sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 4

Nos tornamos reféns dos padrões. Precisamos estar na moda, ser suficiente magra, bem sucedida. Precisamos, às vezes, até sem saber o porquê. Precisamos pelo simples fato de que está posto. Não refletimos sobre isso... seguimos a onda, apenas. Fugir de quaisquer destes caminhos é mergulhar no profundo rio da crítica, seja feita por nós mesmos, seja por outras pessoas.

Recentemente ganhou nota em muitas mídias o fato de uma menina de Canguçu (RS) ter se inscrito (ou sido inscrita) para o Concurso Garota Verão. Até aí, nenhum problema, não é? Muitas meninas desejam desfilar  e sonham em ser modelos. Acontece que a Vanessa estava fora dos ditos padrões. Virou manchete, nota, postagem no Facebook! Para surpresa de muitos e para a certeza de que algo ainda se pode salvar neste mar de insanidade, Vanessa foi lá e arrasou. Desfilou para mostrar que não existe padrão para a boniteza do que ela é.

Se o manequim é 36 ou 46  - não importa. A alegria de se fazer o que se quer, de ser quem se é não cabem em um número, nem podem caber dentro de um padrão. A moda muda, o "padrão" de beleza (imposto) muda e ser bem sucedido nem sempre está em alta. Mas ser feliz,  independente do que os outros vão pensar, não tem preço.

Que a Vanessa seja a primeira Garota Verão a nos libertar destas amarras!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 3

"Marco Archer Moreira. Brasileiro. Condenado a pena de morte. 
Morto na Indonésia no último dia 17". 

Os dias que antecederam e sucederam o assassinato do brasileiro na Indonésia foram de inúmeros comentários nas redes sociais. Procurei me abster de qualquer manifestação no fervor da notícia, pois estes temas costumam gerar (ainda mais) conflitos no campo das comunicações. É como política, religião - todo mundo quer manifestar seu ponto de vista acreditando em sua capacidade de ser respeitoso com o outro, mas se o outro divergir de opinião, os argumentos ganham unhas afiadas e há uma imposição em cada palavra. Pois bem...

No país em que vivemos muitos são condenados a pena de morte diariamente. Alguns, ao nascer, já tem tempo de vida pré-destinado. E nós pouco nos lembramos disto, não é verdade?! A pena, às vezes, é a fome que bate a porta; outras, o tráfico que teima em tomar posse; em inúmeras oportunidades, é a falta de acesso a saúde, a educação. Muitos brasileiros morrem no nosso país diariamente condenados por suas penas. Há inúmeras formas de morrer!

Eu sou contra a pena de morte seja ela onde for, com quem quer que seja. Simples de explicar o porquê: eu sou favorável a vida. Ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém, por maior erro que esta pessoa possa ter cometido.  Isso me faz lembrar de uma entrevista feita ao Humberto Maturana que li recentemente. Ele conta que na sua sala de estudos tem na parede um quadro com a Declaração dos Direitos Humanos e que a estes direitos ele acrescentou mais dois, que percebe serem pertinentes a nossa constituição humana. São eles: o direito de errar  e o direito de mudar de opinião. Para Maturana, estes direitos são uma forma de ampliação da aceitação do outro, pois "se não podemos cometer erros, não podemos corrigir erros". 

Eu acredito na mudança constante que nos move. Acredito que muitos educadores que vi posicionando-se favoráveis a pena de morte, a violência, mover-se-ão em direção ao outro e a si mesmos. Acredito que nos humanizaremos no espaço amoroso de nossa convivência e assim não precisaremos mais morrer na falta de nós mesmos. 

(...)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 2



Por este dias fui presenteada com o livro "Tan Veloz como el deseo", de Laura Esquivel. Leitura fluida e prazerosa, o livro da escritora mexicana tem me feito pensar sobre as palavras, sobre o poder que as palavras têm no nosso conviver. 

Júbilo, personagem central da obra, tem um dom especial. Ele consegue mediar as palavras, consegue escutar mais além do dito. Ele percebe as intensões, os pensamentos e o ânimo de todos. Ele traduz, assim, os sentimentos que as palavras carregam, o sentimento das pessoas e com isso ajuda estas pessoas a comunicarem-se com os demais, a reconciliarem-se com os demais.

Júbilo é um bom exemplo daquele que faz valer o conviver. Na obra, ele é filho de uma imigrante espanhola e um descendente  dos antigos povos maias. Com a mãe, fala espanhol. Com a avó, o "maya". Ele é a ponte entre a avó e a família. E nesta ligação, tenta fazer com que sua mãe e sua avó superem problemas interculturais. Ele faz com que ambas vivam em harmonia, pois ao traduzir o que as matriarcas dizem - ele traduz apaziguando as palavras.

É preciso ser um pouco Júbilo na nossa essência, penso eu. Ao nos comunicarmos, precisamos pacificar as palavras. Há tantas formas de dizer as coisas, não é?! Dizê-las com o intuito de construir pontes e alegrias me parece ser um caminho bonito. Escutar, falar e escrever como quem ama... minha escolha para o ano que recém engatinha.  


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Reflexões sobre o viver - parte 1

Toda vez que ligo a televisão perco um pouco de fé na humanidade. A televisão sangra. É noticia triste atrás de noticia triste. 

Esta semana o mundo voltou-se para a França. Lá, o humor perdeu a graça após um atentado que matou doze pessoas. Doze vidas cheias de sonhos para 2015, sonhos estes que não se concretizarão.

Aqui, as coisas não são diferentes. As motivações é que são. E estas motivações levam planos, destroem famílias, aniquilam projetos. Estamos desaprendendo a conviver. Não sabemos mais como nos relacionar com as pessoas, é incrível. É por isso que insisto na frase: "precisamos nos humanizar urgentemente!" É o único caminho a meu ver.

Mas humanizarmo-nos requer que mudemos, também, nossa forma de viver, de estar no mundo (neste mundo!), de nos comunicarmos com o mundo, com as pessoas. Nós só evoluiremos como espécie na medida em que incorporarmos em nossas práticas algo que já compõe a nossa biologia: o amor. Mas este amor não é o amor romântico que já fez muitos e muitos jovens suicidarem-se séculos atrás. É o amor proposto nas formulações de Maturana. O amor como o respeito ao outro como legítimo outro na relação.

Existindo o respeito como componente primeiro de nossas ações, no nosso "linguajear" - a televisão ganhará mais espaço para coisas leves, para o prazer. Notícia triste pode até virar ficção. Que bom seria... que fosse a tristeza da violência apenas realidade em papel.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Um poema para iniciar o ano

Um poema para iniciar o ano
apenas um poema que caiba o mundo
e suas expectativas 
que caibam as pessoas
que caibam os sonhos
que caibam as esperanças

apenas um poema para iniciar o ano
que salve a alegria pelos próximos trezentos 
e sessenta e cinco dias

um poema que ilumine o céu
e acalme os mares
que seja gozo e rima e caminhos

um poema que abrace e aproxime
e seja encontro
e seja presença
e seja olhos nos olhos
e aperto de mão

um único poema
para que a vida seja (mais) poesia.

Fonte da Imagem: http://radioboanova.com.br/wp-content/uploads/2014/12/ano_novo.jpg 

Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...