domingo, 29 de setembro de 2013

Para Antônia, que amo tanto!



Antônia,


É tão bom saber que vens que faltam-me palavras para dizer da minha alegria. É algo inexplicável, como um encontro que esperamos há tempos. Não sabemos o que vestir, como arrumar o cabelo, como movimentar o corpo, os gestos - porque a alma está em festa. Há uma agitação em meu espírito. Te espero desde outras primaveras.



Já consigo te ver luz, iluminando toda uma existência. Teus pais serão outros. Já são, saiba! Desde que souberam que virias, passou a circular uma energia ainda mais bonita entre eles. Tua chegada anuncia tempo bom. Há uma alegria que logo verás nos olhos deles, teus maiores companheiros, teus amigos de (e para) uma vida toda. 



Teu pai já respira tua vinda. Agora, tem jeito e sonhos de homem que semeia laços e colhe abraços que só se faz em família. Vejo o espírito dele sossegado, preparado para te receber. Em anos, é como se visse meu pai novamente, acredite. Ele será inesquecível para ti como foi comigo e como nosso pai foi para a gente. Confie em mim!



Tua mãe te deseja visivelmente. Tua estás nela, refletida. E cada centímetro teu, cada centímetro que cresces - ela se descobre em meio a um amor inesgotável, imensurável. Tua mãe será teu porto seguro. Firme e amável saberá sempre te conduzir pelo bem. É lindo ver o caminho que te recebe... e ela, a tua mãe, te espera de braços abertos.



Eu, tua dinda... te espero em poesia, te espero corpo e espírito...te espero para estar, nesta vida, sendo o apoio, a palavra, o leme, a luz que  precisares, em cada momento que precisares, que desejares. Te espero para caminharmos juntas...



Tu Antônia, que te traduz "amiga inestimável" será para mim mais um presente (como são os teus primos), mais uma oportunidade para me tornar melhor, para aprender a viver melhor...cresceremos todos juntos!



A ti, Antônia...a ti que já me fazes tão bem, que já me trazes tantas alegrias... obrigada!

domingo, 22 de setembro de 2013

O Tempo e o Vento: leituras e emoções.

Em pleno 20 de setembro, dia do Gaúcho, uma semana antes da estréia no restante do Brasil, estreou em todos os cinemas do Rio Grande do Sul o filme "O Tempo e o Vento", filme baseado no romance histórico de Érico Veríssimo. A qualidade da produção é inquestionável. Foi feito um investimento para gaúcho nenhum botar defeito... 

Nas salas de cinema lotadas, misturaram-se pessoas de todas as idades. Idosos, adultos, jovens e crianças formaram filas e filas para ver uma das mais importantes representações literárias do nosso país. Eu, que sou de fiar o tempo em meio as páginas dos livros, fui conferir a produção. 

Não sei como seria ver o filme sem ter lido todos os sete tomos escritos por Érico Veríssimo. Eu devorei, avidamente, "O Tempo e o Vento"  Com Ana Terra, senti os ventos que traziam os mortos de todos os tempos para dentro do sobrado e para as ruas de Santa Fé. Com Bibiana, me apaixonei pelo Rodrigo quando este entrou no vilarejo e chorei com ela e Bolívar junto a sepultura do Capitão. O Continente I é, sem dúvida, uma narrativa marcante para mim. 

Eu que sempre fui de histórias, vi no capítulo "A Fonte" a formação do Rio Grande do Sul. As matrizes platina e lusitana entrelaçadas no nosso sangue de gaúcho, representados por Pedro Terra - fruto do amor de Ana e Pedro Missioneiro, descendentes de bandeirantes portugueses, índios e castelhanos respectivamente. Li na obra de Érico a peleia que marcava a década de 30 no nosso estado: de uma lado, o Instituto Histórico do RS, afirmando nosso laço lusitano, brasileiro, excluindo todos os demais tentos. De outro, Manoelito de Ornellas olhando nosso formação para além dos nossos contornos geográficos à época da revolução guaranítica. 

Há narrativas que contam a vida da gente, a vida que, de alguma forma, configura-se como a vida da gente. "O Tempo e o Vento" é uma destas narrativas que são nossa representação como povo. Nela percebemos toda a configuração de nossa história, de nossa cultura, do tipo social sulino.

Eu, leitora de Érico... eu que não consegui ver o filme de Jayme Monjardin sem relacionar as duas formas de representação: a literária e a cinematográfica...eu, leitora de Érico, que me emocionei na primeira cena do filme... que me emocionei com o olhar de Fernanda Montenegro como Bibiana.... que me apaixonei pelo Capitão Rodrigo de Thiago Lacerda - Eu recomendo o filme! Não há como não sair, depois de tanto tempo sendo cara e corpo de Tarcisio Meira, com um Rodrigo renovado... ainda mais bem interpretado. 

Depois do filme (depois da obra de Érico Veríssimo), permanece na memória a roca, o fiar e o tempo... para tecermos nossa caminhada diante das infinitas leituras que o mundo e as palavras nos proporcionam...sempre ao embalo do vento!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Das mudanças


Navegar é preciso, versejou Fernando Pessoa em uma de suas mais conhecidas poesias. Em meio ao turbilhão de eventos de nossa vida moderna eu diria: mudar é preciso, mudar sempre é preciso. Mudar é uma condição para que haja vida... 

A própria natureza foi programada para este tipo de configuração temporal, se repararmos. A cada dia nos tornamos um pouco mais maduros para a vida. As experiências vividas nos mostram os caminhos, nos auxiliam nas escolhas, moldam nossas realidades. Experenciar é viver e viver é um conúbio com o tempo, no tempo, para o tempo. 

Estas questões de temporalidade me fizeram recordar "O Curioso caso de Benjamin Button", filme protagonizado por Brad Pitty. Neste filme, Button enfrenta o tempo e a finitude que marcam o ser humano numa inversão interessante. O personagem nasce velho e vai rejuvenescendo com o passar dos anos, morrendo bebê. O ápice de sua maturidade está na juventude bem vivida entre os braços de Daysi. Sem levar em conta as questões que implicariam esta inversão na vida dos demais, no destino dos demais, é significativo pensarmos a experiência. É o inverso de morrer, sem abandonar a morte diária de nossas perspectivas. Caminhamos para nos tornarmos mais velhos, Button caminhada para se tornar um recém nascido. Metáfora interessante se buscarmos o sentido da vida, de nossa vida: para onde caminhamos afinal?

O fato é que a mudança está abraçada com a morte. A morte como algo natural. Quando mudamos de casa, abandonamos nossa morada antiga e (re)significamos novos espaços. Quando fazemos aniversário, mudamos nossos números e deixamos o tempo fazer seu trabalho, marcando nossa face com suas estrias. Mudar é natural. Mudamos sempre.

A grande questão em mudar - seja a mudança que for - é estarmos abertos e de coração limpo para o que precisarmos dar sentido novamente. Mudar é se permitir ser outro, renovado, outra vez e sempre e sempre que preciso for, mudar e mudar de novo. 

E quando as mudanças deixam marcas queridas no caminho, guardar a memória e a presença em espaço muito especial para rememorar, reviver, reencontrar. Afinal, em mudanças, há sempre uma camisa que deixamos na casa antiga, sempre uma fotografia da rua de nossa infância, sempre um amor que não se apagou, sempre uma possibilidade de retorno.


google imagens

terça-feira, 3 de setembro de 2013

De sabores e leituras para um primeiro encontro

Ler, já escreveu Paulo Freire, vai além de decodificar as palavras. A leitura nos permite ampliar saberes, visões acerca do mundo, das coisas, das pessoas, das circunstâncias. Ler nos permite entrar no mundo mágico da imaginação e dar voz, cara, cor e cheiro aos nossos personagens. A leitura é um pomar de sabores diversos que buscamos conforme nossa fome. 


Para além deste “abrir a janela” e ver o que há na rua, nas casas a volta, atrás dos montes e no caminho do horizonte – a leitura é carregada de temperos e de descobertas sobre quem somos. Ler é estar frente a frente com o reflexo de nós mesmos.

Importante saber que na leitura não é o autor o grande personagem da trama. Ele é coadjuvante, prato secundário na mesa de nossas preferências. Roland Barthes, em “A morte do autor”, revela que é com o leitor que o texto ganha forma e manifesta seus sentidos. Para Barthes, “o leitor é o espaço exato em que se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que uma escrita é feita". Aqui, cada sentido pertence a aquele que me lê neste espaço. E juntos somos uma biblioteca inteira.

Nossa leitura é encontro. É no texto que nos (re)conhecemos. Eu, escriba e você, leitor, que preenche os espaços e reconhece o sabor de minhas intenções. Sim, meu texto é carregado de sabores – você os verá e os reconhecerá palavra a palavra. São palavras recheadas de poesia, cuidadas com mãos de romance. Há temperos de outras paragens, de outros tempos, sobrevividos aos temporais e secas de minha memória. São leituras de outras leituras – uma rede de sentidos que só acontece quando o jornal ganha as ruas e as mãos dos transeuntes... quando o leitor decide me encontrar no espaço da página.

Leitura é prazer. Prazer em conhecer-nos.  



Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...