Estou nas últimas páginas de "A eternidade e o desejo", de Inês Pedrosa. Descoberta de 2013, me envolvo entre seus narradores intercalados, múltiplos. São mulheres, são homens - humanamente revelados nas não ditas palavras e nas ditas de corpo inteiro.
Nesta obra, revisitei Antonio Vieira. Que lindo vê-lo assim, no intertexto - conectando sua poesia no fio de minha narrativa interior. Vê-lo através da narração de uma cega - Clara - tão carente de vivências, de amores, tão apaixonada pelo passado que não foi, que já passou. Ver a iminência dos atos, do não realizado, do (a) realizar-se. Com Clara e Sebastião, no calor da Bahia, fui a Portugal e me deleitei em imagens conhecidas do Brasil. Caminhos percorridos pelo leitor inquieto... lembrei-me dos tempos de Literatura portuguesa e os sonhos com as ruelas de Queirós, de Pessoa... os sonhos me movem.
Sim, é verdade! Quando leio, me leio. Construo meu universo literário de imagens, de palavreados, de palavrimagensonoras. Eu (realmente) desafino. Não sou de canonizar meus pensamentos. Eu os reviro. E virando-os, dou vida ao simples caminhar das horas. Caminho com a mão ao lado, carente de demoras...de entregas...A vida - foi escrito - foi feita para encontrar. Eu encontro. As cegas. E tenho medo do que não vejo nos livros.
No livro aberto, deleito-me nos poemas que ainda não fiz...na poesia que me inunda... nos caminhos que virão...enquanto o próximo livro de Inês me espreita da estante, no instante.
Sou (ainda) mais caneta e papel na mão. Sou lápis borrando a folha, sou giz, sou "errorex", "toque mágico". Sou livro entre os dedos. Sou teclado, sou máquina de escrever, sou um "plin" ao final da linha. Sou nova lauda diante do erro. Sou eletrola, rádio de pilha, toca-fitas. Mas bah! Sou blog em meio às novas tecnologias.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
Cyndi Lauper foi o tema de minha infância. É, eu sou dos 80.
Eu corri de bici na rua do Fontoura Ilha, tomei pepsi e masquei bolin bola.
Dormi ao som de cururus e histórias fantásticas. Fiz turismo no cemitério
municipal. Eu fui, eu sou feliz... e morro de saudade das conversas na sacada
da rua Padre Pedro Luis... intermináveis madrugadas construindo amizades.
Saudades do teu abraço Adriana Fernandes, do teu abraço Alexandre Fernandes e
do teu abraço Elizandra Fernandes.
É impossível não amar vocês!
sábado, 6 de julho de 2013
Dos silenciamento e suas implicações
Silenciar é fechar os olhos para nós mesmos. E silenciando, nos perdemos dos caminhos, dos nossos caminhos.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Carta a quem chega e é bem-vind@!
Carta a quem chega e é bem-vind@!
Querid@ sobrinh@,
É provável que daqui três ou quatro anos tu estejas recém juntando as
primeiras vogais, escrevendo teu nome. Teu nome – tão importante mesmo antes de
te conhecer, de saber se te direi “meu”
ou se te direi “minha” (viste, sou possessiva – é excesso de amor!). Tu ainda
não lerás minhas escrituras, meus segredos – mas já serás leitor de meus olhos
– apaixonados por ti, luz de nossas vidas.
Hoje são 4 de julho de 2013. Há
dois dias ensaio um poema para brindar tua vinda. E vida, inunda minha
madrugada insone. Estou feliz e sonho acordada! És poesia, acredite! Mas meus dedos prosas teimam em escrever para o
teu futuro.
Teu futuro... nosso futuro...
Quero que saibas que sempre te
amei. Te amo de outros tempos. Fui destinada a ser a guardiã de teus brinquedos
imaginários, de brincadeiras de faz de conta, de bolos e comidinhas de
verdade... prometo nos aventurarmos por bibliotecas e mundos encantados...lá,
fantasia engrandece a gente...vamos ser grandes junt@s?!
Teu futuro... nosso futuro...
É provável que um dia leias esta
carta – que a leiam para ti, que leias para teus amig@s, para teus avós. Cada
letra foi um “bem-vind@”! Em cada letra, saiba – em cada sentimento que
movimentou cada letra na página em branco do papel – era amor, puro amor.
É certo que por ti me moverei...
nos moveremos todos... nos tornaremos melhores já da tua chegada, porque por ti
– por ti e pelos teus primos – toda terra é campo fértil para primaveras em
nossas almas.
É tão maravilhoso ser tia!
É tão maravilhoso ser tia!
Ser tua tia!
Tia Lise.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Para o dia dos Namorados
Eu sempre quis um amor que...
me esperasse de porta aberta e sorriso largo
sem medo de tempestades e com coragem de super-herói
me segurasse a mão e caminhasse junto em tempestades e dias de sol
sempre quis um homem metade senhor, metade menino
sem metades para o amor
sempre esperei um amor que me amasse por inteiro
quisesse cem por cento de mim
e desse cem por cento de si mesmo
que sonhasse futuros
e desejasse presentes
sem deixar de ser hoje o passado que o formou
sempre sonhei com um amor que desse flores imaginárias
em dias de não ser
que me acordasse iluminado de desejo
e fosse dormir com vida nos olhos
sempre quis um amor que amasse a vida
que inspirasse poesia e poesia fosse
e poesia escrevesse nas minhas curvas
sem receio dos rabiscos, dos traçados
das versões finais...nem sempre bem acabadas
sempre quis um amor que não temesse o erro
mas que sobretudo não temesse reconhecer ter errado
que fosse honesto nas palavras
e mais honesto ainda nas atitudes
sempre quis um amor que fosse diálogo
entre os corpos, entre as almas, entre os olhos
sem meias palavras
frente a frente
cara a cara
sempre quis um amor que me fizesse sonhar
sonhar assim... sem medo
simplesmente sonhar.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS, AMOR!
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Inês Pedrosa Again

Pois lindo foi deparar-me com ela, refeita.
"A eternidade e o desejo" além de abarcar metáforas lindas criadas pelos narradores Sebastião e Clara - traz, em sua teia literária - uma costura com os Sermões de Vieira.
Eis o fio que não nos deixa perder as páginas seguintes...
Descobrimos, por fim, que nossa cegueira é imensa...que Inês se recria e que Vieira é eterno.
Quer conhecer o "recheio" do livro"? Leia aqui... e não perca as próximas postagens!
De mim
Sou emoção. Sou um turbilhão de emoções.
Se as mulheres em geral proferem 5000 palavras por dia, na contrapartida das 1500 ditas pelos homens..nos dias a flor da pele, sou o dobro. Sou catártica em cada verbo!
Não rumino meus nós. Eu os aperto. Eu os esgarço entre minhas entranhas.
No emocionar, nos deparamos nuas na frente de nós mesmas... e não é possível nem preciso mentiras - todo diálogo é uma confissão. Eu me absolvo e me condeno em meios aos meus pecados... não preciso testemunha.
Me perco. Me acho. E neste ir e vir de mim, descubro meus desamores.
Já não quero mais não sonhar... de realidades, os fracassos estão cheios.
Por favor... me encontre na / com a alegria!
=D
By me for me,
Ange
domingo, 12 de maio de 2013
Para o exercício da licença poética
"De ontens e de mins" - para uma poesia do presente
Minha infância tem o movimento dos rios, de peixes e pandorgas
tem Cinco Marias pescadas no céu de muitas histórias.
Tempo de alegrias e videogames, meus passos de menina
correm pega-pega a rua de minha casa...
correm bonecas,
rolimãs e carrinhos formados de vento.
Minha infância tem cheiro de comidinha de faz de conta
tem roupas de mãe ...
futuros sonhados em passos de vir a ser.
Foi na bicicleta de minha infância
que me descobri,
primeira vez,
criança-alada.
Angelise Fagundes, poesia escrita durante a a formação do PNAIC, na UFSM, em maio de 2013.
Minha infância tem o movimento dos rios, de peixes e pandorgas
tem Cinco Marias pescadas no céu de muitas histórias.
Tempo de alegrias e videogames, meus passos de menina
correm pega-pega a rua de minha casa...
correm bonecas,
rolimãs e carrinhos formados de vento.
Minha infância tem cheiro de comidinha de faz de conta
tem roupas de mãe ...
futuros sonhados em passos de vir a ser.
Foi na bicicleta de minha infância
que me descobri,
primeira vez,
criança-alada.
Angelise Fagundes, poesia escrita durante a a formação do PNAIC, na UFSM, em maio de 2013.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Sin palabras
Com o tempo, nosso ouvido, nossos olhos, nossas emoções vão sendo aguçados ou perdendo a sensibilidade diante do mundo. Há dias venho pensando no poder que as palavras exercem sobre nós. O quanto nos moldamos diante delas.
Rubem Alves, uma de minhas leituras mais cálidas, coloca que as palavras moldam o nosso corpo. Como homens, são elas que nos humanizam (ou não). Nós somos diante do mundo um universo inteiro a ser descoberto.
Mas é preciso não ter ilusão!
A correria do mundo levou do homem a capacidade de olhar à frente, ao lado. Há um "nãoseimportar" comendo a vida das pessoas.
Preciso confessar que isso me aterroriza. Eu sou um ser de palavras. Elas me moldaram, mas não me fizeram cega, nem surda. Eu vejo e sinto as pessoas (e suas energias) nas suas palavras e nos seus silêncios. Me dói saber dos homens suas fraquezas, suas essências tão perversamente modificadas...
A vida, às vezes, carrega azedume nas almas.
Algumas pessoas, diante do fel de suas fraquezas, descarregam na alegria da gente suas palavras forjadas a facão, seus silêncios de apagar caminhos.
Frente a isso, vários caminhos...
Já não mais acreditando que "águas passadas não movem moinhos"... Movem o de muita gente que se prende a estes, a sua estrutura, a sua composição, ao seu movimento.
Meu moinho tem água nova, tem movimento de quem quer a alegria dos dias...sorriso na cara, verdade na alma. Diante de "palavras" e silêncios, sou nova lauda.
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Constatação
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