terça-feira, 13 de agosto de 2013

Em férias, todo dia é de poesia - toda escrita parte de mim.

Estou nas últimas páginas de "A eternidade e o desejo", de Inês Pedrosa. Descoberta de 2013, me envolvo entre seus narradores intercalados, múltiplos. São mulheres, são homens - humanamente revelados nas não ditas palavras e nas ditas de corpo inteiro.

Nesta obra, revisitei Antonio Vieira. Que lindo vê-lo assim, no intertexto - conectando sua poesia no fio de minha narrativa interior. Vê-lo através da narração de uma cega - Clara - tão carente de vivências, de amores, tão apaixonada pelo passado que não foi, que já passou. Ver a iminência dos atos, do não realizado, do (a) realizar-se. Com Clara e Sebastião, no calor da Bahia, fui a Portugal e me deleitei em imagens conhecidas do Brasil. Caminhos percorridos pelo leitor inquieto... lembrei-me dos tempos de Literatura portuguesa e os sonhos com as ruelas de Queirós, de Pessoa... os sonhos me movem.

Sim, é verdade! Quando leio, me leio. Construo meu universo literário de imagens, de palavreados, de palavrimagensonoras. Eu (realmente) desafino. Não sou de canonizar meus pensamentos. Eu os reviro. E virando-os, dou vida ao simples caminhar das horas. Caminho com a mão ao lado, carente de demoras...de entregas...A vida  - foi escrito - foi feita para encontrar. Eu encontro. As cegas. E tenho medo do que não vejo nos livros.

No livro aberto, deleito-me nos poemas que ainda não fiz...na poesia que me inunda... nos caminhos que virão...enquanto o próximo livro de Inês me espreita da estante, no instante.