terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!

Que esta seja uma data de renovar as esperanças de um mundo bom feito por gente do/e bem.

=D

Angelise.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


Primavera


Eis que as flores
ora palpitam dentro de mim....

são açucenas, lírios, jasmins

já não sou vento, nem verão
nem calmaria de invernos dormidos a dois
sou campo florido
semeado não mais ilusões

sou terra e semente
verde verve viração

Eis que as flores
ora exalam cheiro de mim.





By Angelise Fagundes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O outro, o outro...
indecifrável peça sobre a bancada
tão frágil frente a palavra....
o outro, o outro...







"Nada criei de novo.
Nada acrescentei às formas tradicionais do verso.
Quem sou eu para criar coisas novas,
por no meu verso, Deus me livre, uma invenção".

Thiago de Mello

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Leituras


Li... e me vi, sempre, sedenta por vida, por entrega ... e, agora, por paz.


O LIVRO DO DESASSOSSEGO - Fernando Pessoa

176.
Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a  monotonia de tudo. A monotonia de tudo não é, porém, senão  a  monotonia  de  mim. Cada rosto, ainda que  seja o de quem vimos ontem, é  outro  hoje,  pois que hoje não é ontem. Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo. Só em nossa alma está a identidade  -  a  identidade  sentida, embora falsa, consigo  mesma  -  pela  qual  tudo  se  assemelha  e  se simplifica. O mundo é coisas destacadas e arestas  diferentes;  mas,  se somos  míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.

O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir  ao que amo. Desejo partir - não para as  Índias  impossíveis,  ou  para  as grandes ilhas ao Sul  de tudo, mas para o lugar  qualquer  -  aldeia  ou
ermo - que tenha em si o não ser este lugar. Quero não  ver  mais  estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero  repousar,    alheio,  do  meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida,  e  não  como repouso. Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso  de uma  serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha  vontade  mo  não pode dar.

A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei,  porque  esta  tem  de cumprir-se, sem revolta possível nem  refúgio  que  achar.  Uns  nascem escravos, outros tornam-se  escravos, e a outros a escravidão é dada.  O
amor cobarde que todos  temos  à  liberdade  -  que,  se  a  tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o verdadeiro  sinal do  peso da nossa escravidão. Eu mesmo, que acabo de dizer que desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é  a  de  mim, ousaria    eu  partir  para  essa  cabana  ou  caverna,  sabendo,    por conhecimento', que, pois que a monotonia é de mim, a haveria  sempre  de ter comigo? Eu mesmo, que sufoco  onde    estou  e  porque  estou,  onde
respiraria melhor, se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?

Eu mesmo, que anseio alto pelo sol puro e os campos   livres, pelo mar visível e o horizonte inteiro, quem me diz que não  estranharia a cama, ou a comida, ou não ter que descer os oito lanços de escada  até à rua, ou  não  entrar  na  tabacaria  da  esquina,  ou  não  trocar  os bons-dias com o barbeiro ocioso?

Tudo que nos cerca se torna parte de nós, se nos infiltra na sensação da carne e da vida, e, baba da grande Aranha, nos liga subtilmente  ao  que está perto, enleando-nos  num leito leve de morte lenta, onde baloiçamos ao vento.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

 

É tempo de rever conceitos... reavaliar conclusões... refazer planos e reestruturar caminhos! É tempo de ser luz!




(Fonte:  google imagens)

Em tons de mim


Em tons de mim
me debruço em anseios
já não sou eu que caminha
em busca de verdes e sesmarias

é nova alma que me apresento
apagada de passados e projetos descartados

é um eu renascido que
reflete o espelho de mim
a espera de reconhecimento.

Em tons de mim
me descubro mulher,
amante, companheira
meus anseios...
buscas sem fim.
Meu começo é agora.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Poema de final de manhã

Há na janela uma flor contanto as horas
borboleteando esperanças
carente das demoras

Ao longe, a verde verve do poema
iluminando instâncias...




quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu que nem imaginava....

Eu nem imaginava

Tenho banhado minha alma neste mês de maio. Mesmo com considerável sacrifício de minha visão apoucada, tenho lido bastante. A Feira do Livro, o aniversário de Santa Maria, o advento de minhas tímidas e primeiras incursões pelo Facebook, tudo somado aos dias típicos deste outono ameno e seco, me têm trazido uma torrente de emulações boas e saudáveis. Não o espírito mesquinho da competitividade, mas como um invite de viver, solidário e fraterno.

A idade fez de mim um ermitão, um misantropo distante do calor das pessoas. Mantenho apenas essa comunicação que faço com os leitores através das minhas crônicas. Mas essa viagem é feita praticamente só de ida, pois os retornos são escassos. Não sei por que tipo de milagre, ultimamente, tenho recebido manifestações de simpatia. Sou desavezado a elogios e a exposições públicas. Sou tímido, mesmo que isso possa surpreender as pessoas. Até pelo telefone sou um péssimo interlocutor. Nunca tive qualquer pendor pela comunicação oral. Sou de preto no branco. Sou escriba. Sou letrista e tenho predileção pela palavra grafada, e pela melodia do fraseado.

Por que faço essas confissões públicas? Porque as feiras de livros e o Facebook me têm revelado tantos talentos literários novos, que eu nem imaginava existirem. É uma nova e brilhante geração de intelectuais que está aí, brotando as mais promissoras vergônteas literárias. São pessoas que ainda não se atreviam a vencer as barreiras da timidez e as peias da autocrítica exagerada. São promessas que recém se firmam sobre as próprias pernas para essa infinda caminhada pelo mundão das letras.

Como é bom isso! O Facebook, nos últimos dias, me traz, por exemplo, a revelação da sensibilidade e da beleza dos versos de Angelise Fagundes, que eu nem sabia existir. São poeminhas pequenos, poemetos, no sentido de sua curta extensão vocabular, mas de grande profundidade lírica, poética, de criatividade, enxugados até a essência dos versos. Guardem o nome dessa poeta que não sei se é ainda uma jovem ou uma senhora em pleno sazonamento da vida. Qualquer que seja a sua cronografia, seu versejar é de gente grande!

A propósito, certa vez uma pessoa cumprimentou Mário Quintana com perigosa e temerária expressão:

– Parabéns, gostei muito do seu poeminha!

– Obrigado pela sua opiniãozinha...

Tenho medo de usar diminutivos sobre as obras alheias.

Constatação

Tenho gostado de mais  de pessoas que  me gostam de menos:  Nunca fui boa em matemática.