quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Aos meus alunos de Itaqui

Nunca imaginei que aos 30 anos, iniciando minha vida profissional no ensino superior, receberia uma homenagem tão bonita como a que os alunos de Itaqui me proporcionaram. Ser patronesse de uma turma é uma homenagem e tanto. Muitos professores com longa experiência na academia nunca tiveram este reconhecimento, este privilégio, esta felicidade. Eu estou transbordando de alegria!

Diante da homenagem, fiquei pensando nos porquês de uma escolha destas. Lembrei da minha história, do motivo que me levou a votar na professora Maria Tereza Marquesan como madrinha da minha turma de espanhol, do professor Pedro Brum Santos como o padrinho da minha turma de português. E, ao lembrar, me dei conta que eles foram escolhidos pelo bem que me fizeram como professora em formação. Ensinaram-me muito sobre a arte de trabalhar com gente. Meus mestres são pessoas que me cativaram no (e com o) seu linguajear*.

Mas eu não tenho nem um terço da experiência dos meus mestres. Eu apenas segui o meu coração e estive perto, o mais perto que pude. Tentei ser presença e fazer-me presente. Eu acredito muito na educação, acredito muito na educação a distância - mas não há nada em que eu acredite mais do que a educação feita com amor, com respeito e com colaboração, com parceria entre professor e aluno.

Com os meus alunos de Itaqui aprendi a ser uma professora melhor. Com os meus colegas de Itaqui, faremos uma educação melhor. A turma levará o meu nome, mas mais do que isso - eu os levarei em meu coração para sempre. Meus eternos alunos, meus amigos, meus colegas. 

*Termo usado por Maturana,

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Aprendendo a viver

Karina decidiu viver chique. Todos os dias posta em seu blog dicas para ficar bonita, para ajudar a outras meninas a ficarem bonitas também. É uma beleza compartilhada! 

Para muitos, as dicas virtuais da menina poderiam ser receitas naturais destes nativos digitais que vivem conectados, nas redes, inventando, criando e recriando realidades. Para Karina, são motivo para seguir. É uma opção de sobrevivência diária. Karina é uma jovem de 14 anos, brasileira, que vive em Boston, Massachusetts. Karina tem câncer no osso de uma das perdas e viu na maquiagem um motivo para sorrir e superar as suas dores. 

Com o auxilio da tecnologia - Karina decidiu criar um blog para compartilhar suas dicas de beleza com outras meninas que passavam pelo mesmo problema que ela. O blog é tipico de uma adolescente! São videos, fotos e narrativas que ensinam como se maquiar, como usar lenços e bijus. É um blog que tem como objetivo auxiliar as pessoas a ficarem bonitas, independente da circunstância. 

Para Karina, não trata-se apenas de um blog. É um espaço de inspiração, de descoberta de nossa inspiração, nossa força interior e fazermos dela nosso próprio estilo de vida.

Com Karina, se pode aprender a viver. Com Karina se pode aprender a viver. Vivamos!


Blog de Karina: http://chicbykarina.com

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

De pisos e construções - para uma valorização do que é nosso

Ao acompanhar as notícias do estado esta semana, li que o piso regional teve um reajuste de cerca de doze por cento e este reajuste entra em vigor a partir de primeiro de fevereiro. Muito se ganha com este aumento salarial. Os trabalhadores de diferentes ramos podem dar-se o luxo de viver um pouco mais que apenas trabalhar para pagar contas e impostos. O governo também sorri com o movimento econômico decorrente desta "injeção" monetária. É bom para todos. 

Porém, entre os trabalhadores que receberão este reajuste, não encontrei os professores. Por lei, o piso salarial do magistério já deveria vigorar desde 2008, quando a lei foi sancionada. No entanto, o mesmo governador que ajudou a criar esta lei, não a cumpre em nosso estado. Uma lástima! Fico entristecida como nosso país faz pouco caso da educação...

E isso não se refere apenas a dar um salário digno aos professores Brasil afora. Trata-se de reconhecer o papel deste frente a sociedade, trata-se de valorizá-lo diante da nação, proporcionando uma boa formação inicial e continuada, espaços dignos de trabalho, possibilidade (e tempo) de planejamento e projeção da carreira docente. 


Vale salientar, também, que em meio a isto, o professor também tem que cumprir o seu papel profissional. A falta de uma coisa não pode diminuir a outra - neste caso, a falta de pagamento do piso não pode ser motivo para que os professores neglicenciem no processo de ensino e de aprendizagem de milhões de crianças, jovens e adultos de nossas escolas. É preciso que o professor, com sua voz, crie espaços de reflexão capazes de transformar sua (nossa!) própria realidade. 

Em meio a este quadro que não evolui, penso no quanto temos que ser construtores de realidades, não apenas de possibilidades. É preciso mais do que pensar grande. É preciso realizar. E realizar em Educação é, desde agora, fazer um país diferente. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Das frustrações

Eu ainda não havia ido para a escola quando tive minha primeira frustração escolar. Precisava de idade para habitar aquele universo de descobertas e eu era muito nova para sonhar alfabetos e palavras. Na dúvida de minha aceitação, decorava poesias lidas pela minha mãe. 

Aceita, frustei-me quando a professora da primeira não nos acompanhou para a segunda série. Ela foi maravilhosamente encantadora e não queríamos nos apartar de seu olhar de mãe amorosa. A professora Magna Porto foi professora que dava asas...

Na quinta-série, em uma escola maior, frustrei-me com a quantidade de cadernos, de exercícios, de professores. Poucos souberam cativar nosso coração moleque. Lembro-me da professora de matemática ensinando-me palavras novas, ampliando meu vocabulário juvenil. Ela disse, frente aos meus cálculos: xexelento, teu caderno é xexelento. Impossível esquecer esta palavra!

Na oitava, mudanças tiraram a professora Tânia de nossa aula. No ensino médio, literatura virou decoreba, filosofia não era para todos, matemática apavorava. Frustrações. Nesta época, sonhava com tempos melhores nos bancos da universidade. 

No entanto, em muitas aulas, esta escola de ensino superior reproduziu muitas frustrações vividas na educação básica. Frustrações na ordem do humano, fundamentalmente. E é incrível como o tempo passa e as coisas se repetem. Com a evolução humana, com tantas conquistas, o homem deveria ter amadurecido esta capacidade de ser gente. Mas eis que ainda vemos muito por ser feito no campo do humano, do demasiadamente humano (Nietszche). 

Para Rubem Alves, tudo começa com um ato de amor...ler, escrever, conhecer um novo idioma. É no diálogo que o amor acontece. Que este ano que inicia seja motivador para crescermos em muitos sentidos, para vivermos um conúbio com a vida, para dialogarmos nossas práticas com nossos discursos. Que as "férias  escolares" sejam tempo de reconhecimento do outro, como outro verdadeiramente humano em nossas relações. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Aline,

Nós só somos o que somos pelo passado que construímos. A nossa identidade se constitui destes passados, destas vivências, desta vida que fomos semeando em cada ação, em cada movimento.

Erich Fromm, um filósofo do amor, escreveu que “a principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente”.

Acompanho tua vida escolar e universitárias há pelo menos 15 anos. Fui tua colega na escola, tua colega na universidade, no nosso primeiro curso de graduação, o de Letras português. Sou testemunha da tua caminhada até aqui, sou testemunha deste tornar-se luz, desta descoberta - ou seria a revelação do teu potencial?!

Já naquela época em que começávamos nossa trajetória acadêmica, tu sempre soubeste que este seria o teu caminho, o jornalismo. No entanto, foi preciso seguir por outras veredas, buscar outras rotas até que pudesse, enfim, percorrê-lo com a propriedade que o percorreu neste momento da tua história pessoal. 

Se a professora ajudou a jornalista ou se a jornalista ajudou a professora, não sei. O certo, no entanto é que ambas cresceram muito. Não é verdade?! Lembro-me de ti começando na TV Santa Maria. Agora, volta e meia te vemos na telinha da TV Pampa, sem contar o curso de rádio, não?! Foram muitas as oportunidades de mostrar o teu talento...

Este ano de 2013 foi um bom exemplo disto, desta caminhada que tu realizaste. Fizeste inúmeras disciplinas ao longo do ano, escreveste um TCC – do qual, inclusive, eu fui leitora.

Recordando-me disto, lembrei de uma frase de Erich Fromm, onde ele aponta que “a principal tarefa na vida de um homem é a de dar nascimento a si próprio”. Sem dúvida, tua caminhada aponta para isso – para o nascimento de uma Aline que muitos não conheciam. E mais, talvez tenha permitido o nascimento de uma Aline que tu mesma nem imaginava que existia, que tu nem imaginava a força e a coragem que tinha.

Ahhh, mas não foi só isso, não?!

Junto a esta bagagem toda, tu ainda tiveste a generosidade de nos presentear. Tu e o Aroldo, claro?! Não vamos esquecer do mérito do rapaz! Para brindar a tua alegria, está aí a Antonia, para ser luz na vida da gente. Desconfio que este será o teu melhor projeto, pois é firmado em bases sólidas de amor, de respeito, de cumplicidade. Obrigada! A dinda agradece!

Por fim, gostaria de desejar que tua carreira como profissional do jornalismo que és não seja apenas uma carreira de denuncias; que possas anunciar mais que denunciar. Nós precisamos de mais amorosidade e menos fatos trágicos. Não é verdade?!

Aline,
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar”. (
Antonio Machado)

Aline, “caminante” – ilumina o teu caminho.

Parabéns pela formatura!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Quando iniciamos um novo ano...

Quando iniciamos um novo ano, nos propomos a muitas transformações. Desejos e sonhos embalam a noite da virada e os dias que seguem o mês de Janus. No entanto, para transformarmos muitos de nossos sonhos em realidade (e não perdê-los já no mês seguinte) nós não dependemos somente de nosso esforço pessoal. É preciso toda uma cadeia de ações...

Eu, por exemplo, sonho com um mundo mais educado, onde possamos ver, depois de festas como a do meio da semana, nossas praias limpas e preservadas (sonho com minha cidade mais limpa). Sonho, fundamentalmente, com crianças bem cuidadas, respeitadas em sua integridade física e emocional. Sonho com pais nascidos para o amor, avós nascidos para o amor, professores nascidos para o amor, porque o modo como vivem (e convivem) é como educarão os pequenos. 

No livro "Emoções e Linguagem na Educação e na Política", Humberto Maturana menciona que "o educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência". Para o pensador chileno, o educar ocorre todo o tempo e de maneira recíproca. É uma transformação que não tem idade. 

Em outras palavras, a cada sopro de vida vamos nos modificando com o outro, em função do outro, para o outro - sempre considerando que o respeito e a afirmação do outro só se realiza com o respeito e afirmação de si mesmo. Educar(-nos) é um processo contínuo que dura toda uma vida, já mencionava Paulo Freire. É preciso mudar este ano que inicia, fazê-lo mais humano, humanizando-nos. É preciso transformar 2014! É preciso que novas (e bonitas) ações sejam práticas em cadeia, de norte a sul do Brasil, de hemisfério a outro... Sonho, portanto, com um 2014 onde todos sejam capazes de aprender a aprender no conviver!
Google Imagens
"A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo.
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção

Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte
Esse meu coração

Ah! Coração!
Se apronta pra recomeçar".
(Começo, meio e fim - Roupa Nova)


Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...