quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Do nascimento de um pai



Querido irmão,

Não podes imaginar a alegria que sinto ao te ver, definitivamente, pai. Ao longo dos anos foste te preparando para este momento tão bonito da tua vida e hoje podes abraçá-lo com a segurança e a serenidade que a experiência do tempo te proporcionou.

Para muitos, pareces um pai de primeira viagem. Um pai nascido agora. Para mim, não. Há vinte e dois anos abraçaste a minha criação quando nosso pai disse um "até logo" à beira do ano-novo. Foste o pai que me criou, que me educou para a vida, que me preparou para ela - sempre firmado no pensamento positivo, na ética, nos bons valores - respeitando sempre a minha individualidade, mostrando sempre um caminho correto a ser seguido. Tu acreditaste em mim! Tu me ensinaste o significado da palavra autonomia. E eu fui... Sou eternamente agradecida a esta confiança que me fez construir com tranquilidade, com certeza e com amor o meu percurso. Quase tudo que tenho, devo ao teu desprendimento em me orientar. 

A Antonia terá ainda mais sorte neste sentido. Ela vem para os teus braços amorosos já experientes e poderás fazer por ela ainda mais. Agora, não estás sozinho na caminhada, tua responsabilidade é compartilhada com alguém de enorme coração, disposta a fazer da tua a familia mais iluminada do quarteirão, do mundo inteiro. 

Com a Antonia, nasce definitivamente para os olhos do mundo o teu coração paterno. Menina de sorte a Antonia, menina de sorte eu fui, somos sortudas as duas ...  
Angelise, Aroldo e Antonia - quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Para todo professor que soube(r) educar o olhar ...

A todos os professores, com carinho!
À professora Elena da Silva, minha madrinha, em especial!


Toda criança é um universo cheio de mundos. Todo professor é um corpo cheio de mundos. A cada novo ano letivo, estes mundos se encontram para novos processos de aprendizagens. É no contato entre estes mundos, no convergir deles que a educação acontece. Mas que educação é esta, afinal?

Rubem Alves, uma de minhas leituras mais caras, ensina que "educar não é ensinar matemática, física, química, geografia, português. Essas coisas podem ser aprendidas nos livros e nos computadores. Dispensam a presença do educador. Educar é outra coisa*".  

Quando penso no início do ano letivo, penso nos milhares de projetos de vida que são delegados a cada professor deste país. Cada aluno matriculado em uma instituição de ensino é uma esperança que chega para iluminar o espaço escolar, a vida de cada mestre. Ser professor é ter uma responsabilidade imensa com a educação do olhar, sem restrições. Educar, para Rubem Alves, é isso: ensinar a ver. 

Não há um tempo para nos educarmos. Professores e alunos aprendem juntos a arte de ver. Não aprendemos na 1ª , na 2ª, na 3ª série. A Educação do olhar é um processo que leva uma vida toda, vai além do espaço da escola. É no conviver que nos educamos, é com as pessoas que nos educamos. É no conviver que nos humanizamos.


Toda criança é um corpo cheio de mundos. Todo professor é um universo cheio de mundos. Que ambos façam da escola um espaço de alegria, de compartilhamentos. Eu sonho com uma escola onde as crianças sejam alegres, felizes, onde possam ser crianças, sem medos e com muito amor. 

Que a alegria e o amor por ensinar e por aprender sejam realidade em todos os cantos deste país neste ano letivo que principia. 

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* http://www.rubemalves.com.br

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O homem precisa urgentemente humanizar-se!



Há tempos me pergunto para onde caminhamos enquanto humanos. Não é meramente uma pergunta filosófica, acreditem. Eu ando apreensiva. A televisão, os jornais, o rádio, as redes sociais, o nosso dia-a-dia tem apontado situações preocupantes. Eu estou assustada!
 
No Rio de Janeiro, dia destes, um homem acusado de ladrão foi amarrado a um poste pelos ditos "cidadãos de bem". Com o calor que faz no Brasil, o sujeito ficou cozinhando à luz do sol, violentado por pessoas que diziam fazer "justiça" com as próprias mãos.  Em protestos por melhorias no transporte público carioca, dois jovens machucaram covardemente um trabalhador da comunicação, que não resistiu as ferimentos e morreu na segunda passada. No Sul, durante o Grenal, um torcedor do Grêmio entrevistado pela Rádio Gaúcha achou absurdo que o Zé Roberto, um de seus principais jogadores, trocasse camiseta com um jogador Colorado. Afinal, entre rivais não pode (para este torcedor) existir espírito esportivo! Triste realidade a nossa!

O homem está desumanizando-se, desumanizado! No mercado de trabalho, a disputa já virou, em muitos casos, assédio moral. E por aí vai... Todos criticamos estas notas que se tornaram rotineiras nos veículos de comunicação, mas, realmente, até onde contribuímos para este estado de caos? Até que ponto achamos naturais estes conflitos? Eu ando apreensiva... Eu estou assustada!

Eu não sou descrente, mas o homem precisa urgentemente humanizar-se! É nas relações que nos tornamos humanos... Que sejam harmoniosas e humanas nossas relações!

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

De corpo e palavras.



Desde guria gosto de escutar histórias, causos antigos, gosto de gente e suas vivências. O meu pai foi o primeiro narrador que conheci. Com ele aprendi a escutar o brilho dos olhos, o recheio da história que não está propriamente na forma, mas no dizer, no contar. 

É a voz, o tom de voz que embriada o ouvido. Contar uma história sem cadenciar as frases, sem dar emoção às palavras é como ler um poema e não preenchê-lo com alma. Perde a vida! É preciso cativar os ouvidos!

Lembro-me, certa vez, em uma noite quente de verão, como estas que abrem este fevereiro caloroso. Estávamos eu e meu pai na frente da nossa casa de veraneio. Éramos nós, o céu iluminado pelas estrelas e o cheio da lua. À volta, vaga-lumes e esperanças de chuva ligeira. O velho cantava versos, metamorfoseava palavras, dava vida ao dito. Nesta noite, me revelou muitos segredos. Explicou-me o que era o céu: "O céu é a lona preta de Deus, minha filha!" Colocou tanta verdade, tanta simplicidade e tanta musicalidade na narrativa que não consigo ver o céu, ainda hoje, em metáfora diferente.  

Cada alma possui a história do seu corpo. Meu pai aprendeu o poder da palavra como sobrevivência. Construiu e deu forma ao seu corpo com palavras (e com ações). Foi o que deixou para mim e meus irmãos, de herança. E com ela  - a palavra - dou vida a alma que meu corpo habita. 
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Do guarda-roupa e da vida

Sempre tive uma relação interessante com o meu guarda-roupa. Sempre. E de alguma forma muito misteriosa ele revela como anda minha vida ...