Os fantasmas me
espreitam na entrada
da noite
assombram-me com
suas vozes e palavras
de espanto
fragilizam-me o
quanto podem
até vencerem-me pelo cansaço
Eu adormeço
de mãos dadas com
meus medos.
Sou (ainda) mais caneta e papel na mão. Sou lápis borrando a folha, sou giz, sou "errorex", "toque mágico". Sou livro entre os dedos. Sou teclado, sou máquina de escrever, sou um "plin" ao final da linha. Sou nova lauda diante do erro. Sou eletrola, rádio de pilha, toca-fitas. Mas bah! Sou blog em meio às novas tecnologias.
Os fantasmas me
espreitam na entrada
da noite
assombram-me com
suas vozes e palavras
de espanto
fragilizam-me o
quanto podem
até vencerem-me pelo cansaço
Eu adormeço
de mãos dadas com
meus medos.
A memória
da minha infância
é tecida de palavras
e esquecimento:
um pouco de mim
metade de outros.
Meus outonos revelam
quarenta voltas ao redor da terra
entre versos e narrativas
habito meu corpo, morada transitória de minhas descobertas
sou fogo e calmaria
luta e imensidão
sou tantas esperanças e sonhos e poesias inacabadas
rascunhos e páginas em branco
texto e enigmas
a cada folha que se despede das minhas estações
sou broto e resistência
sou, enfim, carne e osso
lágrimas e sorrisos
abraços e portos
aconchegos e despedidas
ao fim, eu sou.
a madrugada abraçou-me trazendo minhas dores de presente
revelou-as frente a minha fragilidade
havia poeira em muitos guardados
coisas que nem lembrava mais estarem sob minha tutela
aos poucos, visualizo cada uma dessas memórias
converso com elas
me dispo de amarras e trago à superfície a minha humanidade
a noite ainda me assombra e tenho vez ou outra medo de enfrentá-la
é neste momento que acolho as minhas lágrimas e converso com minhas ruminanças
há sempre um amanhã por chegar nas janelas da minha morada
há sempre sol invadindo a casa
quando a madrugada me abraça cheia de presentes,
caminho passos firmes ao nascer do dia
Nunca fui amiga da morte,
mas ainda tento reconhecê-la como parte dos meus ciclos:
morri muitas vezes e nasci no mesmo corpo outras tantas
superei-a, superando-me
como não a ver como parte do todo, em cada um...
como o certo fim que me habita?
Abro os olhos e deixo o verde-vento-céu entrar pela janela
Sou toda reflexão e poesia, verve e amor
aqui, a vida segue fazendo morada
Habitam-me tantas no meu corpo mutante...tantas histórias
que me resta concluir que
a morte segue em vida como memória.
Sem abraços e despedidas
partiu numa manhã
ensolarada de outubro
deixou pães de casa
sobre a mesa das memórias
doces de leite, chimias,
punhados e mais punhados de afeto
alinhavou as costuras do tempo
em retalhos coloridos
se multiplicou
desde então
refugiou-se em cada um dos que amou.
alguma vez
alguma vez, talvez
alguma vez, talvez, seja possivel nomear tudo isso que me levou.
alguma vez
talvez
me devolva para mim.
Minha primeira liberdade infantil
foi atravessar a rua da minha casa
e brincar na calçada do vizinho.
Era um mundo
Um mundo todo ali
na frente da minha casa.
Tenho gostado de mais de pessoas que me gostam de menos: Nunca fui boa em matemática.