutindo acerca dos novos tempos e da educação, olhei um vídeo* de um menino, com cerca de dez anos, que perguntava, com veemência, se a pessoa que o assistia tinha certeza de que poderia ser sua professora.  Ele estava em uma sala cheia de aparatos tecnológicos e conseguia, com sua pouca idade, manipulá-los com tranquilidade, com precisão.  Ele tinha certeza que poucos poderiam orientá-lo neste sentido. Ele questionou, pegou pesado, impressionou.

Não por acaso lembrei-me deste vídeo esta semana – semana esta marcada por novas questões envolvendo os políticos do mensalão. Pensei que algum menino deste país poderia ter a coragem de fazer um vídeo assim para os políticos que estão aí, com um currículo pouco desejável para merecerem nosso voto, nossa confiança e nossas últimas gotas de esperança. Queria ver um menino deste país, fruto da educação pública brasileira, revoltando-se (positivamente). Queria vê-lo mostrando sua escola, suas condições de estudo, as formas como é incentivado a aprender e perguntando ao ilustre, que é tratado nos congressos por aí afora como vossa excelência, se este merece o seu voto, se este merece representá-lo, se este tem condições de estar no cargo em que está.

Um país que precisa discutir tanto e problematizar tanto para investir em saúde e educação (lembremos o pré-sal); um país que tem (diariamente) como manchete principal em todos os seus telejornais escândalos de corrupção – precisava de um menino corajoso que fale, que pergunte:  - você acha que pode me representar? Você acha que pode ter o meu voto?

Nosso país, menino que é, precisa aprender enquanto é tempo os valores importantes da honestidade, do respeito, etc.. Precisa ter a coragem de crescer com passos firmes para ser, de fato, gigante. Afinal, um país que segue ano após ano nas últimas posições no ranking do ensino de matemática, de ciências, um país que está nas últimas posições em se tratando de compreensão leitora – algo de errado tem.

É preciso ter a coragem dos pequenos, destes meninos do nosso país que seguem batalhando por uma vida melhor. É preciso não sucumbir diante da realidade que temos. É preciso batalhar por outros caminhos, construir outro panorama. É preciso acreditar, pelos nossos meninos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Chega de politicagem - eu quero política feita com verdade!

Há tempos que perdi a vontade de falar de política brasileira. Há tempos não tenho vontade de discutir sobre isso nas rodas de conversa, em sala de aula, com os alunos. A nossa política ensaboou, ficou escorregadia, virou politicagem. Hoje, não há (ou há raríssimos) político que tenha uma imagem (e seja de fato) confiável a ponto de nos posicionarmos favoráveis a ele, de corpo e alma. 

Eu já sou de um tempo apartidário. Na casa que cresci nunca existiu bandeiras. Sempre se falou em buscar o eleito pelo currículo público deste, levando em conta, realmente, o que este tinha feito de bom e o quanto não havia comprometido-se com as barbaridades que existem no meio. Este sempre foi o meu caminho: votei em pessoas.

E, olha - está difícil demais! Há muito interesse e só lembram da gente quando este interesse é realmente um benefício. É a lei do manda quem pode e obedece quem não tem consciência do que realmente trata a política. Uma hora, é tempo de dizer basta! 

O meu basta foi esta semana! Há dias vejo pelas redes sociais, pela televisão as figuras do mensalão tentando fugir descaradamente da cadeia. Chegamos ao ponto do mensalão pai, José Dirceu, conseguir um emprego com carteira assinada em um hotel no qual receberá cerca de 20 mil reais, salário este maior que o da gerente do estabelecimento. Chega, não! Chagamos ao ponto de um cidadão com a história de José Genuíno tentar burlar o seu estado real de saúde - e a saúde mental e emocional do povo brasileiro - para não cumprir seus 6 anos e 11 meses de prisão. Com todo respeito que tenho aos doentes, chega!

No Brasil que temos, vai preso quem rouba um frango para matar a fome da família. No Brasil que temos, raras pessoas conseguem ganhar 20 mil ao ano. No Brasil que temos as pessoas morrem na fila do SUS. No Brasil que temos, corrupto está solto, trabalhador não tem onde trabalhar. Basta!

A partir de hoje fica declarado que todo político de plantão terá que merecer o meu voto. E merecer não é tentar ludibriar-me com palavras bonitas e discurso vão. Isto é feio e já não serve mais! Eu quero ações, meus senhores! Eu quero honra! Eu quero retidão! Eu quero respeito com o povo que eu faço parte! E depois disto - eu quero que faça valer a pena nos representar publicamente. 
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sonhar não custa nada

Em 1992, o carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel invadia a Sapucaí com o refrão "sonhar não custa nada e o meu sonho é tão real". Com letra de Dudu Nobre, a escola não foi a campeã daquele ano, mas deixou registrado o samba-enredo em nossa memória musical. Seguimos sonhando com sua melodia, com seu convite à vida.


O sonho sempre fez parte de minha existência. Sou declaradamente sonhadora. Sonhei escrever poesias,  publicá-las em livros, sonhei fazer faculdade, especializar-me, estudar no exterior. Sonhei encontrar um companheiro, ter paz de espírito, ter minhas coisas. Sonho em crescer profissionalmente, sonho aprender mais, sonho viajar, conhecer pessoas, fazer amizades, sonho manter as pessoas por perto, sonho ter meu lar, minha família... sonho ter minha casa, minha biblioteca, meu refúgio particular. Todos os dias me permito sonhar! O Sonho me alimenta!

Esta semana, selecionando material para minhas aulas na universidade, encontrei um curta-metragem argentino muito interessante. "El vendedor de Sueños"* nos mostra, em poucos minutos, o quanto as pessoas, acostumadas com as tarefas do dia-a-dia, acostumadas a seguirem a corrente, deixam de sonhar, tornam-se frias diante das possibilidades de realização, desacreditam. Dá o que pensar esta produção!  Pedrito, que segue o caminho de sua avó, acredita que vende sonhos. Ele convida os passageiros do transporte urbano de Buenos Aires a pararem apenas dez segundos para pensarem em seus sonhos. 

Esta semana, convidei minhas alunas a sonharem. Sonhamos juntas. Hoje, convido os leitores. Vamos, que custa? Apenas um sonho para este final de ano que se aproxima...para o próximo ano que virá. É preciso se permitir!

Afinal, em 1992, a mocidade não ganhou o carnaval, mas alimentou seu sonho durante quatro anos. Ela foi a grande campeã de 1996 com o tema "Criador e Criatura". Criemos hoje, então, para isso "deixe a sua mente vagar, não custa nada sonhar".


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*Curta-metragem: http://www.youtube.com/watch?v=0udJVDyC0M4

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

De tempos e descobertas

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Demoramos muito para nos descobrirmos. O tempo é um amigo impagável neste aspecto. Ele molda o vento, arruma as árvores e nossas curvas. O tempo nos leva e nos traz muitas vezes para nossos encontros com a vida.  A calma de olhar o trajeto das folhas pela janela e escutar os ruídos e os clamorosos compassos de Éolo também é presente deste ir e vir das horas.

Muitas vezes, este ir e vir nos acompanha de uma chacoalhada. Um susto, uma rasteira, uma tirada de chão. É Chronos que bate a porta para exigir destrezas, para exigir atitudes, para pedir sonhos e movimentos. A vida requer comprometimento. É preciso crescer. É preciso transformar-se. É preciso ser luz.

Uma de minhas maiores dificuldades é compreender o porquê de muitas pessoas, nestas volteadas de cochilha que o tempo espera a espreita, buscarem o caminho dos fundos. São pessoas prontas para o amor, desejosas por amar, mas que simplesmente não se permitem. Este é meu verdadeiro aprendizado: aprender a compreender as fraquezas alheias, tão minhas. Aceitar do outro o que o outro consegue oferecer. Aceitar o tempo do outro, a necessidade do outro. Reconhecer e aceitar as minhas necessidades. 

Em tempos de crescimento, de fazer as malas e ser gente grande, é preciso iluminar. Simplesmente (e com simplicidade) encontrar o caminho e partir em buscas de realizações, de semeaduras e de novos ares. 

Demoramos muito para nos descobrirmos, reconhecermos nossa identidade. E descobrindo (bem de poucos), é fundamental ter coragem de nos olharmos e nos percebermos gente, demasiadamente humanos. O tempo é um amigo impagável neste aspecto.



Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.