sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Já é tempo de evoluir para além do apego histórico

Como muitas famílias do Rio Grande do Sul, a minha participou por muito tempo de invernadas e patronagens dos Centros de Tradições Gaúchas. Meu pai foi patrão de CTG, minha irmã prenda juvenil, adulta, regional. No CTG, aprendi a declamar e a participar de eventos culturais. Li muito sobre a história e a cultura do estado, sobre os feitos que nos formaram enquanto tipo social sulino, porque para o pai, importante mesmo era saber o porquê se estava ali, o porquê se usava aquela indumentária e por aí vai. Na nossa casa, niilismo dos pampas nunca ganhou espaço. Ou sabia o que era ser gaúcho ou não participava da entidade. 

Para além da entidade, na minha casa, assim como em muitas casas do Rio Grande do Sul, o respeito sempre esteve em primeiro lugar. Respeito ao próximo, às preferências (a todas!), ao indivíduo. Não nasci em um lar que não me orientasse para o bem e para o respeito ao direito primeiro - o direito humano. 

O evento ocorrido recentemente em Santana do Livramento é triste. Incendiar um CTG por conta do espaço realizar um casamento coletivo em que abarca todas as realidades da nossa sociedade é lamentável. E logo em 11 de setembro, dia que marca historicamente a luta de nosso estado por "liberdade, igualdade e fraternidade". Em 11 de setembro, com estes ideais, Souza Neto proclamou a República Rio-grandense. Ideais estes que deveriam ser prática na casa de muitos  não só no nosso estado, mas para além das nossas fronteiras. 

Escutei, esta semana, que o Rio Grande do Sul, por conta dos últimos acontecimentos - o incêndio no CTG e o insulto da torcida do Grêmio ao goleiro Aranha, do Santos - está sendo conhecido como um estado racista e homofóbico. Propaganda negativa que só se reverte com educação. Mas não uma educação formal, de responsabilidade da escola. Uma educação na e para a família. Uma educação para o respeito, sobretudo uma educação humana. 

Eu respeito muito a cultura do estado. Mas já é tempo de evoluir para além do apego histórico. É tempo de ser grande na forma de se relacionar com o mundo. Só assim "nossas façanhas servirão de modelo a toda terra".

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

(Continente)

(Continente)

Angelise Fagundes

me tornei refém dos teus beijos
onda inquieta no teu corpo continente

 - poeta insone - 

em noites de não ser me encontro em ti
eu, aos pedaços,
recomponho-me em nossa cama
aconchego de abraçar carências

na noite-estrela - sou guia
guiada por ti
no teu peito-leme
horizonte inflamado
acariciado pelo castanho dos olhos meus
esverdeados pelos teus

me tornei refém dos teus beijos-conscientes
concentrados em nós
na volúpia de abraços quentes
aconchego cálido das minhas descobertas

me tornei refém dos teus mistérios...

com os pés no chão me tornei refém dos meus desejos
sucumbidos aos teus beijos
recanto de minh'alma atroz.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Declaração

Para o Marcus, porque somos feitos de poesia


Deita tua pele
sobre a minha
delineia a tua poesia
vem ser estrofe
rima rica com a minha.


Debruça tua boca
sobre a minha
meu ombro clama
pela tua companhia.

Acalma tuas ânsias
junto as minhas
faz da noite
o nosso dia.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Se foi o poema

Angelise Fagundes


Se foi o poema
na folha perdida
levado ao vento

Se fez norte o poema
ventania...
rasgou as páginas
e suas sinestesias

andou pelas ruas
entre as pernas das gentes
entre as saias
...se foi o poema

na esquina assoviou um verso
e partiu
ladeira acima
num descompasso 
se despediu

já era outro
outro poema
metade de ti
quase nada meu



"Toda poesia é um ato de feitiçaria cujo objetivo é tornar presente e real aquilo que está ausente e não tem realidade!" Rubem Alves

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

De rivalidades esportivas e Educação

Para o colega  Luis Antonio Hass, que me ajudou a pensar neste texto


Humberto Maturana em suas obras, em especial na obra "Emoções e linguagem na educação e na política"*, alerta que "a competição não é nem pode ser sadia, porque se constitui na negação do outro". Para o autor, as emoções envolvidas nas disputas esportivas não apontam para algo bom, porque a vitória de um time surge da derrota de outro. No último Grenal (que mais uma vez foi de alegria para o Internacional) pude observar duas condutas muitíssimo interessantes neste sentido e que podemos relacionar com os processos educativos.

Em pleno dia dos pais um gremista de quinze anos foi espancado por um grupo de colorados. O rapaz teve traumatismo craniano. Uma tristeza imensa! Dentro de campo, por outro lado, caminhamos um pouco mais em termos humanos no campo da rivalidade. Felipão foi recebido com muito carinho pelo grupo do Internacional. D'Alessandro, Alex e demais jogadores foram abraçar carinhosamente o técnico da equipe contrária que chegava, depois de uma Copa frustrada, novamente no Rio Grande do Sul.

Em meio a isso, em meio as leituras e as vivências futebolísticas, fiquei me perguntando sobre as possibilidades de educarmos para a aceitação do outro, para o respeito de si mesmo e do outro, para o compartilhamento - de ideias, materiais, conhecimentos (seria preciso uma revolução, criarmos outro tipo totalmente diferente de escola). Como me explicou o colega Luis Antonio Hass, da UFFS, o Grenal - maior clássico do Brasil - divide o estado em duas torcidas. Na cultura, como somar diante da divisão? 

Para além destas "matemáticas", vale colocar que tanto no campo da educação como no campo futebolístico, estimular a competição é correr o risco da não aceitação do outro, da sua negação como legítimo outro na relação. Para Maturana, se a educação estimula a competição e a negação de si mesmo e do outro que a competição traz consigo, a educação não serve. Quem sabe uma torcida única servisse para tornar os nossos jogos momentos felizes de compartilhamento, de alegrias... Precisamos aprender muito na convivência... precisamos caminhar muito em termos de Educação... 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"Impossível viver sem sonhos".

Tenho um caso de amor com as leituras de Paulo Freire. Ele "coloca palavras nos meus sentimentos", como escreveu Rubem Alves a respeito dos seus autores preferidos. Com Freire, um de meus autores preferidos, a leitura flui, prazerosamente.

Hoje foi a vez de descobrir o livro "Pedagogia dos Sonhos Possíveis". Livro este organizado em 2001 (reeditado em 2014), por sua esposa Ana Maria Araújo Freire, a Nita, educadora e também divulgadora da obra de Freire. Neste livro cheio de material inédito do educador brasileiro me deparei com o a possibilidade do sonho. Freire declara na página 49 desta coletânea: "Impossível viver sem sonhos". Para ele  - e para mim também -  é impossível existir sem sonhos.

Assim como Freire, eu sonho com uma Educação que seja capaz de ampliar os saberes dos alunos, ampliar o seu campo de visão, que os torne mais sabedores do mundo e das coisas. Sonho som isso porque vejo a educação como algo que consegue dar às pessoas maior clareza maior para "lerem o mundo". Para Freire, esta abertura no campo de visão  - este "ler o mundo" - permite aos cidadãos tomar consciência de suas responsabilidades, intervindo, assim, na realidade em que vivem, transformando-a. 

Eu sonho com uma escola consciente de suas possibilidades, com uma escola intervindo na sua realidade, transformando-a cada vez mais. Para muitos, é uma utopia um cambio série e efetivo na situação educacional que vivemos.  Para mim,   uma realidade possível de ser conquistada com o trabalho efetivo (e afetivo) da comunidade escolar - que não é só o professor, mas os pais, os funcionários, os motoristas do transporte escolar, a comunidade que vive no entorno da escola, os prefeitos, os secretários de educação,  os professores universitários, etc. Afinal, se é impossível existir sem sonhos, que comecemos a viver agora, começando por decodificar o nosso possível.

Imagem retirada do site http://liliacamposmartins.blogspot.com.br/2012/03/mais-um-pensamento-de-paulo-freire.html

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

De leituras e processos antropofágicos

A leitura de Rubem Alves é sempre leve e prazerosa. Cada palavra tem um sabor, um som que envolve os sentidos do leitor, fazendo com que queiramos ir mais uma página e outra e outra mais. Consumimos o livro, inexplicavelmente... em pouco tempo!

Esta semana, após a morte do educador brasileiro, marquei novo encontro com seus temas educacionais. Em "Ostra feliz não faz pérola" (Editora Planeta, 2008), deparei-me com um texto que preencheu os sentidos de outros textos: "Antropofagia" (p. 124). Uma multiplicidades de vozes dentro de mim significaram cada linha, à moda Roland Barthes, à moda Oswald de Andrade, à moda Valdo Barcelos. 

Rubem Alves menciona: "escrevo antropofagicamente: quero que me devorem. Eu leio antropofagicamente: quero devorar aquele que escreveu". Para o autor, leitura, literatura é antropofagia

Na educação, o processo caminha por esta estrada também. É o que o professor Valdo Barcelos denomina de "antropofagia pedagógica". Nesta, buscamos os elementos, os ingredientes, os temperos necessários ao nosso fazer docente. Assim como Oswald de Andrade, que defendia um "tupy or not tupy that is the question", Valdo Barcelos orienta que não precisamos ir além das nossas fronteiras, de nossos trópicos, para buscarmos um rumo para a nossa Educação. Ele defende a ideia de que já é tempo de termos "coragem intelectual de começar a pensar por nossa própria conta e risco". É preciso que nos apropriemos de nossos intelectuais, destes que vivem e pensam esta terra Pindorama

Afinal, se "antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade"*, é preciso que a encontremos novamente, a fim de construirmos outro panorama educacional para este país. Que a leitura de Rubem Alves e Valdo Barcelos nos consuma...


*trecho do Movimento Antropofágico, de Oswald de Andrade, disponível em http://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf


sexta-feira, 25 de julho de 2014

De perdas literárias

As palavras silenciaram neste mês de julho.... silenciaram as memórias, os passos pela casa. As bibliotecas esvaziaram-se na ausência dos poemas vívidos que habitavam as estantes. Agora, só seres de papel e arte preenchendo os espaços entre os livros e os leitores. 

Já não há mais a possibilidade do abraço, só o ficcional, para sempre o ficcional. Já não há como esperar o próximo lançamento - só o póstumo, com fragmentos do não dito mas sempre em tempo de encontrar os olhos, os ouvidos e o coração de um leitor à espreita, na expectativa de mais um instante de felicidade. 

Eu me entristeço com a morte. Nunca fui sua amiga. Ela roubou muito cedo uma de minhas maiores alegrias e eu nunca a perdoei por isso. Neste julho, ela levou três alegrias das artes brasileiras. Fecharam-se três grandes bibliotecas na nossa terra. Foram-se os autores de prosa e verso - já não há mais estrada para Suassuna, Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves. O caminho apagou-se um a um nestas últimas semanas. 

É certo, no entanto, que outros passos - seguidores destes mestres das letras -  continuarão recriando suas estradas. É certo, também, que nenhum deles saberá recriar tão bem e com tanta propriedade os universos de papel que estes escritores proporcionaram a todos nós. 

Que a leitura continue nos unindo!

"Não tenho medo da morte. Na minha terra, a morte é uma mulher e se chama Caetana. E o único jeito de aceitar essa maldita é pensando que ela é uma mulher linda."
 (Ariano Suassuna) 

"Quando eu morrer, não soltem meu cavalo nas pedras do meu pasto incendiado: fustiguem-lhe seu dorso alardeado, com a espora de ouro, até matá-lo."
(Ariano Suassuna - No poema "Lápide"). 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O ato de educar é uma semeadura*


Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
não é bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores
(Alberto Caeiro)


Nas minhas leiturinhas, aprendi que "o ato de educar é uma semeadura*". No entanto, para que isto aconteça de forma produtiva, precisamos aprender a cultivar, primeiramente, a nossa terra interior. Precisamos aprender a ver. Precisamos educar os nossos sentidos.

Aprendi muito nestas minhas leiturinhas, textos (ainda) pouco lidos nos espaços acadêmicos em geral, mas de grande ensinamento sobre a prática escolar, sobre a vida, sobre a educação como um todo. Rubem Alves me mostrou que "o ato de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido"* e que ensinar a ver é uma das primeiras tarefas da educação, seja na etapa de ensino que for. 

O educador Rubem Alves me mostrou também que "há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem"*; me mostrou que "há professores, pais, mães, instrutores que têm extraordinária capacidade de criar impotência de inteligência"*; que "há alguns que exibem seu conhecimento, seus saberes para humilhar os que ainda não sabem"*. Triste realidade esta que ainda vivemos em educação... Esta educação que deveria estimular o voo, o sonho, a alegria  - acaba por aprisionar toda a capacidade do homem. 

Lembrei-me destas leiturinhas que me ensinaram tanto por dois motivos esta semana. Rubem Alves, nosso grande educador brasileiro, está hospitalizado, talvez despedindo-se de todas as suas lembranças; certamente abrindo as janelas da alma para que todas as suas palavras ganhem vida em outros corpos. No meu, certamente estas palavras andam metamorfoseando as minhas linguagens - transformando palavras, sonhos em carne. O outro motivo - por demais especial - foi escutar de uma aluna que eu olho com carinho para os meus alunos e que este olhar permite abrir as portas da compreensão, deixa-os seguros. 

Acho que Rubem Alves me educou o olhar a ponto de me permitir ver em cada aluno um projeto de vida, sonhos, memórias, vivências, conhecimentos... me permitiu sonhar com a possibilidade de auxiliar o voo seguro... e esta é minha maior realização - a de ser gente, demasiadamente humana, nas minhas relações, na educação. Afinal, se "o ato de educar é uma semeadura"... eu quero semear o amor.


*ALVES, Rubem. Educação dos sentidos e mais...9ª ed. Campinas, São Paulo: Verus Editora, 2012.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

"Perder, ganhar, viver"

Quando o Brasil perdeu a tão sonhada copa de 1982, para a Itália, eu ainda não era nascida. Mas muito escutei falar da seleção maravilhosa que tinha tudo para ganhar o campeonato daquele ano. Era uma seleção admirável pelo que contam.

Carlos Drummond de Andrade, que acompanhou esta copa, após a perda do Campeonato de oitenta e dois, escreveu o texto "Perder, ganhar, viver". Neste texto, verseja o poeta sobre a arte da superação. Texto este muito apropriado para o que o povo brasileiro viveu esta semana, em casa, com a saída da Seleção Canarinho da disputa pelo primeiro lugar. Foram sete gols tomados. Uma goleada de lavar a alma alemã. Uma torcida tão sofrida e tão merecedora de alegrias como a nossa. 

Acontece que nós fomos programados para a vitória, para a disputa, não para aceitarmos a derrota. A derrota, no nosso imaginário, é sempre negativa, porque nós fomos "educados" para a competição. 

Na escola aprendemos a competir e competimos, em geral, vida a fora. Não aprendemos a trabalhar colaborativamente, a ganhar e a perder em equipe. Na escola, há notas altas, notas baixas, há aprovação e reprovação. Aquele que não acompanha, cai fora do campeonato. É burro!

Prova desta nossa educação para a disputa está nas vaias à Seleção. Nós, torcedores, perdemos junto com a nossa seleção. A Seleção que nos fez alegres tantas copas... que nos fará alegres tantas outras que virão. É preciso compreender que do outro lado do campo há méritos também.  É preciso compreender, ainda, que "não estamos de mãos vazias porque não ficamos com a taça do primeiro lugar. Ficamos com alguma coisa boa e palpável, conquista de espírito", como escreveu Drummond.  Afinal, para o poeta de Itabira  "a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida". Que nas Copas e na vida - dentro e fora de campo - possamos renovar as nossas esperanças e a nossa forma de estar e fazer o mundo.


O texto de Drummond referido na crônica pode ser encontrado no sitio:  http://www.clubedejazz.com.br/noticias/noticia.php?noticia_id=338

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Das contrapartidas no campo da Educação

Lembro-me do primeiro dia que fui para a escola. Tão grande aquele Colégio Padre Nóbrega que eu (já) imagina a dificuldade que seria subir aquelas escadarias até a sala de aula onde eu aprenderia a ver o mundo. Lembro-me da conversa franca dos meus pais, mostrando-me que  aquelas escadas eram o caminho mais fácil para "ser alguém na vida" quando se é desprovida de bens materiais. 

Na escola, o professor era sagrado. A professora Magda Elisabete Porto até hoje é uma deusa das descobertas alfabéticas para mim. Ela e sua amorosidade abriram as janelas dos meus olhos para o universo das letras. Com ela, escrevi e reconheci o meu nome. Com ela, aprendi que ensinar e aprender são verbos que caminham juntos, entrelaçados pelo amor que se dá no respeito ao outro, a si e a profissão. Com ela, eu quis ser boa aluna... com ela eu quis ser professora!

Neste universo entre a minha casa, a minha escola e o mundo, aprendi que estudar em uma escola pública requeria um pagamento, sim. Eu paguei cada centavo investido em minha educação. E não me refiro aos impostos, não! A minha contrapartida, o meu pagamento ao governo, foi aproveitar cada palavra, cada experiência, cada expectativa depositava nos meus estudos. Eu estudei para valer! Orgulho-me de nunca ter tido uma reprovação... orgulho-me de ser cria da escola pública, que com tantas dificuldades, me mostrou os melhores caminhos da vida. 

Advinda dessa escola (do Padre Nóbrega e do Cel. Pillar), aprovei duas vezes no vestibular da universidade federal. Na universidade pública, me formei em dois cursos de graduação, fiz mestrado e agora ingresso no doutorado em Educação. A minha contrapartida tem sido paga a cada novo investimento... 

Eu me orgulho de ser a primeira pessoa da minha família a fazer um doutorado, porque sei o quanto foi duro para meus pais, para meus irmãos, sobretudo para meus professores fazer com que eu chegasse até aqui. Eu sabia das dificuldades... o que eu não sabia e que fui descobrindo com o tempo é que para "ser alguém na vida" eu precisava adquirir bens imateriais, bens que o dinheiro não pode comprar, bens que mesmo não herdados são a maior herança que uma família pode deixar. Afinal, como sempre disseram meus pais, "o conhecimento é a única coisa que ninguém nunca nos tirará".

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.