quinta-feira, 6 de março de 2014

Contra o Racismo, meu único desejo é a Educação!

"Meu único desejo, meu tema musical, meu diamante, é a educação". Rubem Alves não cansa de escrever isto. Eu não me canso de ler e certificar-me de sua verdade. Minha estrela também é a educação, mas não uma educação firmada somente nas ciências. Educar é outra coisa. "O educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro" (Maturana). Educar é ensinar a ver e aprender a ver com o outro, respeitando as individualidades. Educar é um ato de amor*.

Quando vejo notícias como as do jogo do Esportivo contra o Veranópolis, pelo campeonato gaúcho, onde, mais uma vez, um trabalhador brasileiro foi vítima de racismo - penso que a educação falhou. Não a educação do senhor Márcio Chagas da Silva, árbitro de futebol. Mas a de quem o discriminou. Não a educação escolar, mas a familiar, a humana. 

Maturana em "Emoção e Linguagem na educação e na política" (p. 30) aponta que se o indivíduo não pode aceitar-se e respeitar-se, não pode aceitar e respeitar o outro. É bem provável que quem agrediu o melhor árbitro do Gauchão passado não consiga reconhecer-se, respeitar-se, visto que não consegue reconhecer e respeitar outro ser humano  - tão digno de respeito quanto qualquer homem deste universo. A educação falhou com ele. Com ele, o exercício de aprender a ver o mundo foi rasurado, "os olhos ficaram zeros"**. 

E para esta cegueira não há campo de futebol, não há copa do mundo, não há incentivo financeiro que torne visível outro cenário. O governo não tem culpa, a cidade de Bento Gonçalves, palco do último episódio racista do futebol, não tem culpa. Dinheiro, política e estrutura não educam. Pessoas (se) educam. É nas relações que os homens se humanizam. 

Contra o Racismo, meu único desejo é a Educação!
Porque, afinal, o poetinha já versejou...

"Se as coisas são inatingíveis, ora!
Não é motivo para não querê-las
que triste os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas". 
(Mário Quintana)

Imagem retirada do sitio:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/11/minhas-reflexoes-no-dia-de-consciencia.html

* Amor para Maturana não é um sentimento, é um domínio de ações nas quais o outro é constituído como legítimo outro na convivência.
** Prado Veppo, poeta Santa-mariense.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Do nascimento de um pai



Querido irmão,

Não podes imaginar a alegria que sinto ao te ver, definitivamente, pai. Ao longo dos anos foste te preparando para este momento tão bonito da tua vida e hoje podes abraçá-lo com a segurança e a serenidade que a experiência do tempo te proporcionou.

Para muitos, pareces um pai de primeira viagem. Um pai nascido agora. Para mim, não. Há vinte e dois anos abraçaste a minha criação quando nosso pai disse um "até logo" à beira do ano-novo. Foste o pai que me criou, que me educou para a vida, que me preparou para ela - sempre firmado no pensamento positivo, na ética, nos bons valores - respeitando sempre a minha individualidade, mostrando sempre um caminho correto a ser seguido. Tu acreditaste em mim! Tu me ensinaste o significado da palavra autonomia. E eu fui... Sou eternamente agradecida a esta confiança que me fez construir com tranquilidade, com certeza e com amor o meu percurso. Quase tudo que tenho, devo ao teu desprendimento em me orientar. 

A Antonia terá ainda mais sorte neste sentido. Ela vem para os teus braços amorosos já experientes e poderás fazer por ela ainda mais. Agora, não estás sozinho na caminhada, tua responsabilidade é compartilhada com alguém de enorme coração, disposta a fazer da tua a familia mais iluminada do quarteirão, do mundo inteiro. 

Com a Antonia, nasce definitivamente para os olhos do mundo o teu coração paterno. Menina de sorte a Antonia, menina de sorte eu fui, somos sortudas as duas ...  
Angelise, Aroldo e Antonia - quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Para todo professor que soube(r) educar o olhar ...

A todos os professores, com carinho!
À professora Elena da Silva, minha madrinha, em especial!


Toda criança é um universo cheio de mundos. Todo professor é um corpo cheio de mundos. A cada novo ano letivo, estes mundos se encontram para novos processos de aprendizagens. É no contato entre estes mundos, no convergir deles que a educação acontece. Mas que educação é esta, afinal?

Rubem Alves, uma de minhas leituras mais caras, ensina que "educar não é ensinar matemática, física, química, geografia, português. Essas coisas podem ser aprendidas nos livros e nos computadores. Dispensam a presença do educador. Educar é outra coisa*".  

Quando penso no início do ano letivo, penso nos milhares de projetos de vida que são delegados a cada professor deste país. Cada aluno matriculado em uma instituição de ensino é uma esperança que chega para iluminar o espaço escolar, a vida de cada mestre. Ser professor é ter uma responsabilidade imensa com a educação do olhar, sem restrições. Educar, para Rubem Alves, é isso: ensinar a ver. 

Não há um tempo para nos educarmos. Professores e alunos aprendem juntos a arte de ver. Não aprendemos na 1ª , na 2ª, na 3ª série. A Educação do olhar é um processo que leva uma vida toda, vai além do espaço da escola. É no conviver que nos educamos, é com as pessoas que nos educamos. É no conviver que nos humanizamos.


Toda criança é um corpo cheio de mundos. Todo professor é um universo cheio de mundos. Que ambos façam da escola um espaço de alegria, de compartilhamentos. Eu sonho com uma escola onde as crianças sejam alegres, felizes, onde possam ser crianças, sem medos e com muito amor. 

Que a alegria e o amor por ensinar e por aprender sejam realidade em todos os cantos deste país neste ano letivo que principia. 

Google Imagens
                                               
* http://www.rubemalves.com.br

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O homem precisa urgentemente humanizar-se!



Há tempos me pergunto para onde caminhamos enquanto humanos. Não é meramente uma pergunta filosófica, acreditem. Eu ando apreensiva. A televisão, os jornais, o rádio, as redes sociais, o nosso dia-a-dia tem apontado situações preocupantes. Eu estou assustada!
 
No Rio de Janeiro, dia destes, um homem acusado de ladrão foi amarrado a um poste pelos ditos "cidadãos de bem". Com o calor que faz no Brasil, o sujeito ficou cozinhando à luz do sol, violentado por pessoas que diziam fazer "justiça" com as próprias mãos.  Em protestos por melhorias no transporte público carioca, dois jovens machucaram covardemente um trabalhador da comunicação, que não resistiu as ferimentos e morreu na segunda passada. No Sul, durante o Grenal, um torcedor do Grêmio entrevistado pela Rádio Gaúcha achou absurdo que o Zé Roberto, um de seus principais jogadores, trocasse camiseta com um jogador Colorado. Afinal, entre rivais não pode (para este torcedor) existir espírito esportivo! Triste realidade a nossa!

O homem está desumanizando-se, desumanizado! No mercado de trabalho, a disputa já virou, em muitos casos, assédio moral. E por aí vai... Todos criticamos estas notas que se tornaram rotineiras nos veículos de comunicação, mas, realmente, até onde contribuímos para este estado de caos? Até que ponto achamos naturais estes conflitos? Eu ando apreensiva... Eu estou assustada!

Eu não sou descrente, mas o homem precisa urgentemente humanizar-se! É nas relações que nos tornamos humanos... Que sejam harmoniosas e humanas nossas relações!

Google Imagens 
                     

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

De corpo e palavras.



Desde guria gosto de escutar histórias, causos antigos, gosto de gente e suas vivências. O meu pai foi o primeiro narrador que conheci. Com ele aprendi a escutar o brilho dos olhos, o recheio da história que não está propriamente na forma, mas no dizer, no contar. 

É a voz, o tom de voz que embriada o ouvido. Contar uma história sem cadenciar as frases, sem dar emoção às palavras é como ler um poema e não preenchê-lo com alma. Perde a vida! É preciso cativar os ouvidos!

Lembro-me, certa vez, em uma noite quente de verão, como estas que abrem este fevereiro caloroso. Estávamos eu e meu pai na frente da nossa casa de veraneio. Éramos nós, o céu iluminado pelas estrelas e o cheio da lua. À volta, vaga-lumes e esperanças de chuva ligeira. O velho cantava versos, metamorfoseava palavras, dava vida ao dito. Nesta noite, me revelou muitos segredos. Explicou-me o que era o céu: "O céu é a lona preta de Deus, minha filha!" Colocou tanta verdade, tanta simplicidade e tanta musicalidade na narrativa que não consigo ver o céu, ainda hoje, em metáfora diferente.  

Cada alma possui a história do seu corpo. Meu pai aprendeu o poder da palavra como sobrevivência. Construiu e deu forma ao seu corpo com palavras (e com ações). Foi o que deixou para mim e meus irmãos, de herança. E com ela  - a palavra - dou vida a alma que meu corpo habita. 
Google Imagens

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Aos meus alunos de Itaqui

Nunca imaginei que aos 30 anos, iniciando minha vida profissional no ensino superior, receberia uma homenagem tão bonita como a que os alunos de Itaqui me proporcionaram. Ser patronesse de uma turma é uma homenagem e tanto. Muitos professores com longa experiência na academia nunca tiveram este reconhecimento, este privilégio, esta felicidade. Eu estou transbordando de alegria!

Diante da homenagem, fiquei pensando nos porquês de uma escolha destas. Lembrei da minha história, do motivo que me levou a votar na professora Maria Tereza Marquesan como madrinha da minha turma de espanhol, do professor Pedro Brum Santos como o padrinho da minha turma de português. E, ao lembrar, me dei conta que eles foram escolhidos pelo bem que me fizeram como professora em formação. Ensinaram-me muito sobre a arte de trabalhar com gente. Meus mestres são pessoas que me cativaram no (e com o) seu linguajear*.

Mas eu não tenho nem um terço da experiência dos meus mestres. Eu apenas segui o meu coração e estive perto, o mais perto que pude. Tentei ser presença e fazer-me presente. Eu acredito muito na educação, acredito muito na educação a distância - mas não há nada em que eu acredite mais do que a educação feita com amor, com respeito e com colaboração, com parceria entre professor e aluno.

Com os meus alunos de Itaqui aprendi a ser uma professora melhor. Com os meus colegas de Itaqui, faremos uma educação melhor. A turma levará o meu nome, mas mais do que isso - eu os levarei em meu coração para sempre. Meus eternos alunos, meus amigos, meus colegas. 

*Termo usado por Maturana,

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Aprendendo a viver

Karina decidiu viver chique. Todos os dias posta em seu blog dicas para ficar bonita, para ajudar a outras meninas a ficarem bonitas também. É uma beleza compartilhada! 

Para muitos, as dicas virtuais da menina poderiam ser receitas naturais destes nativos digitais que vivem conectados, nas redes, inventando, criando e recriando realidades. Para Karina, são motivo para seguir. É uma opção de sobrevivência diária. Karina é uma jovem de 14 anos, brasileira, que vive em Boston, Massachusetts. Karina tem câncer no osso de uma das perdas e viu na maquiagem um motivo para sorrir e superar as suas dores. 

Com o auxilio da tecnologia - Karina decidiu criar um blog para compartilhar suas dicas de beleza com outras meninas que passavam pelo mesmo problema que ela. O blog é tipico de uma adolescente! São videos, fotos e narrativas que ensinam como se maquiar, como usar lenços e bijus. É um blog que tem como objetivo auxiliar as pessoas a ficarem bonitas, independente da circunstância. 

Para Karina, não trata-se apenas de um blog. É um espaço de inspiração, de descoberta de nossa inspiração, nossa força interior e fazermos dela nosso próprio estilo de vida.

Com Karina, se pode aprender a viver. Com Karina se pode aprender a viver. Vivamos!


Blog de Karina: http://chicbykarina.com

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

De pisos e construções - para uma valorização do que é nosso

Ao acompanhar as notícias do estado esta semana, li que o piso regional teve um reajuste de cerca de doze por cento e este reajuste entra em vigor a partir de primeiro de fevereiro. Muito se ganha com este aumento salarial. Os trabalhadores de diferentes ramos podem dar-se o luxo de viver um pouco mais que apenas trabalhar para pagar contas e impostos. O governo também sorri com o movimento econômico decorrente desta "injeção" monetária. É bom para todos. 

Porém, entre os trabalhadores que receberão este reajuste, não encontrei os professores. Por lei, o piso salarial do magistério já deveria vigorar desde 2008, quando a lei foi sancionada. No entanto, o mesmo governador que ajudou a criar esta lei, não a cumpre em nosso estado. Uma lástima! Fico entristecida como nosso país faz pouco caso da educação...

E isso não se refere apenas a dar um salário digno aos professores Brasil afora. Trata-se de reconhecer o papel deste frente a sociedade, trata-se de valorizá-lo diante da nação, proporcionando uma boa formação inicial e continuada, espaços dignos de trabalho, possibilidade (e tempo) de planejamento e projeção da carreira docente. 


Vale salientar, também, que em meio a isto, o professor também tem que cumprir o seu papel profissional. A falta de uma coisa não pode diminuir a outra - neste caso, a falta de pagamento do piso não pode ser motivo para que os professores neglicenciem no processo de ensino e de aprendizagem de milhões de crianças, jovens e adultos de nossas escolas. É preciso que o professor, com sua voz, crie espaços de reflexão capazes de transformar sua (nossa!) própria realidade. 

Em meio a este quadro que não evolui, penso no quanto temos que ser construtores de realidades, não apenas de possibilidades. É preciso mais do que pensar grande. É preciso realizar. E realizar em Educação é, desde agora, fazer um país diferente. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Das frustrações

Eu ainda não havia ido para a escola quando tive minha primeira frustração escolar. Precisava de idade para habitar aquele universo de descobertas e eu era muito nova para sonhar alfabetos e palavras. Na dúvida de minha aceitação, decorava poesias lidas pela minha mãe. 

Aceita, frustei-me quando a professora da primeira não nos acompanhou para a segunda série. Ela foi maravilhosamente encantadora e não queríamos nos apartar de seu olhar de mãe amorosa. A professora Magna Porto foi professora que dava asas...

Na quinta-série, em uma escola maior, frustrei-me com a quantidade de cadernos, de exercícios, de professores. Poucos souberam cativar nosso coração moleque. Lembro-me da professora de matemática ensinando-me palavras novas, ampliando meu vocabulário juvenil. Ela disse, frente aos meus cálculos: xexelento, teu caderno é xexelento. Impossível esquecer esta palavra!

Na oitava, mudanças tiraram a professora Tânia de nossa aula. No ensino médio, literatura virou decoreba, filosofia não era para todos, matemática apavorava. Frustrações. Nesta época, sonhava com tempos melhores nos bancos da universidade. 

No entanto, em muitas aulas, esta escola de ensino superior reproduziu muitas frustrações vividas na educação básica. Frustrações na ordem do humano, fundamentalmente. E é incrível como o tempo passa e as coisas se repetem. Com a evolução humana, com tantas conquistas, o homem deveria ter amadurecido esta capacidade de ser gente. Mas eis que ainda vemos muito por ser feito no campo do humano, do demasiadamente humano (Nietszche). 

Para Rubem Alves, tudo começa com um ato de amor...ler, escrever, conhecer um novo idioma. É no diálogo que o amor acontece. Que este ano que inicia seja motivador para crescermos em muitos sentidos, para vivermos um conúbio com a vida, para dialogarmos nossas práticas com nossos discursos. Que as "férias  escolares" sejam tempo de reconhecimento do outro, como outro verdadeiramente humano em nossas relações. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Aline,

Nós só somos o que somos pelo passado que construímos. A nossa identidade se constitui destes passados, destas vivências, desta vida que fomos semeando em cada ação, em cada movimento.

Erich Fromm, um filósofo do amor, escreveu que “a principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente”.

Acompanho tua vida escolar e universitárias há pelo menos 15 anos. Fui tua colega na escola, tua colega na universidade, no nosso primeiro curso de graduação, o de Letras português. Sou testemunha da tua caminhada até aqui, sou testemunha deste tornar-se luz, desta descoberta - ou seria a revelação do teu potencial?!

Já naquela época em que começávamos nossa trajetória acadêmica, tu sempre soubeste que este seria o teu caminho, o jornalismo. No entanto, foi preciso seguir por outras veredas, buscar outras rotas até que pudesse, enfim, percorrê-lo com a propriedade que o percorreu neste momento da tua história pessoal. 

Se a professora ajudou a jornalista ou se a jornalista ajudou a professora, não sei. O certo, no entanto é que ambas cresceram muito. Não é verdade?! Lembro-me de ti começando na TV Santa Maria. Agora, volta e meia te vemos na telinha da TV Pampa, sem contar o curso de rádio, não?! Foram muitas as oportunidades de mostrar o teu talento...

Este ano de 2013 foi um bom exemplo disto, desta caminhada que tu realizaste. Fizeste inúmeras disciplinas ao longo do ano, escreveste um TCC – do qual, inclusive, eu fui leitora.

Recordando-me disto, lembrei de uma frase de Erich Fromm, onde ele aponta que “a principal tarefa na vida de um homem é a de dar nascimento a si próprio”. Sem dúvida, tua caminhada aponta para isso – para o nascimento de uma Aline que muitos não conheciam. E mais, talvez tenha permitido o nascimento de uma Aline que tu mesma nem imaginava que existia, que tu nem imaginava a força e a coragem que tinha.

Ahhh, mas não foi só isso, não?!

Junto a esta bagagem toda, tu ainda tiveste a generosidade de nos presentear. Tu e o Aroldo, claro?! Não vamos esquecer do mérito do rapaz! Para brindar a tua alegria, está aí a Antonia, para ser luz na vida da gente. Desconfio que este será o teu melhor projeto, pois é firmado em bases sólidas de amor, de respeito, de cumplicidade. Obrigada! A dinda agradece!

Por fim, gostaria de desejar que tua carreira como profissional do jornalismo que és não seja apenas uma carreira de denuncias; que possas anunciar mais que denunciar. Nós precisamos de mais amorosidade e menos fatos trágicos. Não é verdade?!

Aline,
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar”. (
Antonio Machado)

Aline, “caminante” – ilumina o teu caminho.

Parabéns pela formatura!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Quando iniciamos um novo ano...

Quando iniciamos um novo ano, nos propomos a muitas transformações. Desejos e sonhos embalam a noite da virada e os dias que seguem o mês de Janus. No entanto, para transformarmos muitos de nossos sonhos em realidade (e não perdê-los já no mês seguinte) nós não dependemos somente de nosso esforço pessoal. É preciso toda uma cadeia de ações...

Eu, por exemplo, sonho com um mundo mais educado, onde possamos ver, depois de festas como a do meio da semana, nossas praias limpas e preservadas (sonho com minha cidade mais limpa). Sonho, fundamentalmente, com crianças bem cuidadas, respeitadas em sua integridade física e emocional. Sonho com pais nascidos para o amor, avós nascidos para o amor, professores nascidos para o amor, porque o modo como vivem (e convivem) é como educarão os pequenos. 

No livro "Emoções e Linguagem na Educação e na Política", Humberto Maturana menciona que "o educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência". Para o pensador chileno, o educar ocorre todo o tempo e de maneira recíproca. É uma transformação que não tem idade. 

Em outras palavras, a cada sopro de vida vamos nos modificando com o outro, em função do outro, para o outro - sempre considerando que o respeito e a afirmação do outro só se realiza com o respeito e afirmação de si mesmo. Educar(-nos) é um processo contínuo que dura toda uma vida, já mencionava Paulo Freire. É preciso mudar este ano que inicia, fazê-lo mais humano, humanizando-nos. É preciso transformar 2014! É preciso que novas (e bonitas) ações sejam práticas em cadeia, de norte a sul do Brasil, de hemisfério a outro... Sonho, portanto, com um 2014 onde todos sejam capazes de aprender a aprender no conviver!
Google Imagens
"A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo.
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção

Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte
Esse meu coração

Ah! Coração!
Se apronta pra recomeçar".
(Começo, meio e fim - Roupa Nova)


Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.